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Monthly Archives: agosto 2009


Como o objetivo deste blog é a reflexão, penso ser fundamental transmitir um pouco do modo de pensar de um dos cientistas que rodam o mundo buscando promover a mesma coisa. Com isso transcrevo em seguida a primeira parte da entrevista concebida por Richard Dawkins ao repórter Silio Bocanera na FLIP deste ano em Parati, transmitida posteriormente pelo programa Milênio, da Globo News, em duas partes. Boa leitura a todos.

O nome Richard Dawkins evoca dois outros ainda mais conhecidos: Deus e Charles Darwin, embora não necessariamente nessa ordem de importância para o cientista e escritor britânico que o Milênio encontrou no Brasil.

Quem não leu “Deus, um Delírio” ou “O Gene Egoísta” ou outro dos muitos livros do biólogo Richard Dawkins sobre a religião ou evolução poderia cometer a imprudência de achar que ele considera Darwin e Deus a mesma pessoa. Mas quem conhece a obra do ex-professor de Oxkord, nascido no Quênia, sabe que ele considera essa mistura um “pecado”, ou melhor, um mal entendido, porque “pecado” não é palavra no vocabulário dele.

Ciência e religião não se misturam no mundo de Dawkins. Ele endossa a primeira e rejeita a segunda. Uma postura audaciosa para trazer a um país tão religioso quanto o Brasil. Mas Dawkins não foge desses desafios e trouxe sua visão e experiência convidado pela organização da FLIP – Festa Literária de Parati – Rio de Janeiro. Foi lá, durante a apresentação do professor Dawkins, que gravamos este Milênio especial.

Silio Bocanera: Falaremos sobre evolução em instantes, mas antes vamos começar com o seu outro livro, que fala sobre Deus (Deus, um Delírio). Este livro já foi traduzido em 31 idiomas diferentes e está vendendo bem em muitos países, incluindo países muito religiosos, como o Brasil. Então uma pergunta me vem à mente. O senhor acha que existem muitos ateus enrustidos se escondendo e envergonhados de expor sua falta de crença?

Richard Dawkins: Eu espero que existam e acredito que existam. Eu viajei muito pelos EUA divulgando “Deus, um Delírio” e estive, particularmente, em regiões dos EUA que são descritas como o “cinturão bíblico”. Portanto, eu estava esperando reações de todo tipo mas, em todos os eventos a que compareci, encontrei platéias imensas, muito entusiasmadas. Eram milhares de pessoas que, aparentemente, concordavam comigo que Deus não existe e que estaríamos melhor se não acreditássemos n’Ele. Eu acredito que, exatamente como você diz, existem muitos ateus enrustidos, pelo menos nos EUA, que nunca ousaram se expor e admitir o que realmente são. Quando fui, por exemplo, a Oklahoma, supostamente um estado bastante religioso, três mil pessoas compareceram ao auditório. No final, as pessoas se levantaram, se entreolharam e perceberam que não estavam sozinhas. Haviam encontrado semelhantes mesmo em Oklahoma.

Silio Bocanera: Ou mesmo no Brasil… Onde encontra maior resistência em relação às suas idéias? Não só geograficamente, como Oklahoma, ou o “cinturão bíblico”, mas, intelectualmente, quem demonstra maior resistência?

Richard Dawkins: Não quero deixar a impressão de que não houve resistência em Oklahoma. Havia um parlamentar em Oklahoma que tentou suspender a minha palestra e censurar a Universidade de Oklahoma por ter me convidado. Forças politicamente poderosas se opuseram às minhas idéias. Já críticas sérias… Não acho que existam muitas críticas sérias. As críticas mais sérias que recebo vem de pessoas que dizem: “Sou ateus, mas…”. Estou muito habituado a essa frase: “Sou ateu, mas…”. Me acusam de ser mal-educado, descortês ou insuficientemente simpático com pessoas religiosas. A propósito, acho isso um equívoco. Há um sentimento generalizado em que todos crescem acreditando de que não se deve criticar a religião, de que é proibido criticar a religião. Assim, mesmo uma crítica amena a uma religião tende a soar agressiva ou ruidosa. Na verdade, eu adoraria pensar que “Deus, um Delírio” é um livro engraçado. Espero que o humor transpareça na versão traduzida.

Silio Bocanera: O livro deixa claro que o senhor preferiria ver um mundo sem religião. Na contramão disso, muitos argumentariam que a religião pode servir de consolo a muita gente. Por exemplo, na perda de um ente querido, o crente se consola em poder encontrá-lo “do outro lado”.

Richard Dawkins: Sim… Essa é uma questão importante. Sem dúvida, as pessoas buscam consolo na religião. A primeira consideração a fazer é que, por algo ser reconfortante e consolador, isso não necessariamente o faz ser verdadeiro. Seria logicamente inconsistente sugerir que aquilo que nos faz feliz seja necessariamente verdadeiro. Há pessoas que não preferem não ouvir a verdade. Seria um bom teste procurar saber quem gostaria de ser avisado pelo médico quando estivesse com uma doença fatal. Alguns prefeririam não saber que tem uma doença fatal, outros prefeririam que o médico contasse a verdade. E os médicos costumam julgar se seu paciente necessita ouvir a verdade ou se é um paciente que prefere ignorar a verdade. Esse seria um caso análogo. Não acho que poderíamos dizer que seria justificável deixar de escrever um livro por receio de magoar alguém. Quem for ficar incomodado com o meu livro, não o leia.

Silio Bocanera: Muitos também argumentariam em favor da religião citando o fato de ela ter servido de inspiração para obras de arte magníficas ao longo do tempo, desde a Capela Sistina à música de Bach, da qual sei que é fã. A inspiração é um fator importante?

Richard Dawkins: Não há dúvida de que a religião serviu de inspiração para grandes obras de arte, música, poesia e literatura. A própria Bíblia é uma leitura excelente, pelo menos na versão inglesa do século 17, com a qual tenho bastante familiaridade. Suponho que a Bíblia em português também seja uma leitura excelente. Acredito piamente que toda criança deve aprender sobre a Bíblia e deve ler a Bíblia. Não há como apreciar literatura ou história européia sem conhecer a Bíblia. Portanto, acredito piamente nisso. Mesmo se nos livrássemos da religião, a história e a literatura bíblica continuariam sendo importantes, assim como os deuses gregos são importantes para entender literatura. Não podemos apreciar grande parte das obras literárias sem conhecer Zeus ou Apolo e não podemos apreciar Wagner sem conhecer os deuses nórdicos. Ninguém acredita mais neles, mas eles fazem parte da nossa herança cultural. Algo como a Capela Sistina ou a música de Bach é evidentemente muito bonito e importante, mas isso poderá, de algum modo, corroborar a alegação de que há validade na religião? É claro que não! Grandes artistas são atraídos pelo dinheiro. Ao longo da História, os ricos sempre encomendaram as obras de arte que quiseram. Na época de Michelangelo, ou na época de Bach, o dinheiro estava nas mãos da Igreja. Por isso, grandes obras foram feitas para a Igreja. Isso não significa que é verdade… Eu me atreveria a dizer que, por exemplo, a “Paixão Segundo São Mateus” é uma estória muito tocante. Não é apenas a música de Bach que a torna tocante, pois a estória em si é tocante. Portanto, é possível apreciar o drama e as emoções de grandes ficções. É possível apreciar a história da Bíblia, mesmo que ela seja uma ficção.

Silio Bocanera: Com relação à sua interpretação da Bíblia como ficção, o conceito de que o mundo foi criado em poucos dias, há cerca de seis mil anos e tudo de uma vez só entra em enorme contradição com as evidências científicas. O senhor acha que essa parte deveria ser rejeitada?

Richard Dawkins: Bem, o mundo está repleto de lindos mitos sobre a origem. Antropólogos poderiam listar centenas, ou até milhares, de mitos de origem cheios de beleza poética e que valham a pena serem estudados como literatura ou artefatos culturais. O mito de origem que nos é mais familiar, ou seja, o mito judaico, que acredito ter origem na Babilônia, não é mais nem menos bonito do que qualquer outro. A coisa mais chocante para Darwin, se ele estivesse vivo, é ver como em muitos lugares do mundo ainda se encara literalmente esse mito de origem. Como você disse, “o mundo foi criado em 6 dias há 6 mil anos”… Isso não está ligeiramente errado, está enormemente, colossalmente, errado. Poderíamos ilustrar isso dizendo que, considerando 4,6 bilhões de anos como a idade verdadeira da Terra, acreditar que o mundo só tem seis mil anos é o mesmo que acreditar, e já fiz esse cálculo, que a largura da América do Norte – de Nova York a São Francisco – equivale a oito metros.

Silio Bocanera: Como evolucionista e darwinista, o senhor evidentemente não crê em vida após a morte, o que serve como propósito de vida a muitas pessoas. Segundo a sua concepção, qual o propósito da vida? É a vida em si?

Richard Dawkins: Bem… O argumento biológico para o propósito da vida é o tema do meu primeiro livro, “O Gene Egoísta”. No nível científico, o propósito da vida é a propagação do DNA. Há inspiração poética nisso, mas talvez isso não seja muito satisfatório no nível individual. Indivíduos criam os próprios propósitos de vida. Cada um de nós, em maior ou menor escala, vive segundo os nossos próprios propósitos, o que pode ser escrever um livro, compor uma sinfonia, ganhar uma partida de futebol ou criar os filhos com saúde e felicidade. Há diversos propósitos que indivíduos podem criar. Todo mundo pode criar. E é melhor criá-los, pois a vida é uma só. Crer que esta é a única chance que teremos aprimora a nossa visão de mundo e nos faz valorizar mais a vida. Nos faz levar a vida mais a sério, mas também nos faz aproveitar plenamente a vida, pois ela é uma só. Viver esta vida aquém da intensidade total por acreditar que haverá outras é um desperdício terrível do imenso privilégio que é estar vivo. Cada um de nós é privilegiadíssimo. É só calcular a probabilidade que tínhamos para nascer. Nossos pais precisaram se conhecer, precisaram ter relações sexuais num momento determinado, um espermatozóide específico teve que encontrar um óvulo específico, o mesmo processo ocorreu com os nossos avós, bisavós, seguindo essa “peregrinação” até a origem da vida. Ninguém aqui tem o direito de ansiar por existir. Nós existimos por um fantástico acaso. Não desperdicem a vida, não haverá outra.

Silio Bocanera: Seus argumentos ficam ainda mais polêmicos quando discutem o propósito da vida e a falta de crença na vida após a morte. Algumas pessoas dizem que quem não crê na vida após a morte e em princípios religiosos não pode ter princípios morais. Sei que o senhor não aceita isso.

Richard Dawkins: Não. Certo… Há uma concepção de que nós só seguimos uma moral porque acreditamos na vida após a morte e, portanto, batalhamos para sermos recompensados com a salvação do Paraíso ou para evitarmos os castigos do Inferno, o que, efetivamente, foi o que você acabou de dizer. Que motivo detestável para sermos bons e que motivo horrível e imoral para sermos éticos! Uma vez, quando participei de um programa de rádio nos EUA no qual ouvintes telefonavam para fazer perguntas, um homem do Texas ligou afirmando que, se não acreditasse em Deus e não tivesse medo de ir para o Inferno, ele mataria o vizinho. Eu perguntei: “Está falando sério? Se não tivesse medo de Deus, você realmente mataria seu vizinho?” E ele respondeu: “Com certeza. Eu estupraria a primeira mulher que visse na frente.” Eu não consigo acreditar que existam muitas pessoas que só evitam fazer coisas ruins porque têm medo de Deus. Christopher Hitchens, um colega meu, que escreveu um livro na mesma época que eu, chamado “Deus não é Grande”, coloca da seguinte forma: “Não matarás” é um dos dez mandamentos da Bíblia, e ele, sarcasticamente, diz: “Não é possível imaginar com seriedade que, quando Moisés desceu da montanha com as tábuas contendo a inscrição ‘Não matarás’, as pessoas pensaram: ‘Não matarás? Ah, entendi! Achávamos que matar era uma boa idéia’.”

Silio Bocanera: Em outro livro que o senhor escreveu, “O Capelão do Diabo”, publicado no Brasil há alguns anos – a propósito, o senhor deixa claro que o capelão do Diabo não é o senhor – o senhor escreveu uma carta à sua filha, então com 10 anos, alertando contra a influência da tradição, da autoridade e da revelação. Poderia nos explicar melhor?

Richard Dawkins: Tem razão. O livro “O Capelão do Diabo” faz referência a Darwin que, ao falar da crueldade da natureza, e a seleção natural é cruel mesmo, ele diz: “Que livro um capelão do Diabo teria escrito a respeito dos baixos, equivocados, cruéis, terríveis e perdulários meios da natureza?” Não sei se os termos são mesmo esses. O livro se chama “O Capelão do Diabo”, mas não desejo ser o capelão do Diabo. O último capítulo do livro – que é uma coleção de ensaios publicados anteriormente – é uma carta endereçada à minha filha, Juliet, então com 10 anos. Quando o livro foi publicado, eu fiz a dedicatória para ela, e ela já tinha 18 anos. Naquele capítulo, na carta, uma carta aberta a ela, aos 10 anos, eu não pedi especificamente que ela se tornasse atéia. Eu jamais faria isso. Crianças não devem ser doutrinadas. Eu pedi que ela refletisse por conta própria. Eu tentei explicar a ela. O capítulo começa assim: “Como sabemos o que sabemos?” Eu respondi: “Através das evidências.” Eu expliquei, sob um ponto de vista científico, o que significa “evidência” e depois alertei-a contra os péssimos motivos que as pessoas costumam dar quando acham que sabem algo. São eles: revelação, tradição e autoridade. Eu escrevi: “Não são boas razões para se acreditar em algo. A evidência é a única boa razão para se acreditar em algo.” Eu gostaria que toda criança de 10 anos lesse esse capítulo. Tenho muito cuidado em evitar doutrinar crianças com ateísmo, assim como elas não devem ser doutrinadas com religião. Uma das piores coisas que podemos fazer com uma criança é dizer a ela: “Você é cristão.” Ou: “Você é muçulmano.” “Você é católico.” “Você é presbiteriano.” Ou seja o que for. Uma criança não tem idade para discernir, ela não tem idade para ser católica, muçulmana ou protestante. Deixe a criança amadurecer e tomar sua própria decisão quanto à crença que quer seguir. Se um dia ouvirem alguém dizer que tal criança é católica, protestante ou muçulmana, desconfiem. É um processo de conscientização análogo ao processo de conscientização feminista. Não sei como funciona em português, mas, em países anglófonos, as feministas nos ensinaram, com bastante sucesso, a não usar a palavra “homem” ao se referir à “humano” e a não usar a palavra “ele” se se referir também a “elas”. Isso é muito difícil de fazer em inglês e imagino que seja ainda mais difícil em línguas com distinções de gênero. Mas as feministas triunfaram no processo de conscientização. Sempre que ouvimos “o futuro do homem”, nós desconfiamos, relutamos e pensamos: “Não deveríamos dizer isso”. Do mesmo modo, eu gostaria que todos aqui desconfiassem quando ouvirem alguém falar sobre uma criança católica. Crianças católicas não existem! Existem crianças com pais católicos.

Para aqueles que desejarem assistir na íntegra as duas partes do programa, basta acessar os links abaixo:

Os mundos paralelos de Richard Dawkins: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1101285-7823-OS+MUNDOS+PARALELOS+DE+RICHARD+DAWKINS,00.html
As polêmicas de Richard Dawkins: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1106035-7823-AS+POLEMICAS+DE+RICHARD+DAWKINS,00.html

Roni Adame

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Natal fora de época? Para os católicos e protestantes claro que sim. Mas não para outros grupos cristãos.

URÂNTIA

Livro de Urântia

Livro de Urântia

21 de Agosto é a data de nascimento de Jesus. Isso segundo a Fundação Urântia e sua obra mundialmente conhecida, o Livro de Urântia. O Livro de Urântia é uma obra literária, composta por 197 documentos escritos em Inglês arcaico, traduzido recentemente para mais idiomas e que serve como base ideológica de alguns movimentos religiosos e filosóficos. Nas suas páginas, o livro refere ter sido compilado por um corpo de seres supra-humanos das mais diversas ordens, o texto fornece uma abrangente perspectiva das origens, história e destino humanos, constituindo para os seus leitores assíduos uma nova revelação para a humanidade.

A identidade dos autores materiais do livro é desconhecida e nunca foi reclamada, existindo por este motivo muitas teorias a respeito da sua edição e autenticidade. O próprio livro refere que é assim para que nenhum humano possa ser proclamado “profeta” ou admirado de alguma forma por tal obra literária.

O Livro de Urântia diz que Micael de Nebadon, criador e soberano deste universo local (Nebadon), fez sua sétima e última encarnação neste planeta como Jesus de Nazaré e teria nascido em 21 de Agosto do ano -7. No site da AUB – Associação Urântia do Brasil – há um convite a todos para comemorarem o aniversário de Jesus com o grupo de leitores de São Paulo. Mas o aniversário de Jesus na data de 21 de Agosto é comemorado por pessoas do mundo todo.

O conteúdo do Livro de Urantia foi amplamente difundido pelo mundo com a ajuda da saga literária do jornalista e escritor Juan José Benítez Lopez (J. J. Benítez): Operação Cavalo de Tróia, que consta atualmente com oito volumes. Benítez, no primeiro volume da saga, agradece à fundação Urântia por ela ter permitido que ele “bebesse em suas fontes”. J. J. Benítez complementa a narração feita na saga Operação Cavalo de Tróia com a publicação de Rebelião de Lúcifer e busca explicar melhor o que está por trás de tudo isso ao publicar O Testamento de São João.

Diversas versões a respeito de Jesus têm adeptos pelo mundo todo. O Livro de Urântia não é a única. Uma outra com muita semelhança existe no livro UCEM – Um Curso em Milagres.

UCEM

UCEM

UCEM

Um Curso Em Milagres – UCEM (também conhecido como ACIM em inglês), é um livro considerado por seus alunos como um “caminho espiritual”. Escrito originalmente em inglês entre 1965 e 1972 pela psicóloga Helen Schucman. De acordo com Helen, ela e o psicólogo William Thetford “escreveram” o livro por meio de um processo proveniente de canalização que Schucman chamou de “ditado interior”. Helen Schucman disse que a fonte da sua canalização foi Jesus Cristo.

Os ensinamentos do curso foram comparados com as premissas fundamentais da religião oriental. No entanto, ele utiliza a terminologia tradicional cristã. J. Gordon Melton constata que ele é mais popular entre aqueles que estão desiludidos pelo cristianismo tradicional. Desde a primeira vez em que ficou disponível para venda em 1976, teve mais de 1,5 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro em dezesseis idiomas diferentes. O livro aborda um curso você irá se deparar com vários termos que são de domínio da área de psicologia, tais como: projeção, separação, sistema delusório, sonhos, alucinação, negação, defesas, insanidade, ego, fantasia, culpa, e percepção.

O Curso é composto de três livros: o Texto de 721 páginas, o Livro de Exercícios para estudantes de 512 páginas e o Manual de Professores de 94 páginas.

Segundo informações de seus adeptos, trata-se um sistema de pensamento que, quando levado ao último entendimento, permite a conquista de um estado perene de paz, onde a certeza habita na vivência do reconhecimento da unidade em si mesmo e com Deus, onde o amor a tudo abrange e não deixa espaço para opostos, onde nada real pode ser ameaçado, e onde o medo não tem significado diante da eterna condição de impecabilidade de um ser divino e eternamente perfeito, visto que é herdeiro incondicional de todos os atributos do seu Criador.

Ainda segundo seus adeptos, seria um modo de pensar definitivo, onde perguntas como: de onde vim, prá onde vou, o que estou fazendo aqui, onde estou, assim como todas as questões de caráter existencial são finalmente respondidas, visto tratar-se de um sistema de pensamento onde mistério é algo impossível para todos que sinceramente queiram ver a verdade.

Hoje existem até mesmo empresas que se autodenominam “consultorias existenciais”, baseadas totalmente no curso UCEM. Como nem todos tem a mesma ambição, UCEM pode também ser facilmente encontrado no site do Mercado Livre  e por um custo incomparável com o custo de uma “consultoria existencial”.

COMANDO ASHTAR

Ashtar Sheran

Ashtar Sheran

Tanto o Livro de Urântia como o livro Um Curso em Milagres abordam a divindade e também trazem, ainda que com formatos alternativos, o conceito cristão da trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas também existem versões de Jesus onde é visto de forma mais moderna, nem tanto divina e mais espacial como a do “Comando Ashtar” (também conhecido como Comando Intergaláctico ou Frotas da Cruz Solar), o qual seria composto por milhares de espaçonaves de muitos sistemas solares pertencentes à Grande Fraternidade de Luz, cujo Comandante em Chefe seria “Ashtar Sheran” (o Sol que mais brilha), sendo a orientação espiritual dirigida pelo “Senhor Sananda”, mais conhecido como “Senhor Jesus” no planeta Terra.

Nessa versão espacial, todos – as sementes estelares do ofício do Cristo – obedecem ao Cristo Cósmico e estariam aqui para auxiliarem a Terra e sua humanidade, no decorrer do atual ciclo de purificação planetária e realinhamento polar, o que levará a Terra de 3ª para 4ª e 5ª dimensões do espaço-tempo, juntamente com os seres resgatáveis que ascencionarem suas consciências tridimensionais, seja lá o que signifique isso tudo.

Essa versão espacial do Cristo Sananda é também muito difundida e muito bem aceita, conquistando inúmeros adeptos ao redor do mundo todo, tendo em vista sua relação estreita com um fenômeno moderno altamente misterioso e atraente: os OVNI’s, naves espaciais, discos voadores e seres extraterrestres.

Ainda sobre Ashtar Sheran, sugiro a leitura do seguinte artigo: Ashtar Sheran – Mito ou Realidade?.

JESUS HISTÓRICO e o PROBLEMA DO NASCIMENTO

Tendo em vista os diferentes segmentos inspirados por Jesus nos dias de hoje, seria tão absurdo comemorar o “natal” em 21 de outubro ao invés de 25 de dezembro? Nem um pouco. Ao contrário do que possa parecer, não existe uma data oficial para o nascimento de Jesus. Até mesmo quem o lançou no mercado – a igreja – reconhece que isso não se sabe. Mas temos também que levar em conta algumas informações importantes sobre o contexto histórico que envolve a questão.

Houve um tempo em que a Igreja não comemorava oficialmente o Natal – entre outros motivos, por não saber o dia em que Jesus nasceu. Embora o período tivesse sido mais ou menos calculado (a data seria no ano 6 a. C.), em nenhum momento, nos primeiros 200 anos do cristianismo, o dia é mencionado. A especulação só começou por volta dos séculos 3 e 4, em resposta aos festejos promovidos pelos romanos com orgias e banquetes em reverência a divindades pagãs.

Nessa época, pelo menos oito datas diferentes foram propostas para o nascimento de Jesus. Duas datas, entretanto, prevaleceram e são usadas até hoje. Primeiro, veio o 6 de janeiro, uma comemoração feita no Oriente para o suposto dia em que Jesus fora batizado – a Igreja Ortodoxa armênia comemora o “natal” nesse dia.

Em 194 d. C., Clemente de Alexandria propôs a data de 19 de novembro do ano 3 a. C., enquanto outros pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19/20 de abril. Mais tarde, em 214 d. C., Epifânio propôs do dia 20 de maio. Nessas datas existem confusões entre a época da concepção e do nascimento. No entanto, tais datas parecem concordar com a velha tradição de que Jesus teria sido concebido na primavera e nascido em meados do inverno (essas estações referem-se ao Hemisfério Norte).

A partir do ano 336, quando o imperador Constantino já havia declarado o cristianismo como a religião do Império Romano, foi adotado o 25 de dezembro, data adotada pela igreja ocidental. O 6 de janeiro ficou, então, reservado ao dia em que Jesus teria aparecido aos três Reis Magos, herança das lendas epifânicas, nas quais os deuses se manifestam aos seres humanos.

As escolhas das datas não foram aleatórias. Ambas rivalizavam com festas pagãs realizadas no mesmo período, como a da religião persa que celebrava o Natalis Invicti Solis, a do deus Mitra e outras decorrentes do solstício de inverno e dos cultos solares entre os celtas e germânicos. “O 25 de dezembro foi uma conveniência para facilitar a assimilação da fé cristã pela massa de pagãos”, admite Mario Righetti, um dos mais renomados intelectuais católicos, em sua obra História da Liturgia, de 1955.

“Entre os estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, é consenso que Jesus não nasceu em 25 de dezembro”, afirma o cientista da religião Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Na Bíblia, o evangelho de Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas.

“Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em dezembro”, diz Caldas. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre março e novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

Definir quando nasceu Jesus exige uma profunda investigação histórica.

O problema começa em 525 d.C., quando Dionísio, o Pequeno, ao fixar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro do ano 754 d. C. urbe condita (depois da fundação de Roma), efetuou um erro de cálculo da ordem de pelo menos cinco anos. Ele não havia considerado nem o zero (algarismo que seria introduzido na Índia no século IX a. C.) nem os quatro anos que o Imperador Augusto reinou com o seu próprio nome de batismo, Otávio.

Segundo o evangelho de Matheus, Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, que faleceu no ano 4 a.C., talvez nos meses de abril ou maio. Essa última conclusão prende-se ao fato de a morte de Herodes ter ocorrido antes da Páscoa dos judeus, e ter sido precedida por um eclipse da Lua. Ora, como o único eclipse lunar visível em Jericó foi o da noite de 12 para o dia 13 de março do ano a. C., como foi mencionado por Flavius Josephus, supõe-se que a morte de Herodes ocorreu provavelmente no mês que se seguiu ao eclipse. Em síntese: tudo indica que Herodes morreu entre 13 de março e 11 de abril, pois foi nesse último dia que se iniciou a Páscoa dos judeus.

Uma outra ocorrência que tem auxiliado os historiadores foi o massacre dos inocentes, quando todas as crianças de menos de dois anos foram sacrificadas por ordem de Herodes, que se baseou nas informações dos Magos para enviar os seus soldados a Belém, a fim de matar o novo Messias que ele tanto temia. Por esse fato se concluiu que Jesus, na época, deveria ter menos de dois anos. Seria conveniente lembrar, por outro lado, que essa data pode corresponder a concepção e não ao nascimento, pois entre os orientais era tradição iniciar a contagem da idade a partir daquele instante.

Um outro ponto de referência na fixação da data de nascimento de Jesus foi a época do recenseamento ordenado pelo Imperador Augusto, que foi executado por Quirino, governador da Síria. Se aceitarmos o termo recenseamento como censo, isto é, como um inventário de população, a data correspondente será -7 ou -6. Todavia se tomarmos, como o fazem alguns autores, esse termo no sentido de cens, ou seja, de imposto, que deve ter sido posterior de um a dois anos ao citado inventário, é aceitável supor que o mesmo ocorreu 5 a 4 anos a.C.

Considerando todos esses elementos, chegamos à conclusão de que a data de nascimento de Jesus deve situar-se entre os anos 5 a 7 a.C.

Segundo os relatos da Bíblia, a qual não pode ser considerada um documento válido para o estudo sobre o Jesus histórico, o nascimento de Jesus pode ser determinado em função do de São João Batista. Assim Zacarias, o pai de João Batista, foi o sacerdote da travessia de Abia (Lucas 1.8) que teria servido no templo na sexta semana depois da Páscoa, semana anterior ao Pentecoste. Como todos os “sacerdotes” também serviram durante o Pentecoste, Zacarias teria deixado Jerusalém para sua casa no décimo segundo dia do mês do calendário israelita Sivan, ou seja, em 12 de junho do nosso calendário. Ora, como Isabel, sua esposa, concebeu seu filho depois do seu retorno (Lucas 1.24) conclui-se que João Batista deve ter nascido 280 dias mais tarde, ou seja, nas vizinhanças do dia 27 de março. Lucas (1.36) registrou ser Jesus seis meses mais jovem que João Batista, o que faz ter o nascimento de Jesus ocorrido em setembro seguinte, ou seja, no outono do ano 7 a.C. A primitiva tradição cristã registrava que Jesus nasceu um dia depois de um Sabbath judeu, isto é, em um domingo.

Crenças astrológicas tradicionais indicam, como dia mais provável, o sábado, dia 22 de agosto de 7 a.C. Seria conveniente lembrar que no calendário judeu o dia começa ao pôr-do-Sol, de modo que se considerarmos a legenda que Jesus nasceu depois do pôr-do-Sol, podemos aceitar que o seu nascimento ocorreu em 21 de agosto do ano 7 a.C.

Portanto, segundo relatos da Bíblia e crenças astrológicas, os seres que teriam “escrito” Livro de Urântia teriam razão em comemorar o aniversário de Jesus em 21 de Agosto. Será? Bem, historicamente não sabemos e é muito provável que nunca venhamos a saber. Então, assim como quase tudo que pensamos saber a respeito de Jesus transita do âmbito das crenças, e colocando em prática a tolerância sugerida por Victor Hugo, meus parabéns a esse personagem tão intrigante.

Roni Adame