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Monthly Archives: abril 2010


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Neste livro, o autor desmonta um mito da ciência e da filosofia ocidentais – o de que a Natureza é regida pela perfeição. O físico brasileiro radicado nos EUA também contesta o discurso dos ateístas radicais, como Richard Dawkins, mostrando que a ciência não prova a inexistência de Deus.

Capa_Criacao_Imperfeita

Autor: GLEISER, MARCELO
Editora: RECORD
Assunto: CIÊNCIAS/FILOSOFIA E HISTÓRIA

ISBN:  8501089974
ISBN-13:  9788501089977
Livro em português
Brochura
– 23 x 16 cm 1ª Edição – 2010 – Livro com 368 págs.


Teriam todos os crucificados sido mortos sem exceção? Ou pessoas teriam sobrevivido?

No post anterior, Crucificação – Terrorismo de Estado, falei um pouco sobre as origens conhecidas da crucificação, assim como sua evolução e aperfeiçoamento pelo império romano.

Como pudemos constatar, essa forma de tortura e assassinato em público, cujo objetivo era comunicar o horror a que as pessoas poderiam ser submetidas caso causassem problemas, não está e nunca esteve exclusivamente ligada à “morte” de Jesus.

Falando apenas do império romano, sem contar as crucificações praticadas por outras culturas pelo mundo, de 63 a.C. a 70 d.C. houve um genocídio sistemático. Tácito enumerava 600.000 (seiscentos mil) crucificados apenas na Judéia.

Apesar do número aparentemente incalculável de crucificados ao longo da história e, apesar do altíssimo nível de crueldade que essa prática adquiriu, por incrível que pareça, existem evidências de pessoas que, contra todas as probabilidades, teriam conseguido sobreviver.

Dentre alguns possíveis casos de sobreviventes, quero chamar a atenção para o mais curioso de todos eles.

Mausoleu_Caxemira

O Mausoléu ao lado encontra-se em Srinagar, Caxemira, Índia. Foi construído para proteger o túmulo de Yuz-Asaf, conforme a inscrição:

“Aqui jaz o célebre profeta Yuz-Asaf, chamado Yusu, profeta dos filhos de Israel”.

Yuz-Asaf, conforme os registros históricos da região, era um homem de origem israelita que teria passado sua juventude até sua idade adulta por algumas regiões da Índia, teria sido um aprendiz em alguns mosteiros do Himalaia e, ao ter tido problemas com as autoridades, teria sido expulso de alguns deles.

Ainda conforme os registros históricos, Issa, como era conhecido, após chegar a um alto grau de conhecimento da filosofia budista, teria resolvido voltar para Israel, aproximadamente com 28 anos de idade, para passar algo do que tinha aprendido para seus irmãos israelitas.

Ao que parece, esse mesmo homem teria chegado a ser crucificado alguns anos depois em Israel mas, de alguma forma, teria conseguido sobreviver e voltar para a região da Caxemira, onde, casado e com filhos, teria passado seus dias ensinando até vir a falecer já idoso.

clip_image002Um detalhe interessante sobre seu túmulo é que o mesmo teria sido construído de forma com que a cabeça do morto estivesse voltada para a região de Israel (imagem ao lado), uma forma de homenagear a um homem a quem eles consideravam um grande profeta.

image Outra característica muito curiosa sobre seu túmulo foi o fato de os pés do morto terem sido esculpidos de forma a retratarem as marcas da crucificação a qual teria sobrevivido.

A história de Issa, ou Yuz-Asaf, é fascinante e digna de uma pesquisa mais apurada dos que ainda mantém viva a chama da curiosidade.

Para quem quiser saber mais:

Jesus Viveu na Índia


Músculos que envolvem as costelas ficam completamente alongados, o que mantém as costelas expandidas, fazendo com que o peito fique passivamente cheio de ar…

Crucificacao_Romana Não se pode entender o significado da crucificação se ignorarmos o fato de que seu principal objetivo era o de comunicar horror. Era comunicar às pessoas o seguinte: “Nem tente me desafiar ou você também vai acabar dessa maneira”.

Quando se fala em crucificação, a palavra remete imediatamente a Jesus. Mas, ao contrário que muitos pensam, essa forma de assassinato, altamente aperfeiçoada pelos romanos, está longe de ser algo exclusivamente ligado a Jesus.

Seu uso através da história foi muito frequente e sua origem remete a muito tempo antes de Cristo.

A primeira evidência desse tipo de prática data do tempo do rei assírio Salmanasar, século IX a.C. O império assírio foi um dos impérios mais cruéis possivelmente enfrentados por Israel. As torturas assírias incluíam a empalação ou empalamento. uma forma primitiva, ou a primeira forma de crucificação.

Empalamento

Crucificação é um termo geral para qualquer exposição de um criminoso numa cruz, numa árvore ou num mastro como na empalação. O aspecto chave é que os criminosos são levantados e expostos ao público.

A empalação já trazia as primeiras características dos mecanismos de sofrimento e de horror às vítimas. Somava a incapacidade de respirar ou de se mexer a uma dor alucinante durante o processo todo.

A exibição dos inimigos empalados pelo rei assírio Salmanasar era uma propaganda calculada do poder assírio. Essa mesma estratégia seria adotada futuramente pelo poder romano.

Em 518 a.C. Dario I, rei da Pérsia, esmagou uma rebelião popular na cidade de Babilônia. Determinado a dar o exemplo, Dario crucificou 3.000 babilônios capturados.

Crucificacao Em 332 a.C. o rei da Macedônia, Alexandre O Grande, usou punição similar sobre o povo de Tyro. Alexandre sitiou Tyro durante sete meses. Seu exército matou 10.000 pessoas e mais 2.000 foram crucificadas. As vítimas foram penduradas em estacas ao longo da costa mediterrânea.

A maioria dos estudiosos acredita que foi Alexandre quem fez uma transição entre a empalação assíria e a crucificação romana.

No século X a.C. a crucificação na estaca era uma forma comum de execução pública no mundo mediterrâneo e no oriente médio.

Ao longo do tempo os métodos de crucificação evoluíram e violência se tornou mais calculada, mas a prática da exposição ao público permaneceu.

A crucificação já era uma forma de terrorismo de estado para manter o povo sob controle.

Chega o primeiro século a.C. e a crucificação se tornou uma das grandes armas do império romano. Era uma forma bastante comum de execução do império romano. Sua prática era geral e disseminada.

Com os romanos a crucificação assumiu novas formas, que aumentaram o sofrimento e a humilhação. Os historiadores creditam aos romanos a primeira crucificação em uma cruz de fato.

Os romanos sabiam exatamente o que estavam fazendo e se tornaram mestre na arte da crucificação. Não a inventaram mas a dominaram, pois redesenharam o método fazendo vários ajustes para aumentar a dor, potencializar e estender o sofrimento.

Os romanos introduziram dois tipos de cruz. Uma em forma da letra grega Tau, a qual se acredita que tenha sido usada na crucificação de Jesus. Outra em forma da letra minúscula “t” latina.

cruz_de_Tau

cruz_latina

A cruz consiste de duas vigas de madeira. Uma vertical chamada Poste ou Estaca. Estas consistiam em postes já fixados. Outra horizontal, a viga transversa ou Patibulum. Esta última, o Patibulum, de fato teria sido o que Jesus teria carregado até o Gólgota e não uma cruz inteira, feita de um único bloco de madeira, como comumente é mostrado nas ilustrações religiosas.

Considera-se que a cruz em Tau foi a mais frequentemente usada pelos romanos. O topo da estaca ficava ao alcance dos braços dos soldados. O Patibulum, a viga horizontal era alçada e encaixada no topo da estaca, formando um T.

A cruz latina está tradicionalmente ligada à crucificação de Jesus. No entanto, historiadores afirmam que não foi nesse tipo de cruz que ele teria sido executado.

O problema com a cruz latina é que a estrutura inteira teria que ser levantada com a vítima já amarrada e/ou pregada. E só depois disso a cruz inteira ainda teria que ser fixada num buraco no solo. Seu uso era muitíssimo menos frequente do que a cruz em Tau e seu mecanismo pouco tinha a ver com a conhecida eficiência romana.

Os romanos costumavam crucificar cidadãos não-romanos que ameaçavam a paz, escravos desobedientes, desordeiros de todas as espécies e os rebeldes. A tendência era que o criminoso que merecia esse tipo de execução fosse um inimigo do Estado. Em geral ninguém era crucificado por roubar um filão de pão, mas por crimes bem maiores.

A exibição da crucificação era a exibição do poder romano.

Spartacus Uma das mais conhecidas estórias de múltiplas crucificações de seu em 71 a.C., quando um ex-gladiador chamado Spartacus liderou um exército de 120.000 escravos revoltosos contra Roma.

Spartacus expôs os romanos a uma série de derrotas humilhantes.

Quando os romanos finalmente derrotaram o exército de Spartacus, 6.000 rebeldes foram crucificados ao longo da Via Ápia. Seus corpos formaram uma linha de 200 quilômetros de comprimento, de Cápua até Roma.

Chega o primeiro século d.C. e Roma ocupou a Judéia. A crucificação era muitíssimo comum. E as legiões romanas estavam muito bem preparadas, equipadas e treinadas para esse tipo de punição. A intensificação e prolongamento do sofrimento da vítima foram conseguidos pelos romanos com a adição do açoite pelo Flagrum e pelo método de prender a vítima às vigas através dos pregos nos pulsos e nos calcanhares.

Ao contrário do que muitos pensam, as mulheres também não eram poupadas desse tipo de punição.

No ano 4 d.C., depois da morte de Herodes O Grande, os cidadãos da Judéia se revoltaram contra o julgo romano. As legiões romanas marcharam pela Judéia para esmagar a revolta. Cidades foram arrasadas. Judeus foram vendidos como escravos. Cerca de 2.000 revoltosos foram crucificados.

Chega o ano 33 d.C. e já havia na Judéia uma longa estória de crucificação de supostos profetas e pretendentes a Messias. A mais conhecida crucificação desse tipo nós conhecemos. Mas estaria longe de ser a última…