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Monthly Archives: outubro 2010


AteTuObamaDecepção. Por essa eu não esperava. Mais um erro meu. Deveria esperar.

Diz Obama: "Pacotes vindos do Iêmen representam AMEAÇA TERRORISTA REAL".

As suspeitam recaíram sobre a Al Qaeda.

Já vi esse filme?

Diz Obama: "Sabemos que a Al Qaeda na península arábica continua planejando ataques contra nossa terra e nosso povo. Os agentes de combate ao terrorismo no nosso país estão levando o assunto muito a sério e estão tomando as medidas necessárias".

Claro. Como poderia ser diferente?

E com isso os EUA reforçam as medidas contra o terrorismo em todo o país. E é justamente essa "resposta" de Obama a mais essas tentativas de atentado a principal razão de mais essa encenação acontecer.

O motivo? Mais uma vez, as eleições. Desta vez quando o governo democrata norte americano está prestes a perder a maioria no congresso.

Exatamente a mesma receita de bolo foi utilizada antes pelo governo republicano de Bush filho. E a receita do terrorismo, do medo e da "resposta à altura" deram certo. Bush não só teve sua eleição fraudulenta oficializada automaticamente como até mesmo conseguiu um segundo mandato.

O que é decepcionante pra mim é Obama estar tentando utilizar a mesma receita de bolo. Decepcionante e inesperado.

Só que desta vez creio que ao tiro sairá pela culatra e quem irá se beneficiar de tudo isso será nada mais nada menos que a figura medonha de Sarah Palin.

O futuro dos EUA volta a escurecer…

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Ser_Humano_AtualNão me lembro de uma eleição com tamanha influência religiosa como esta, o que me leva frequentemente a me perguntar se o Brasil é ou não de fato um país laico.

Se estamos num país laico, por que então um de nossos candidatos a presidente da república cedeu às pressões de grupos religiosos ao publicar uma carta aberta contendo as concessões morais, éticas e religiosas que resolveu fazer caso seja eleita?

Se a constituição oficializa o laicismo do Brasil, na prática estamos mudando essa característica, pois, pela primeira vez, cedemos a pressões religiosas deixando, com isso, a religião começar a influenciar de fato na maneira como o país será governado.

Estamos constatando um regresso, uma volta ao passado, escolhendo uma forma de pensar mais primitiva e em direção a revivermos o obscurantismo histórico pelo qual várias nações já passaram e outras continuam exercitando. Uma pena.

Sem dúvida, a liberdade, em todos os aspectos e segmentos que compõem tanto um indivíduo quanto uma sociedade, é o bem mais valioso que se pode alcançar. Mas esse bem valiosíssimo não se conquista facilmente pois, ao mesmo tempo que é algo a ser alcançado, é também consequência de investimentos prolongados em vários setores de uma sociedade.

Numa sociedade avançada e, por consequência, livre, são fatores essenciais dessa condição a liberdade religiosa e intelectual do indivíduo. Numa sociedade como essa, crer em algo preestabelecido é aceitável. A identificação individual com uma das religiões é totalmente aceitável. Já a imposição de uma identificação individual ou coletiva com um dos padrões religiosos existentes é totalmente inaceitável.

Uma sociedade avançada possui o conhecimento necessário dos processos vigentes responsáveis pelo bem-estar e melhoria da mesma, assim como o conhecimento dos processos históricos e culturais que os levaram a resolver de fato seus problemas básicos.

Com esse conhecimento conquistaram a capacidade de diferenciar, assim como de valorizar, os princípios e mecanismos que, na prática, geraram qualidade de vida de teorias e crenças que apenas os colocavam numa situação de dependência de poderes sobrenaturais teoricamente superiores.

Aprenderam que, na prática, tais poderes sobrenaturais teoricamente superiores, causavam apenas a segregação e a perda da noção do coletivo. Por isso respeitam entre si indivíduos com acreditam em coisas diferentes, pois não colocam qualquer crença num patamar mais importante do que suas conquistas reais.

Uma sociedade avançada, livre, e não perfeita, jamais voltará a abrir mão da sua total liberdade individual e coletiva de observar, analisar e questionar qualquer coisa à sua volta pois aprendeu que sem isso estarão condenados à estagnação e, com o tempo, ao desaparecimento.

Nunca antes na história deste país se pensou a médio e longo prazos. E continua não se pensando. Não há a menor evidência da formação e implantação de qualquer plano diferenciado de uma instrução adequada e diferenciada. E, para complementar, agora passa a existir a influência religiosa nas futuras formas de governo.

Ao contrário de uma sociedade livre, avançada, estamos invertendo as coisas ao dar mais prioridade a crenças do que a mecanismos e valores que na prática possam gerar conquistas reais. O caminho à nossa frente mostra-se muito perigoso e arriscado. Mas como olhar para frente e enxergar o resultado do que estamos plantando se não se pensa a médio e longo prazos?

Talvez uma das coisas mais duras de se constatar é que somos nós mesmos que queremos isso. Não sou cristão e muito menos religioso mas talvez aquela frase extremamente conhecida e amplamente divulgada até hoje nunca tenha feito tanto sentido: Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem.

Mas eis o problema: o universo parece não ouvir quem dele não se lembra…


Sugiro também a leitura do post Campanha OUT! no blog Visão Alienígena.



CHILE-MINAO mundo todo torceu para o bem-sucedido resgate aos que ficaram conhecidos como “Los Mineros de Chile”. Sem dúvida um momento histórico. Mas o que esse momento nos diz?

Primeiramente parabéns ao presidente chileno, Sr. Sebastian Piñera, pelo modo com que conduziu a operação de resgate. Como um empresário muito bem sucedido, soube lidar com o fato de modo a prever suas consequências a curto, médio e longo prazos.

O presidente sabia que sua popularidade não estava nada bem. Sabia também que a empresa mineradora, a San Esteban, estava praticamente falida, com vários de seus 300 funcionários sem receber havia tempos e sabia que o mundo estava de olho nos mineiros soterrados.

Baixa popularidade? Talvez os mineiros soterrados fossem sua melhor chance de reverter esse quadro durante todo seu governo. Mas, para isso, não poderiam haver falhas. Tudo teria quer ser perfeito, independente de quanto custasse.

A quem recorrer então? À própria empresa mineradora? Nem pensar. Ela não teve recursos nem mesmo para escavar outras entradas e saídas para a mina de cobre onde os mineiros estavam trabalhando quando foram soterrados – uma mina, seja ela de cobrem de ouro ou de gás, não poderia jamais ter apenas uma única entrada e uma única saída.

O custo total da operação de resgate chegou próximo aos 30 milhões de dólares. Se dependesse da San Esteban os mineiros já estavam mortos. Piñera sabia disso.

O presidente teria que recorrer então ao histórico desse tipo de desastre. E o mundo estava cheio deles. Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia adotada para salvar os mineiros não era nenhuma novidade e já havia sido usada em outras partes do mundo.

NASA_0Mas quem dominava a tecnologia? Quem possuía a experiência de tentar resolver grandes problemas ocorridos em espaços físicos muito pequenos? Quem assistiu Armagedon e Apollo XIII sabe a resposta: NASA.

A agora famosa cápsula usada no resgate, a Fênix II, é resultado de um projeto do engenheiro da NASA Clinton Cragg. A NASA também disponibilizou para o Chile uma equipe de 20 pessoas, dentre eles médicos, psicólogos e nutricionistas.

Milagre? Apesar dos mineiros, e de uma grande parte dos chilenos, acreditarem fervorosamente que sim, a resposta é não. Tratou-se de uma aliança estratégica entre a rapidez administrativa e política do presidente Piñera e o conhecimento e a experiência da equipe mais preparada para uma situação como essa.

O que poderíamos esperar dos mineiros? Que eles entendessem a importância de uma equipe como a da NASA? Seria esperar um pouco demais de uma cultura extremamente hierarquizada, muito mais do que no Brasil, onde o papel do pai é venerado, e ao mesmo tempo intensamente religiosa no que concerne ao cristianismo, mais um presentinho da colonização.

mineiros-milagresPara muitos chilenos, o fato de ser 33 o número de chilenos soterrados, ligado ao dogma cristão de ser 33 a idade em que Jesus teria morrido – apesar dos cristãos propositalmente ignorarem o fato, sabe-se que Jesus não tinha 33 anos quando foi crucificado – , foi mais que suficiente para trazer à tona uma religiosidade acima da considerada normal.

Mas voltando à realidade da qual muitos tentam usar a religião para fugir, o fato é que não se tratam de 33 mineiros. A empresa San Esteban possui cerca de 300 mineiros trabalhando em situações precárias e muito semelhantes às dos mineiros resgatados. O descaso com esse tipo de atividade estava presente no Chile quando tudo aconteceu. E não se trata de algo recente.

Logo no dia seguinte ao resgate um mineiro morreu soterrado em Val Paraíso. Esse homem não teve nem sequer 1% da atenção que os 33 tiveram. Por que? Por acaso as péssimas condições de trabalho e o descaso com a segurança da mineração foram resolvidos no Chile?

Bem, o Chile fez o dever de casa:

  • Seus novos heróis todos salvos. Com todas as devidas “homenagens” (1 IPod para cara um? Ora Sr. Jobs, não serve nem pra usar como telefone caso algum deles fique soterrado novamente);
  • Piñera reverteu extremamente seu problema de popularidade;
  • Chile deu o exemplo ao resto do mundo.

 

Basta saber o que acontecerá com os heróis quando a fama acabar rapidamente e tiverem que voltar ao trabalho…

Mas e quanto à atividade de mineração no resto do mundo?

Infelizmente a situação piora. Sem entrar em detalhes, vale a pena mencionar a realidade chinesa. A propósito, fica fácil de entender porque a China foi a única grande nação a não transmitir a operação de resgate chilena (em conjunto com os EUA é claro).

Enquanto escrevo este post a China anuncia que são escassas as chances de encontrar 11 mineiros presos numa mina de carvão na província central de Henan. Como se não bastasse, ano passado foram 2.631 mineiros mortos em toda a China. Como já conhecemos a fama chinesa, fica fácil concluir que esse número não seria o real.

O que fazer então?

Minas_JohannesburgCaso as nações e as empresas de mineração quisessem utilizar o caso recente dos “33 heróis do Chile” como um marco para uma mudança de conscientização desse segmento de trabalho, existe ao menos um referencial a ser seguido: trata-se de uma mina de ouro subterrânea, localizada na área de Witwatersrand, em Johannesburg, onde os trabalhadores trabalham em total segurança em profundidades de até 4 quilômetros, perfurando novos túneis até aproximadamente 8 quilômetros (para saber mais, clique aqui).

Como em vários outros segmentos, falta apenas vontade administrativa, política e financeira para investir em segurança, em proteção da vida. Mas esse “apenas” é mais complexo do que aparenta. Infelizmente a proteção da vida, não apenas a vida humana, é uma das consequências de uma série de processos e valores que ainda não conhecemos na teoria e não vivenciamos na prática. É mais um item pertencente à nossa continuidade incerta.


Velocidade_luz1Alguns fatos sobre nossa realidade, se pensados detalhadamente, possuem propriedades e características suficientes para pensarmos sobre nós mesmos e o lugar onde vivemos. Quando me refiro ao lugar onde vivemos, quero chamar a atenção para um planeta e seu ecossistema, o universo. Um desses fatos, extremamente importante, altamente despercebido, e altamente intrínseco no modo com que vivemos, é a luz e sua surpreendente velocidade: 300.000 quilômetros por segundo.

Pensar em números grandes é muito difícil para nós. Por isso temos que usar referenciais para termos uma idéia melhor de uma velocidade como essa. Um dos exemplos mais eficientes é entender a velocidade da luz ao pensarmos que a mesma é suficiente para dar 7 voltas no planeta Terra em apenas 1 segundo.
Muito rápido? Como disse Einstein, isso é relativo.

A luz só viaja a 300.000 quilômetros por segundo no vácuo. Quando viaja por meios diferentes, ela tem sua velocidade alterada. Como por exemplo, na água, onde por isso podemos visualizar a curvatura e a refração da luz.

Nossos olhos funcionam de acordo com essa mudança de velocidade em que a luz viaja em diferentes materiais. Se não fosse assim veríamos apenas bolhas claras e escuras.

O fator de atraso se deve ao fato de que a luz é absorvida pelos átomos que compõem os materiais pelos quais ela atravessa. Uma vez absorvida por esses átomos, fazendo-os vibrar, ela é irradiada novamente.
Ao passar pelos átomos do vidro existe a curvatura da luz, onde a mesma pode ser direcionada e ampliada, causando o fenômeno que você percebe ao usar uma lente de aumento. É justamente esse fato que torna possível a utilização de telescópios, onde passamos a observar a luz numa outra escala: a astronômica. E é aí que a tal velocidade da luz se torna extremamente indispensável.

Na superfície da Lua, a 380.000 quilômetros da Terra, os astronautas demoravam 1,3 segundos para receber uma mensagem. E mais 1,3 segundos para que a resposta chegasse na Terra. Entre uma pergunta e uma resposta, sem levar em conta o tempo para pensar, eram gastos 2,6 segundos.

Aumentando um pouco a distância, a luz do Sol demora pouco mais de 8 minutos para alcançar a Terra. Se o Sol fosse engolido por um buraco negro teríamos ainda 8 minutos antes de nosso planeta, e todas suas formas de vida, começarem a desaparecer.

Continuando a aumentar as distâncias, a comunicação entre a Terra e as sondas que exploram Marte demora 44 minutos para chegar até lá. E mais 44 minutos para que a resposta chegue novamente aqui.

Para se comunicar com a sonda Cassini, em órbita de Saturno, são mais de 3 horas para que a mensagem a alcance. E, para alcançar a Voyager I, a sonda mais distante já enviada pelo homem, hoje a 16.000.000  (milhões) de quilômetros de distância da Terra, que está saindo agora do sistema solar, a mensagem leva 29 horas para atingir o alvo.

Nessas distâncias, a luz, mesmo viajando a 300.000 quilômetros por segundo, já não se mostra tão eficiente. Para piorar, em escalas cósmicas, como veremos, essas distâncias ainda são infinitamente ridículas.
Que tal tentarmos enviar uma mensagem para a estrela, ou o Sol, mais próximo do nosso sistema solar? Trata-se de uma estrela anã-vermelha chamada Próxima Centauri, aproximadamente 40.000.000.000.000 (trilhões) de quilômetros de distância.

Perceba que aqui nosso cérebro já não processa a informação referente à distância. Ou seja, já são números dos quais não temos noção. Deste ponto em diante não é mais viável falar em quilômetros para citarmos planetas, estrelas, galáxias, aglomerados de galáxias , superaglomerados e grandes filamentos. A medida a ser usada passa a ser a velocidade da luz, que equivale a mais ou menos 9 trilhões de quilômetros, distância percorrida pela luz em um ano numa velocidade de 300.000 quilômetros por segundo.

A estrela mais brilhante em nosso firmamento é sem dúvida Sirius, que está a 8,6 anos-luz de distância. Isso quer dizer que a luz, viajando a 300.000 quilômetros por segundo (sempre lembre que nessa velocidade a luz consegue dar a volta na Terra 7 vezes em 1 segundo), demoraria 8,6 anos, ou mais ou menos 3.139 dias, para alcançar Sirius. Enfim, devido a essa "demora", à lentidão com que a luz viaja pelo espaço, quando olhamos Sirius no firmamento, não a vemos como ela é hoje e sim como ela era há 8,6 anos atrás. Nesse caso, podemos até estar vendo Sirius mas, neste momento, em tempo real, ela pode nem mesmo existir mais.

Betelgeuse_Sol

A mesma coisa ocorre com a estrela Vega. Só conseguimos vê-la como ela era há 25 anos atrás. E a imensa Betelgeuse (que possui mais ou menos 900 vezes o diâmetro do nosso Sol, conforme imagem acima)  como era há 500 anos atrás.

Ao mesmo tempo, essa lentidão da velocidade da luz nos permite enxergar o passado, possibilitando observar e compreender cada vez mais quais os processos que fizeram com que o universo chegasse até este ponto em que nos encontramos. Isso seria impossível se a luz viajasse instantaneamente. Com isso já conseguimos enxergar o universo como ele era há mais de 13 bilhões de anos atrás. O universo ainda engatinhava.

Mas o que podemos ver além disso no passado do universo? Não. Aqui existe uma barreira. Uma barreira imposta pela própria velocidade da luz. Mas do que se trata essa barreira?

O universo teve início cerca de 13,75 bilhões de anos atrás. Isso significa que o mais distante que podemos enxergar no espaço, em qualquer direção, é 13,75 bilhões de anos-luz. Não houve tempo suficiente para a luz viajar mais do que isso. Trata-se do horizonte cósmico da luz, uma esfera de 13,75 bilhões de anos-luz, contendo tudo que vemos. Será que o universo termina aí?

Não temos razões para acreditar nisso. É muito provável que o universo seja muito maior do que isso. Mas, independente disso, os astrônomos da Terra estão "presos". Não podem ver além do horizonte cósmico da luz.
Einstein mencionou que a velocidade da luz é o limite de velocidade para qualquer coisa que viaje pelo espaço. De fato as equações da física mostram que distorções muito "estranhas" – como o espaço se dobrando sobre si mesmo (a famosa "dobra espacial" de "Jornada nas Estrelas") – começam a acontecer com objetos que chegam a 99,99% da velocidade da luz. Mas, algo supera ou já superou a velocidade da luz? Sim.

As evidências mostram que, após o big-bang, o universo passou por um período chamado "inflação", período esse responsável pela estranha homogeneidade existente hoje em todo o universo. 

A chamada "inflação", que seria de fato o big-bang que observamos hoje através da radiação cósmica de fundo, ou seja, um segundo big-bang, foi uma fase onde tudo foi arremessado em todas as direções numa velocidade muito superior à da luz. Podemos concluir com isso que o espaço em si pode se expandir mais rapidamente do que a velocidade da luz, mas tudo que está confinado nesse espaço não pode ultrapassar a velocidade da luz, conforme a teoria da relatividade especial de Einstein.

Como o universo hoje encontra-se em expansão, galáxias se afastam umas das outras tão rapidamente que violam a velocidade da luz. Veja que é o espaço que se expande e não as galáxias que se movem. Vale lembrar que as galáxias estão contidas no espaço que se expande, como se fossem manchas numa bexiga que está sendo sendo cheia.

Essa expansão, ocorrendo mais rapidamente que a velocidade da luz, estipula outro limite: as galáxias que nunca veremos. Tais galáxias tiveram início há tanto tempo que a luz proveniente delas nunca nos alcançará porque o espaço está se expandido mais rapidamente do que a velocidade da luz.

Enfim, se estamos limitados ao horizonte cósmico da luz, o que há para ser observado e explorado dentro desse horizonte? Temos idéia disso?

Hubble_ultra_deep_field (1)

Pense no seguinte fato: o campo ultra-profundo do telescópio Hubble (conforme imagem acima) é uma foto repleta de detalhes de uma área do nosso céu, 100 vezes menor do que uma lua cheia, que contém em torno de 10.000 galáxias.

Vale a pena lembrar que nossa galáxia, com seu tamanho aproximado de 100.000 anos-luz de uma ponta à outra, pode conter cerca de 400 bilhões de estrelas (sóis). Se pensarmos então na galáxia IC-1011, com seu tamanho 60 vezes maior que a nossa, cerca de 6 milhões de anos-luz de uma ponta à outra, imagine, se puder, quantas estrelas (sóis) ela pode conter.

Enfim, a velocidade da luz, para nós, é tão absurdamente rápida que é praticamente impossível pensar nisso. Mas para o universo é uma velocidade extremamente desanimadora. Mesmo se, no futuro, conseguíssemos construir uma nave espacial que viajasse na velocidade da luz, não conseguiríamos ir praticamente a lugar nenhum. Espero que ao menos a velocidade da luz seja mais um dos elementos que ajude a mostrar o quanto somos minúsculos e imperceptíveis numa escala astronômica. Mais um motivo para a humildade da qual tanto precisamos para continuar a existir nessa imensidão.


TiriricaComo não escrever mais um pouco sobre política? Se a proposta deste blog é registrar algum tipo de reflexão, acho razoável escrever um pouco sobre os resultados das eleições de hoje, pois os mesmos podem nos mostrar algumas coisas sobre nós mesmos.

Se por um lado a derrota de Lula, não elegendo sua candidata logo no primeiro turno, mostra que as pessoas parecem estar pensando mais, por outro lado, a eleição de Tiririca e Garotinho como os deputados federais mais votados do Brasil mostram que as pessoas deixaram de fato de pensar.

O que acontece então? Difícil saber e cedo para arriscar um palpite. Mas creio que posso fazer algumas observações.

Ao não eleger Dilma logo no primeiro turno, Lula sofreu um duro e pesado golpe. De fato é assim que ele preferiu não aparecer e assim não vincular sua imagem com esse fato. Lula hoje pensa que é Deus, ou alguém muito próximo a “Ele”. Ele mesmo se auto-proclamou “O cara do Cara” (este segundo “Cara” seria “Ele”). Sua alta popularidade fez esse e outros estragos com Lula e foi muito interessante, até mesmo aliviante, constatar que sua visão se si mesmo está muito além da realidade. Enfim, diferente do que ele pensa, sua palavra não é uma ordem.

Mercadante foi outro golpe duro no trabalho de cabo eleitoral de Lula. A certezas de Lula não são as certezas de todos. Mais uma vez, um alívio.

Durante o horário de propaganda eleitoral fui muito surreal assistir Mercadante dizer que os deputados e senadores do PT não falavam uma coisa e faziam outra. Oras, ele mesmo tinha feito isso recentemente ao ter pronunciado em cadeia nacional que, frente à postura de Lula e do PT a respeito do escândalo Sarney, ele renunciaria ao Senado e ao PT e, após uma conversa com Lula, voltou à imprensa e mudou de idéia. Bem, pelo visto, nem todos esquecem.

Ainda para complementar a frustração com Mercadante, Lula ainda teve o desprazer de ver Aloysio Nunes como o senador mais votado para São Paulo. Mas nem tudo é decepção para ele uma vez tendo elegido Marta como segunda senadora.

É muito provável que Dilma acabe superando Serra no segundo turno. A possibilidade é bem grande. Mas o que quero destacar aqui é que alta popularidade não atribui a ninguém a capacidade de prever e de concretizar a realidade como se deseja. Isso seria apenas megalomania, típica de um cara que se acha “O cara do Cara”.

Mas o que leva Tiririca a ser o deputado federal mais votado do país? Será que o exemplo de um toneiro mecânico ter chegado à presidência está sendo levado ao extremo pela população e passaram então a acreditar que quanto mais intensamente despreparado estiver o candidato melhor será para o povo?

Pude assistir a um analista político questionando a si mesmo se esses votos seriam de protesto ou se ainda teriam uma intenção mais inteligente por trás. Mas infelizmente essa é uma possibilidade muito remota. A possibilidade com mais base na realidade é que seriam mesmo votos “burros”, de eleitores completamente despreparados, muitíssimos mal informados e sem qualquer noção temporal de causa e efeito, ação e reação, fato e consequência. “Pior que tá não fica”?. Ficou. E muito.

Além do congresso passar a conviver com alguém que assume publicamente que não tem a mínima idéia do que faz ou deveria fazer um deputado, com mais de um 1.300.000 votos, Tiririca acaba levando junto com ele para o congresso outros vários deputados que nem chegaram a aparecer na propaganda política, que também não possuem qualquer conhecimento administrativo e que, inclusive, chegaram a pertencer ao esquema do mensalão do PT. Será que os eleitores de Tiririca também tinham essa noção?

Seria Tiririca a constatação de que passou a ser “legal” contratarmos, para um determinado cargo ou função, justamente a pessoa que diz que não tem a mínima idéia de como cumprir tal função? Você faria isso em sua empresa ou negócio? E ainda levaria, de brinde, outros vários com o mesmo perfil e ainda criminosos? Talvez você não cometeria um ato de ignorância e burrice dessa magnitude. Mas mais de 1.300.000 (um milhão e trezentos mil) brasileiros o fizeram. Isso mostra alguma coisa sobre nós? Com certeza.

Mas isso é tudo? Seria esse o único sinal de que tem algo errado conosco? Antes fosse. Mas e a eleição de Antony Garotinho como deputado federal? Trata-se do segundo candidato mais votado para essa função. E ainda tem gente que diz que o crime não compensa?

Garotinho foi preso e está respondendo a dois processos por crimes como formação de quadrilha, desvio de dinheiro público, rombo financeiro após seu governo no Rio de Janeiro, uso abusivo e irregular da força policial também no Rio de Janeiro e diversas outras irregularidades. De forma que chega a me assustar, mesmo com a polêmica (deveria ser polêmica?) questão da “ficha limpa”, Garotinho conseguiu uma liminar de um juiz que deu a ele o direito de concorrer à eleição para deputado federal. E de forma que me assusta mais ainda, foi o segundo deputado mais votado, perdendo apenas para o palhaço. Como explicar essa preferência do eleitorado por esse perfil?

É claro que essas poucas informações, aliadas ao cenário político como um todo, e a todas as questões que surgem dessa realidade ampla e obscura, é assunto para vários livros e não para um simples post. Mas quero concluir opinando que os assuntos abordados neste post mostram problemas gravíssimos nas duas pontas: problemas com o eleitor e com os candidatos. Mas um problema não seria apenas consequência do outro? Ambos não se retroalimentam?

Vejam, o que é preciso para trabalhar numa empresa do governo? O que eu preciso fazer para vir a trabalhar em empresas como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal? Oras, preciso aguardar a publicação de abertura de vagas e me inscrever para um concurso público? Ou seja, para que eu consiga a vaga pretendida, para ser um funcionário público, eu preciso provar, através de várias provas, com várias matérias e modalidades, que estou bem preparado para cumprir tal função. E não basta eu estar preparado, tenho que ser um dos mais bem preparados. Mas isso bastaria? Claro que não.

Eu conseguiria a vaga, mesmo sendo um expert, tendo ficha suja, ou melhor, tendo antecedentes criminais? Ou eu conseguiria a vaga tendo o nome sujo no SPC ou no SERASA? Eu seria considerado “confiável”? Enfim, como acham que empresas como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica chegaram aos patamares atuais se não existissem tais critérios para seus funcionários públicos?

Mas e quanto aos funcionários das câmaras municipais, do governo estadual, do congresso e senado federais e do planalto? Não são funcionários públicos também? E por que nesse caso podem entrar analfabetos e criminosos para trabalhar? Qual seria a diferença que justificaria isso?

Até quando será assim? Quando as candidaturas a cargos políticos (funcionários públicos como do BB e da Caixa) serão aprovadas apenas para pessoas sem antecedentes criminais? Quando tais candidaturas, após terem passado pela peneira policial, passarão a ter suas aprovações sujeitas a provas e exames do mesmo nível aplicado hoje pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica? Por que não se investe nesse sentido?

Será que esse tipo de mentalidade e atitude então exigiriam uma mudança agressiva na qualidade da educação no Brasil como um todo? E será que esse investimento maciço na educação nacional, com o passar do tempo, não eliminaria totalmente a existência de um perfil de eleitor que hoje vota no Tiririca e no Garotinho? Será que um investimento maciço na educação, ao longo do tempo, não acabaria substituindo uma realidade precária existente hoje nas “duas pontas” (eleitor e candidato) por uma realidade política-educacional amplamente mais madura e responsável?

Bem, as respostas a tais questionamentos são puramente óbvias. E, para nossos legisladores, investir na qualidade da educação ao longo do tempo é o mesmo que admitir o fato de perder a “boquinha”. Uma decisão muito difícil para eles. Tanto é que nunca o fizeram. Enquanto isso vamos assistindo a continuidade do declínio, pois pior do que “tá” fica sim.