Skip navigation

Monthly Archives: janeiro 2011


SingularityUniversityPatrocinada pelo Google e pela NASA, a Singularity University realizará seu primeiro curso fora dos EUA. Mais precisamente, em São Paulo!

Confesso que, ao ouvir a frase “O melhor da humanidade ainda está por vir”, dita por Rodrigo Furlan, analista financeiro e aluno da Singularity University, fui pego de surpresa. Da limitada perspectiva de onde me encontro, acabo deduzindo que a humanidade não caminha para seu melhor. Portanto, ao ouvir uma idéia que contradiz totalmente o que estou vendo, acho melhor parar e prestar atenção.

A Singularity University é um projeto futurístico de universidade, onde, entre os professores, estão astronautas, biotecnólgos, especialistas em nanotecnologia e robótica. O objetivo, muito resumidamente, é buscar soluções inovadoras para problemas sérios, como a mudança climática, a fome e a democratização do conhecimento.

Soluções inovadoras são mesmo mais que necessárias. Ainda enfrentamos problemas básicos para solucionar a demanda por necessidades básicas, tais como habitação, vestuário, alimentação e trabalho, as quais são responsáveis pela imensa maioria de nossos problemas no dia-a-dia.

Há centenas de anos vivemos correndo atrás do rabo. Estamos correndo, cada vez mais,  atrás dos mesmos problemas. E quanto mais fazemos isso mais problemas geramos. É claro. Um amigo me disse uma vez: os problemas não podem ser solucionados pela mesma mentalidade que os gerou.

Democratização do conhecimento, assim como as soluções inovadoras, é urgente! Nossa espécie precisa mudar sua maneira de agir no ecossistema onde vive. Não é mais aceitável que o conhecimento pertença a uma minoria e que a maioria não queira saber de nada, deixando para a minoria entender como as coisas são. A maioria burra, que só se importa com comer, beber e se emocionar, não tem mais espaço no futuro. Todos precisam subir de patamar e partilhar o conhecimento num nível muito semelhante.

Por essas razões resolvi chamar a atenção dos poucos leitores que passam por este blog para o projeto do Google eda NASA, pois ao meu ver, tem objetivos bem condizentes com a necessidade do planeta. A seguir destaco algumas informações e curiosidades mais específicas sobre a Singularity University.

Não há livros. O conteúdo das aulas é criando constantemente. O foco do ensino está totalmente no futuro, olhando e pensando periodicamente em que direção o mundo está indo.

A tecnologia se duplica a cada 18 a 30 meses. Um resultado muito impactante. O potencial ascendente da tecnologia é muito grande. Só que a maioria das pessoas pensam hoje de forma linear, enquanto a tecnologia é exponencial, criando um enorme vácuo. Os alunos são ensinados a pensar sobre isso.

TheSingularityUniversityIsNearSegundo um de seus fundadores, Ray Kurzweil, autor do livro The Singularity is Near,  a singularidade será o momento em que homem e máquina irão praticamente se fundir.

Ainda de acordo com Kurzweil, os saltos exponenciais existem muito antes do surgimento da humanidade. Ele destaca seis épocas onde ocorreram transformações determinantes:

1a Época: Surgimento das primeiras estruturas atômicas, baseadas nas leis da química e da física;

2a Época: Formação do DNA, onde as informações genéticas passaram a ser organizadas e replicadas;

3a Época: Surgimento do cérebro, onde as informações se tornaram mais complexas e o modelo mental passou a moldar o mundo;

4a Época: A quarta época seria a atual, começando com o aparecimento das máquinas, onde a tecnologia acelera a transformação do homem e da natureza;

5a Época: Singularidade. A fusão entre homem e máquina permitirá que a inteligência e a criatividade humana ultrapassem os limites do cérebro;

6a Época: Quando os padrões de energia e matéria serão substituídos por uma espécie de inteligência universal.

A Singularity University considera o Brasil um país importante para seus cursos. E o motivo é curioso e lamentavelmente verdadeiro. A população no Brasil é imensa. Se analisados os problemas que o país enfrenta (desmatamento, água potável, pobreza, saúde pública, educação), trata-se de um microcosmo perfeito dos problemas globais. Resolvendo-os no Brasil, os mesmos podem ser resolvidos em qualquer outro lugar.

Fica aqui a sugestão da reportagem completa no site da Globo News, programa Espaço Aberto Ciência e Tecnologia, onde será possível ao leitor conhecer o projeto de forma mais ampla e precisa.

Em meio a tantos desastres naturais e tantas mortes que poderiam ser evitadas caso nosso país não vivenciasse há anos uma mentalidade política e administrativa burra e inerte, Google e NASA estão com seus olhos anos-luz à nossa frente, talvez criando a possibilidade real da existência de vida inteligente no planeta Terra.


BigBangA mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos. Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus. Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

No último dia 06, “Dia de Reis” (ainda sobre os reis magos, sugiro a leitura do post Natal – Um pouco mais sobre os magos… ), o Papa Bento XVI disse a 10 mil fiéis, na basílica de São Pedro, que Deus é o responsável pelo Big Bang, conforme suas palavras destacadas acima.

Podemos colocar as coisas em seus devidos lugares? Creio que sim. Para isso vamos analisar por partes as palavras de Bento XVI.

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang (…)

Eu diria que, apesar das evidências a respeito do Big Bang, o Papa, ou a Igreja, ambos talvez tenham se precipitado. Me pareceu um ato meio “desesperado”, onde ambos tenham se arriscado desnecessariamente.

A ciência é incompleta e inacabada por natureza e está sempre revendo a si mesma. Sabemos muito pouco sobre o Big Bang, apesar de já termos avançado muito. Ao meu ver, existe uma enorme probabilidade de ainda mudarmos nossa visão sobre a relação entre a origem do universo e o Big Bang, apesar de ser muito improvável que ambas as coisas se desvinculem.

Ao atribuir a Deus a teoria do Big Bang, e, ao fazê-lo tão rapidamente, a Igreja pode vir a se arrepender. Um risco desnecessário., visto que a Igreja não deveria estar se preocupando com as últimas descobertas científicas. Não é o papel dela. Não é pra isso que as pessoas se filiam a ela.

(…) os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso.

Particularmente duvido muito que os cristãos estejam se preocupando com a origem do universo. Em relação ao que buscam os fiéis, que importa o que houve há 13,7 bilhões de anos? Que importa por que o universo teria sido criado? Os fiéis de hoje em dia são, em sua grande maioria, muito práticos. O que importa é o que foi prometido a eles em vida, e, principalmente, após a morte, ao terem se tornado cristãos.

O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos.

Se a ciência acreditasse em acaso ela simplesmente não existira. É justamente o contrário. A ciência investiga precisamente motivada pelo fato de que tudo teve, tem e terá suas causas. Se não fosse assim nem mesmo os conceitos de aprendizado e conhecimento seriam possíveis.

Os pesquisadores do CERN, em Genebra, ao estudar, entre outras coisas, propriedades mais específicas a respeito do Big Bang,, não reuniram pesquisadores de vários países com o intuito de divulgar a idéia de que o universo surgiu por acaso. Eles realmente não se importam com o que acreditamos sobre isso. O intuito é conseguir descrever o funcionamento das coisas, as leis de causa e efeito. E, sobre o Big Bang, não seria diferente.

FilamentosContemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus.

De fato, ao contemplar o universo, é praticamente impossível não pensarmos sobre Deus. São inúmeras as questões sobre isso. A função do Papa é vincular a Deus tudo o que podemos contemplar. Nós, pessoas comuns, livres pensadores, não podemos negar esse vínculo entre o universo visível e um Deus criador. Não temos evidência alguma que negue essa natureza do universo.

Mas o inverso é verdadeiro. Não temos qualquer evidência de que esse vínculo exista. Dessa forma, é um prazer conseguir conviver muito bem com a dúvida e continuar observando e perguntando, ao invés de precisar de certezas e atribuir a um ser sobrenatural todas as perguntas as quais ainda não sabemos as respostas.

Agora, uma pequena curiosidade. Bento XVI afirmou que, ao contemplarmos o universo, enxergamos a criatividade inesgotável de Deus. Bem, talvez ele tenha se esquecido do enigma da energia escura, a qual, ao que parece, vai acabar de vez com a tal inesgotabilidade criativa de Deus.

Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

Mais uma vez sou obrigado a concordar com Bento XVI sobre isso. Mas permita-me uma correção: não são apenas algumas teorias científicas que são limitadas. São todas elas! Volto a dizer: a ciência é uma prática, uma atitude, cujas ferramentas de pesquisa, assim como seus resultados, serão sempre limitadas e incompletas, visto que, nós, a raça humana, aquelas que fazem a ciência acontecer na prática, mesmo que possamos evoluir para sempre, sempre seremos limitados frente à proporção e complexidade do universo em que vivemos e desejamos conhecer.

Fico pensando se, ao fazer essa afirmação lógica sobre a ciência, Bento XVI estaria tentando dizer que ele, ou a Igreja, tem a tal explicação para a realidade última. Mas, se tem, por que então teriam atribuído a Deus uma teoria tão limitada como o Big Bang? Minha mente naturalmente limitada não é capaz de compreender tais contradições divinas.


Homem_VelhoO homem velho está sentado em meio às trevas, pensando nas suas amantes agora já mortas…

A noite havia caído, tão rápida, um pouco mais a cada dia…

Uma estrela pisca na distância, um outro mundo, tão distante. Será que ainda existe?

Ninguém sabe.

Vemos tão pouco. Sabemos tão pouco.

Será que elas ainda me amam? Ou será que viraram poeira, feito as estrelas?

E eu? Virarei anjo ou poeira?

Durante sua vida, buscou por certezas, por respostas aos grandes enigmas.

Primeiro, tentou a fé.

Depois, o conhecimento.

Com o passar do tempo, descobriu que não existem respostas simples, que não existe uma explicação final, coerente.

Entendeu que não existe um plano para a Criação.

Lutou contra isso, sem querer aceitar que o que podemos conhecer é limitado, que nunca saberemos tudo.

Sentiu-se pequeno e inútil.

Se não posso compreender o mundo, quem sou eu?

Sofreu durante muito tempo. Não sabia como abraçar a simplicidade do não saber.

Aos poucos, as coisas começaram a mudar.

A direção que antes levava a nada virou uma nova estrada.

Era bom não ser parte de um plano para o mundo. Pela primeira vez, o homem velho sentiu-se livre.

Podia sempre continuar a perguntar e a aprender sobre o mundo e sobre a si próprio.

Podia sempre amar e esperar que fosse amado.

Estar vivo e ser lembrado é o que importa.

Uma coruja piou na distância.

O homem velho sorriu e pegou o telefone. Para quem ligaria?


Bibliografia:

GLEISER, Marcelo. Criação Imperfeita.: Medo das Trevas II