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BigBangA mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos. Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus. Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

No último dia 06, “Dia de Reis” (ainda sobre os reis magos, sugiro a leitura do post Natal – Um pouco mais sobre os magos… ), o Papa Bento XVI disse a 10 mil fiéis, na basílica de São Pedro, que Deus é o responsável pelo Big Bang, conforme suas palavras destacadas acima.

Podemos colocar as coisas em seus devidos lugares? Creio que sim. Para isso vamos analisar por partes as palavras de Bento XVI.

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang (…)

Eu diria que, apesar das evidências a respeito do Big Bang, o Papa, ou a Igreja, ambos talvez tenham se precipitado. Me pareceu um ato meio “desesperado”, onde ambos tenham se arriscado desnecessariamente.

A ciência é incompleta e inacabada por natureza e está sempre revendo a si mesma. Sabemos muito pouco sobre o Big Bang, apesar de já termos avançado muito. Ao meu ver, existe uma enorme probabilidade de ainda mudarmos nossa visão sobre a relação entre a origem do universo e o Big Bang, apesar de ser muito improvável que ambas as coisas se desvinculem.

Ao atribuir a Deus a teoria do Big Bang, e, ao fazê-lo tão rapidamente, a Igreja pode vir a se arrepender. Um risco desnecessário., visto que a Igreja não deveria estar se preocupando com as últimas descobertas científicas. Não é o papel dela. Não é pra isso que as pessoas se filiam a ela.

(…) os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso.

Particularmente duvido muito que os cristãos estejam se preocupando com a origem do universo. Em relação ao que buscam os fiéis, que importa o que houve há 13,7 bilhões de anos? Que importa por que o universo teria sido criado? Os fiéis de hoje em dia são, em sua grande maioria, muito práticos. O que importa é o que foi prometido a eles em vida, e, principalmente, após a morte, ao terem se tornado cristãos.

O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos.

Se a ciência acreditasse em acaso ela simplesmente não existira. É justamente o contrário. A ciência investiga precisamente motivada pelo fato de que tudo teve, tem e terá suas causas. Se não fosse assim nem mesmo os conceitos de aprendizado e conhecimento seriam possíveis.

Os pesquisadores do CERN, em Genebra, ao estudar, entre outras coisas, propriedades mais específicas a respeito do Big Bang,, não reuniram pesquisadores de vários países com o intuito de divulgar a idéia de que o universo surgiu por acaso. Eles realmente não se importam com o que acreditamos sobre isso. O intuito é conseguir descrever o funcionamento das coisas, as leis de causa e efeito. E, sobre o Big Bang, não seria diferente.

FilamentosContemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus.

De fato, ao contemplar o universo, é praticamente impossível não pensarmos sobre Deus. São inúmeras as questões sobre isso. A função do Papa é vincular a Deus tudo o que podemos contemplar. Nós, pessoas comuns, livres pensadores, não podemos negar esse vínculo entre o universo visível e um Deus criador. Não temos evidência alguma que negue essa natureza do universo.

Mas o inverso é verdadeiro. Não temos qualquer evidência de que esse vínculo exista. Dessa forma, é um prazer conseguir conviver muito bem com a dúvida e continuar observando e perguntando, ao invés de precisar de certezas e atribuir a um ser sobrenatural todas as perguntas as quais ainda não sabemos as respostas.

Agora, uma pequena curiosidade. Bento XVI afirmou que, ao contemplarmos o universo, enxergamos a criatividade inesgotável de Deus. Bem, talvez ele tenha se esquecido do enigma da energia escura, a qual, ao que parece, vai acabar de vez com a tal inesgotabilidade criativa de Deus.

Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

Mais uma vez sou obrigado a concordar com Bento XVI sobre isso. Mas permita-me uma correção: não são apenas algumas teorias científicas que são limitadas. São todas elas! Volto a dizer: a ciência é uma prática, uma atitude, cujas ferramentas de pesquisa, assim como seus resultados, serão sempre limitadas e incompletas, visto que, nós, a raça humana, aquelas que fazem a ciência acontecer na prática, mesmo que possamos evoluir para sempre, sempre seremos limitados frente à proporção e complexidade do universo em que vivemos e desejamos conhecer.

Fico pensando se, ao fazer essa afirmação lógica sobre a ciência, Bento XVI estaria tentando dizer que ele, ou a Igreja, tem a tal explicação para a realidade última. Mas, se tem, por que então teriam atribuído a Deus uma teoria tão limitada como o Big Bang? Minha mente naturalmente limitada não é capaz de compreender tais contradições divinas.

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One Comment

  1. É exatamente este o meu pensamento. Mas lendo este artigo as coisas se esclarecem e ficam mais óbvias em minha mente! Parabéns! Seu eu tivesse tempo eu iria fazer um curso na Singularity University. Este sonho ainda pretendo realizar!


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