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Category Archives: História


BentoXVIBento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".

Quem diria? O representante de Cristo na Terra pode se equivocar. Particularmente considero essa declaração um salto quântico na humanização da Igreja.

O uso da camisinha, sempre historicamente condenado pela igreja, agora passa a ser aceito em “alguns casos”. O que houve? Por que a mudança de postura?

Nesse caso sou obrigado a questionar… Se o Papa é o Cristo na Terra, quem é que muda de opinião? O Papa ou o próprio Cristo? A moral de Deus seria então relativa e passível de mudanças ao longo do tempo?

Por outro lado, o Papa está entrando em conflito com uma resolução da Igreja, oficializada no Concílio Vaticano I: a infalibilidade do Papa.

A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), está sempre correto. Isto porque acredita-se que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. Mais informações: Wikipédia.

E então? Afinal, o Papa é ou não infalível?

UltimoLivroPapaEm seu novo livro, Light of the World: The Pope, The Church and The Signs Of The Times (cujo título poderia ser um pouco mais humilde), essa pergunta é respondida da seguinte forma:

O conceito da infalibilidade do Papa foi desenvolvido ao longo dos séculos. Sob certas condições e circunstâncias. O Papa pode tomar decisões vinculadoras através das quais fica claro o que é ou não fé. Isto não quer dizer que tudo o diz que é infalível.

Mais trechos do livro “A Luz no Mundo” podem ser lidas aqui.

Para justificar a posição polêmica em que o Papa colocou o Vaticano, este justificou a declaração do Papa da seguinte forma:

O uso da camisinha é um pecado menor do que a transmissão do vírus da Aids.

Infelizmente o vaticano tentou adaptar as palavras do Papa insistindo em manter o uso da camisinha dentro do rol dos pecados. Ou seja, já que você vai pecar, então cometa o pecado mais leve. A multa é menor.

Eliminando qualquer possibilidade do Papa ter contrariado a igreja, ou ainda do Papa ser falível, Dom Odio Scherer, Arcebispo de São Paulo, disse o seguinte:

Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade.

Enfim, nem mesmo quando o próprio Papa admite cometer erros, seus “subordinados”, nos diferentes níveis, não aceitam isso e tratam logo de “adaptar” suas palavras. Isso tem suas razões para acontecer mas aí a discussão vai muito longe.

Bem, para dar mais subsídios aos poucos leitores deste blog, a respeito da infalibilidade de um Papa, resolvi relatar alguns fatos históricos sobre o papado numa página deste blog, de modo com que cada um possa tirar suas próprias conclusões sobre essa questão.

Os fatos históricos sobre o papado estão relatados na página Papa – Um Pouco de História. A quem se interessar, eu peço que só leia se tiver um bom estômago. Boa leitura.

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OrfaosVocê consegue olhar para as estrelas e não pensar em “Deus”? Qual a sensação de pensar num universo sem propósito, gerado ao mero acaso? Que tipo de sentimento surge ao pensarmos que tudo que já existiu, existe e ainda existirá não passa do resultado de um mero acaso? Definitivamente não são as sensações e sentimentos que nossa espécie mais aprecia. Mas…

Em sua mais recente obra, The Grand Design, Stephen Hawking afirma que não é preciso um Deus para criar o universo, pois o Big Bang, a grande “explosão” (que não tem relação com nosso conceito mais conhecido de explosão) a qual teria originado o universo, seria uma consequência das leis da física, conforme as palavras do professor de Física da Matéria Condensada da Universidade Autônoma de Barcelona David Jou:

GrandDesignO fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso.

É óbvio que para a discussão deste tema nem mesmo uma vida inteira seria suficiente e, apesar de muitos de nós já possuírem suas “certezas” sobre Deus e o Universo”, a verdade é que essas questões atormentam nossa espécie desde sempre. E continuará atormentando, ao menos àqueles que não têm certeza.

De fato o Big Bang é consequência natural das leis da física, assim como tudo que veio a existir como consequência natural do Big Bang. Todo o universo parece funcionar conforme as mesmas leis. Podemos chamar também as leis da física de “leis da natureza”, as quais englobam todas as equações possíveis dentro da estrutura do universo.

EquacoesTudo que nossa espécie vem fazendo desde o início, de uma maneira muito generalizada, é descobrir e buscar compreender as leis naturais contidas em todos as coisas. Simplificando mais ainda, trata-se das relações de causa e efeito.

Todo e qualquer tipo de sistema de aprendizado sobre qualquer realidade contida no universo só é possível devido a uma propriedade fundamental das leis da natureza: a imutabilidade. Tais leis, ou equações, nunca mudaram desde o início do universo e, teoricamente, nunca mudarão enquanto o universo existir.

Uma vez que as próprias leis naturais, desde o “início” (difícil precisar o que seria realmente o início) gerando movimento contínuo de causa e efeito, configuram o “motor” do universo, aparentemente auto-suficiente, onde entraria um Deus nessa estória toda?

Talvez eu devesse fazer perguntas as quais tivéssemos condições reais de respondê-las, apesar de muitos de nós terem adotado algumas “certezas” sobre isso.

Mas, mesmo assim, quando penso no assunto, sempre fico com uma pergunta engasgada: uma vez que, desde o “início”, foram as leis naturais que foram moldando o universo até os dias de hoje, aparentemente, o universo já nasceu com elas. Portanto, de onde elas vem e que processo ou quais processos as “fixaram” do jeito que são e não de qualquer outro?

DNA_UniversoPoderíamos considerar as leis naturais como sendo o DNA deste universo? Seu código genético? Creio que no momento pode ser uma associação aceitável. Mas … DNA? Código genético? E de quem ou do que o universo teria herdado tais “informações”? De outro universo anterior? De um universo coexistente? De um universo “pai” e/ou “mãe”? De dois universos?

De qualquer forma sempre caímos no mesmo ponto crítico: e o primeiro universo? Quem ou o quê o criou? E quem ou o que teria criado o primeiro criador?

Por isso tudo, se conseguirmos apenas descobrir mais ou menos como funciona a natureza deste universo e, com isso, melhorar nossa qualidade de vida e a das demais espécies, já estaremos realizando um verdadeiro “milagre divino”…


TerrasOs dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

Do centro do universo à mera poeira da galáxia em apenas 1.900 anos! Será mesmo?

Após 5 anos de estudo, a NASA nos traz algumas informações importantes relacionadas ao nosso planeta:


GraosDeAreia

  • Nossa galáxia, a Via-Láctea, com aproximadamente 200 bilhões de estrelas ou sóis, contém cerca bilhões de planetas semelhantes à Terra;
  • Planetas pequenos são muito mais comuns do que se imaginava e são predominantes na Via Láctea;
  • Aproximadamente 1/4 das estrelas similares ao nosso Sol da nossa galáxia hospedam planetas como a Terra;
  • Os planetas de tamanho próximo à Terra são, na nossa galáxia, como grãos de areia na praia: estão por toda a parte;
  • Os dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

É importante destacar ainda que a pesquisa não inclui planetas nas zonas habitáveis e sim, tendo em vista a proximidade das estrelas que orbitam, apenas planetas em áreas consideradas muito quentes para a vida como a conhecemos.

Com isso, próximas pesquisas poderão mostrar que o número potencial de “Terras” pode superar e muito o de 46 bilhões.

Estraga Prazeres

Não deve ser fácil para algumas pessoas saber que nosso planeta não é tão especial e único assim como se pensava ou como muitos gostam de pensar. A NASA realmente é uma pedra no sapato de muitos. E por isso esses muitos vão continuar ignorando as novas descobertas sobre o lugar que ocupamos no universo.

Modelo_GeocentricoA teoria do universo geocêntrico, onde a Terra era o centro do universo, foi compilada por Ptolomeu por volta de 100 d.C. e, por mais incrível que possa parecer ela ainda determina o modo de pensar de muitíssimos de nós ainda hoje.

Para diversas religiões, em destaque para o cristianismo, a Terra, além de ser o centro do universo, é a única coisa no universo. A mensagem subliminar passada a seus adeptos é exatamente essa e continuará sendo por muito tempo, visto que suas bases dogmáticas não teriam nenhuma sustentação se vistas e estudadas sob um prisma universal ao invés de exclusivamente terrestre.

A influência desse tipo de visão está presente em todos nós e determina, de forma inconsciente, nossa visão sobre o mundo e nosso papel dentro dele. Por mais que as informações cheguem até nós, elas parecem ricochetear como uma pedra lançada num lago. Basta olhar para aquilo que pensamos, dizemos e fazemos. Basta examinar nossas ações de forma macro para ver que, na prática, o ser humano ainda acredita que está no centro do universo.

Infelizmente esse tipo de visão insana não é mantida por acaso. Ela é a única que atende a necessidade e interesses dos poucos que lucram ao redor do globo. Estar no centro do universo, ser especial, único, é apenas mais uma forma de pensar dentre muitas outras que inseriram em você e da qual você nunca perguntou de onde veio…

 


Ser_Humano_AtualNão me lembro de uma eleição com tamanha influência religiosa como esta, o que me leva frequentemente a me perguntar se o Brasil é ou não de fato um país laico.

Se estamos num país laico, por que então um de nossos candidatos a presidente da república cedeu às pressões de grupos religiosos ao publicar uma carta aberta contendo as concessões morais, éticas e religiosas que resolveu fazer caso seja eleita?

Se a constituição oficializa o laicismo do Brasil, na prática estamos mudando essa característica, pois, pela primeira vez, cedemos a pressões religiosas deixando, com isso, a religião começar a influenciar de fato na maneira como o país será governado.

Estamos constatando um regresso, uma volta ao passado, escolhendo uma forma de pensar mais primitiva e em direção a revivermos o obscurantismo histórico pelo qual várias nações já passaram e outras continuam exercitando. Uma pena.

Sem dúvida, a liberdade, em todos os aspectos e segmentos que compõem tanto um indivíduo quanto uma sociedade, é o bem mais valioso que se pode alcançar. Mas esse bem valiosíssimo não se conquista facilmente pois, ao mesmo tempo que é algo a ser alcançado, é também consequência de investimentos prolongados em vários setores de uma sociedade.

Numa sociedade avançada e, por consequência, livre, são fatores essenciais dessa condição a liberdade religiosa e intelectual do indivíduo. Numa sociedade como essa, crer em algo preestabelecido é aceitável. A identificação individual com uma das religiões é totalmente aceitável. Já a imposição de uma identificação individual ou coletiva com um dos padrões religiosos existentes é totalmente inaceitável.

Uma sociedade avançada possui o conhecimento necessário dos processos vigentes responsáveis pelo bem-estar e melhoria da mesma, assim como o conhecimento dos processos históricos e culturais que os levaram a resolver de fato seus problemas básicos.

Com esse conhecimento conquistaram a capacidade de diferenciar, assim como de valorizar, os princípios e mecanismos que, na prática, geraram qualidade de vida de teorias e crenças que apenas os colocavam numa situação de dependência de poderes sobrenaturais teoricamente superiores.

Aprenderam que, na prática, tais poderes sobrenaturais teoricamente superiores, causavam apenas a segregação e a perda da noção do coletivo. Por isso respeitam entre si indivíduos com acreditam em coisas diferentes, pois não colocam qualquer crença num patamar mais importante do que suas conquistas reais.

Uma sociedade avançada, livre, e não perfeita, jamais voltará a abrir mão da sua total liberdade individual e coletiva de observar, analisar e questionar qualquer coisa à sua volta pois aprendeu que sem isso estarão condenados à estagnação e, com o tempo, ao desaparecimento.

Nunca antes na história deste país se pensou a médio e longo prazos. E continua não se pensando. Não há a menor evidência da formação e implantação de qualquer plano diferenciado de uma instrução adequada e diferenciada. E, para complementar, agora passa a existir a influência religiosa nas futuras formas de governo.

Ao contrário de uma sociedade livre, avançada, estamos invertendo as coisas ao dar mais prioridade a crenças do que a mecanismos e valores que na prática possam gerar conquistas reais. O caminho à nossa frente mostra-se muito perigoso e arriscado. Mas como olhar para frente e enxergar o resultado do que estamos plantando se não se pensa a médio e longo prazos?

Talvez uma das coisas mais duras de se constatar é que somos nós mesmos que queremos isso. Não sou cristão e muito menos religioso mas talvez aquela frase extremamente conhecida e amplamente divulgada até hoje nunca tenha feito tanto sentido: Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem.

Mas eis o problema: o universo parece não ouvir quem dele não se lembra…


Sugiro também a leitura do post Campanha OUT! no blog Visão Alienígena.



Teriam todos os crucificados sido mortos sem exceção? Ou pessoas teriam sobrevivido?

No post anterior, Crucificação – Terrorismo de Estado, falei um pouco sobre as origens conhecidas da crucificação, assim como sua evolução e aperfeiçoamento pelo império romano.

Como pudemos constatar, essa forma de tortura e assassinato em público, cujo objetivo era comunicar o horror a que as pessoas poderiam ser submetidas caso causassem problemas, não está e nunca esteve exclusivamente ligada à “morte” de Jesus.

Falando apenas do império romano, sem contar as crucificações praticadas por outras culturas pelo mundo, de 63 a.C. a 70 d.C. houve um genocídio sistemático. Tácito enumerava 600.000 (seiscentos mil) crucificados apenas na Judéia.

Apesar do número aparentemente incalculável de crucificados ao longo da história e, apesar do altíssimo nível de crueldade que essa prática adquiriu, por incrível que pareça, existem evidências de pessoas que, contra todas as probabilidades, teriam conseguido sobreviver.

Dentre alguns possíveis casos de sobreviventes, quero chamar a atenção para o mais curioso de todos eles.

Mausoleu_Caxemira

O Mausoléu ao lado encontra-se em Srinagar, Caxemira, Índia. Foi construído para proteger o túmulo de Yuz-Asaf, conforme a inscrição:

“Aqui jaz o célebre profeta Yuz-Asaf, chamado Yusu, profeta dos filhos de Israel”.

Yuz-Asaf, conforme os registros históricos da região, era um homem de origem israelita que teria passado sua juventude até sua idade adulta por algumas regiões da Índia, teria sido um aprendiz em alguns mosteiros do Himalaia e, ao ter tido problemas com as autoridades, teria sido expulso de alguns deles.

Ainda conforme os registros históricos, Issa, como era conhecido, após chegar a um alto grau de conhecimento da filosofia budista, teria resolvido voltar para Israel, aproximadamente com 28 anos de idade, para passar algo do que tinha aprendido para seus irmãos israelitas.

Ao que parece, esse mesmo homem teria chegado a ser crucificado alguns anos depois em Israel mas, de alguma forma, teria conseguido sobreviver e voltar para a região da Caxemira, onde, casado e com filhos, teria passado seus dias ensinando até vir a falecer já idoso.

clip_image002Um detalhe interessante sobre seu túmulo é que o mesmo teria sido construído de forma com que a cabeça do morto estivesse voltada para a região de Israel (imagem ao lado), uma forma de homenagear a um homem a quem eles consideravam um grande profeta.

image Outra característica muito curiosa sobre seu túmulo foi o fato de os pés do morto terem sido esculpidos de forma a retratarem as marcas da crucificação a qual teria sobrevivido.

A história de Issa, ou Yuz-Asaf, é fascinante e digna de uma pesquisa mais apurada dos que ainda mantém viva a chama da curiosidade.

Para quem quiser saber mais:

Jesus Viveu na Índia


Músculos que envolvem as costelas ficam completamente alongados, o que mantém as costelas expandidas, fazendo com que o peito fique passivamente cheio de ar…

Crucificacao_Romana Não se pode entender o significado da crucificação se ignorarmos o fato de que seu principal objetivo era o de comunicar horror. Era comunicar às pessoas o seguinte: “Nem tente me desafiar ou você também vai acabar dessa maneira”.

Quando se fala em crucificação, a palavra remete imediatamente a Jesus. Mas, ao contrário que muitos pensam, essa forma de assassinato, altamente aperfeiçoada pelos romanos, está longe de ser algo exclusivamente ligado a Jesus.

Seu uso através da história foi muito frequente e sua origem remete a muito tempo antes de Cristo.

A primeira evidência desse tipo de prática data do tempo do rei assírio Salmanasar, século IX a.C. O império assírio foi um dos impérios mais cruéis possivelmente enfrentados por Israel. As torturas assírias incluíam a empalação ou empalamento. uma forma primitiva, ou a primeira forma de crucificação.

Empalamento

Crucificação é um termo geral para qualquer exposição de um criminoso numa cruz, numa árvore ou num mastro como na empalação. O aspecto chave é que os criminosos são levantados e expostos ao público.

A empalação já trazia as primeiras características dos mecanismos de sofrimento e de horror às vítimas. Somava a incapacidade de respirar ou de se mexer a uma dor alucinante durante o processo todo.

A exibição dos inimigos empalados pelo rei assírio Salmanasar era uma propaganda calculada do poder assírio. Essa mesma estratégia seria adotada futuramente pelo poder romano.

Em 518 a.C. Dario I, rei da Pérsia, esmagou uma rebelião popular na cidade de Babilônia. Determinado a dar o exemplo, Dario crucificou 3.000 babilônios capturados.

Crucificacao Em 332 a.C. o rei da Macedônia, Alexandre O Grande, usou punição similar sobre o povo de Tyro. Alexandre sitiou Tyro durante sete meses. Seu exército matou 10.000 pessoas e mais 2.000 foram crucificadas. As vítimas foram penduradas em estacas ao longo da costa mediterrânea.

A maioria dos estudiosos acredita que foi Alexandre quem fez uma transição entre a empalação assíria e a crucificação romana.

No século X a.C. a crucificação na estaca era uma forma comum de execução pública no mundo mediterrâneo e no oriente médio.

Ao longo do tempo os métodos de crucificação evoluíram e violência se tornou mais calculada, mas a prática da exposição ao público permaneceu.

A crucificação já era uma forma de terrorismo de estado para manter o povo sob controle.

Chega o primeiro século a.C. e a crucificação se tornou uma das grandes armas do império romano. Era uma forma bastante comum de execução do império romano. Sua prática era geral e disseminada.

Com os romanos a crucificação assumiu novas formas, que aumentaram o sofrimento e a humilhação. Os historiadores creditam aos romanos a primeira crucificação em uma cruz de fato.

Os romanos sabiam exatamente o que estavam fazendo e se tornaram mestre na arte da crucificação. Não a inventaram mas a dominaram, pois redesenharam o método fazendo vários ajustes para aumentar a dor, potencializar e estender o sofrimento.

Os romanos introduziram dois tipos de cruz. Uma em forma da letra grega Tau, a qual se acredita que tenha sido usada na crucificação de Jesus. Outra em forma da letra minúscula “t” latina.

cruz_de_Tau

cruz_latina

A cruz consiste de duas vigas de madeira. Uma vertical chamada Poste ou Estaca. Estas consistiam em postes já fixados. Outra horizontal, a viga transversa ou Patibulum. Esta última, o Patibulum, de fato teria sido o que Jesus teria carregado até o Gólgota e não uma cruz inteira, feita de um único bloco de madeira, como comumente é mostrado nas ilustrações religiosas.

Considera-se que a cruz em Tau foi a mais frequentemente usada pelos romanos. O topo da estaca ficava ao alcance dos braços dos soldados. O Patibulum, a viga horizontal era alçada e encaixada no topo da estaca, formando um T.

A cruz latina está tradicionalmente ligada à crucificação de Jesus. No entanto, historiadores afirmam que não foi nesse tipo de cruz que ele teria sido executado.

O problema com a cruz latina é que a estrutura inteira teria que ser levantada com a vítima já amarrada e/ou pregada. E só depois disso a cruz inteira ainda teria que ser fixada num buraco no solo. Seu uso era muitíssimo menos frequente do que a cruz em Tau e seu mecanismo pouco tinha a ver com a conhecida eficiência romana.

Os romanos costumavam crucificar cidadãos não-romanos que ameaçavam a paz, escravos desobedientes, desordeiros de todas as espécies e os rebeldes. A tendência era que o criminoso que merecia esse tipo de execução fosse um inimigo do Estado. Em geral ninguém era crucificado por roubar um filão de pão, mas por crimes bem maiores.

A exibição da crucificação era a exibição do poder romano.

Spartacus Uma das mais conhecidas estórias de múltiplas crucificações de seu em 71 a.C., quando um ex-gladiador chamado Spartacus liderou um exército de 120.000 escravos revoltosos contra Roma.

Spartacus expôs os romanos a uma série de derrotas humilhantes.

Quando os romanos finalmente derrotaram o exército de Spartacus, 6.000 rebeldes foram crucificados ao longo da Via Ápia. Seus corpos formaram uma linha de 200 quilômetros de comprimento, de Cápua até Roma.

Chega o primeiro século d.C. e Roma ocupou a Judéia. A crucificação era muitíssimo comum. E as legiões romanas estavam muito bem preparadas, equipadas e treinadas para esse tipo de punição. A intensificação e prolongamento do sofrimento da vítima foram conseguidos pelos romanos com a adição do açoite pelo Flagrum e pelo método de prender a vítima às vigas através dos pregos nos pulsos e nos calcanhares.

Ao contrário do que muitos pensam, as mulheres também não eram poupadas desse tipo de punição.

No ano 4 d.C., depois da morte de Herodes O Grande, os cidadãos da Judéia se revoltaram contra o julgo romano. As legiões romanas marcharam pela Judéia para esmagar a revolta. Cidades foram arrasadas. Judeus foram vendidos como escravos. Cerca de 2.000 revoltosos foram crucificados.

Chega o ano 33 d.C. e já havia na Judéia uma longa estória de crucificação de supostos profetas e pretendentes a Messias. A mais conhecida crucificação desse tipo nós conhecemos. Mas estaria longe de ser a última…


Não é de hoje que os relatos de abuso sexual com envolvimento da igreja católica deixaram de ser novidade.

Recentemente Bento XVI está sendo acusado pela imprensa alemã de ter permitido que um padre acusado de pedofilia continuasse à frente do trabalho pastoral em Munique.

Diablo Bem, segundo Gabriele Amorth, exorcista-chefe da igreja católica, nada disso parece ser culpa da igreja ou do Vaticano. Em entrevista a um jornal italiano, Gabriele disse que o “Diabo” está no Vaticano. Isso explicaria todos os casos de pedofilia na igreja, além de explicar também o recente ataque ao Papa na noite de natal, assim como também esclarecer de forma definitiva que Adolf Hitler e os nazistas teriam sido possuídos pelo demônio.

Enfim, segundo o exorcista-chefe da igreja-católica, os escândalos de abuso sexual seriam a prova definitiva da influência maléfica do diabo na Santa Sé.

Apesar da tentação, resolvi não expor aqui o que penso sobre o assunto. Ao invés disso concluí ser mais importante esclarecer historicamente, a qualquer leitor interessado ou curioso, um pouco sobre a criação dessa personagem conhecida como “Diabo”, de forma muito resumida, por parte da mesma instituição que hoje o exorciza mundo a fora…

Originalmente, “satã” (com “s” minúsculo) era uma função.

Mais adiante, já com o sentido devidamente alterado ou manipulado, “Satã” (com “S” maiúsculo) passa a ser uma entidade.

O termo “satã”, que em hebreu significa originalmente “acusador”, e que também passou a ser aceito mais tarde como “adversário”, aparece inúmeras vezes no antigo testamento.

No contexto original do antigo testamento, jamais significou algo de natureza maligna, até mesmo porque, para os judeus, Deus ou YAVEH sempre representou o poder total, sem contestação de qualquer outra força antagônica de natureza maligna.

É fundamental esclarecer que, em seu contexto original, no antigo testamento, o satã, ou o acusador, desempenhava claramente o papel de “promotor”. Em nenhum momento o acusador encarnaria o mal, conforme o texto a seguir:

“O profeta Zacarias viu Josué, o sumo sacerdote de pé diante do Anjo do Senhor e o satã estava à sua direita para acusá-lo”.

Numa outra passagem, no Livro de Jó, os filhos de Deus comparecem à audiência do Senhor, tendo o satã entre eles. O acusador, ou o satã, relata ao Senhor que percorre a Terra para observar os homens, anotar os maus comportamentos e prestar conta disso a Ele, o Senhor. O satã chega a demonstrar ceticismo quando Deus elogia as virtudes de Jó e o Criador o desafia (desafia o acusador, o satã) a impor infortúnios a Jó a fim de comprovar que este se manterá íntegro e correto. Nesse caso pode-se verificar que o satã não é de nenhuma forma responsável pelas ações de Jó. E, ainda como um bom promotor, chega a afirmar que a virtude de Jó é tributária das graças que este teria recebido de Deus.

Mas o que houve então? Quando satã com “s” minúsculo deixou de ser uma função, um cargo, para se tornar um nome próprio com “S” maiúsculo? Quando o “acusador”, o “promotor”, passou a ser o “adversário” de Deus?

Isso ocorreu num texto das “Crônicas” que, retomando uma passagem do Livro de Samuel (“A cólera do Senhor se inflamou contra Israel e incitou Davi a organizar um recenseamento”), o traduziu da seguinte forma: “Satã se levantou contra Israel e incitou Davi a fazer um recenseamento”.

Simples não? O autor das “Crônicas” – séculos IV e III a.C. – julgou ser impossível atribuir a Deus uma ação “má”. Como consequência desse “julgamento” do tradutor, acabou por personificar todas as forças do mal, hostis e antagônicas a Deus, nessa nova personagem por ele criada: Satã.

Com isso, na literatura inter-testamental, composta pelos textos redigidos entre o Antigo e o Novo Testamento, Satã passa a ocupar um lugar crescentemente importante. Passa a ser apresentado como “anjo caído”, expulso do Jardim do Éden, e também é associado à serpente que teria tentado Adão e Eva.

O documento “A Regra da Comunidade”, um dos primeiros manuscritos de Qumram descobertos em 1947, explica que Deus teria criado dois espíritos, o da Luz e o das Trevas. Nota-se já a existência da “dualidade”, inexistente antes nas bases hebraicas.

Já no Novo Testamento, seus autores evocam Satã com frequência através de uma outra tradução, desta vez em grego, “diablos”, que vem a significar “divisor”. São inúmeros as passagens e os exemplos disso, sendo que talvez o mais famoso seja a passagem onde Satã tenta Jesus no deserto, sendo Satã o “adversário” do Reino de Deus.

O Apocalipse já passa a retratar uma luta entre o Diabo (já conhecido como Satã) e a igreja. O autor do Apocalipse, atribuído a João, intensificar ainda mais a personificação do mal em Satã atribuindo-lhe outros vários nomes, tais como: Demônio, Serpente Primitiva, Anjo do Abismo, “Abbadon” ou “Appollyon” (“Destruidor” em hebreu e em grego), e “A Besta”.

Nessa fase Satã já é conhecido oficialmente como inimigo de Deus por excelência, mas ainda sem ser “igual” de Deus.

Foi somente na Idade Média que Satã passou a ocupar um lugar de destaque no cristianismo:

De simples adversário mais fraco tornou-se força igual e oposta a Deus. O “mal” foi promovido e ganhou novos nomes: Lúcifer, Belzebu e Mefistóteles. É transformado no soberano do inferno, onde passa também a comandar grandes exércitos de demônios (seus clones). Ganha também um aspecto monstruoso, com o corpo formado por parte de feras malignas – reais (serpente e morcego) e imaginárias (dragão). Mas não é tudo. Não contente ainda, a igreja também passou a lhe oferecer a característica e capacidade de assumir todas as aparências necessárias para tentar os mortais.

Hoje em dia, a própria igreja se glorifica de ter um “exorcista-chefe” e de ter exorcizado mais de 70.000 pessoas de uma personagem que ela mesmo criou. Como isso é possível? Por incrível que pareça é simples: basta continuarmos separando a fé da razão, taxando a razão como nossa inimiga e a fé como nossa amiga salvadora e, com isso, eliminando gradualmente o hábito de pensar e pesquisar as origens de tudo aquilo que acreditamos hoje em dia.

Você acredita no Diabo? Bem feito. A culpa é toda sua. Quem mandou não pesquisar?

Roni Adame