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BigBangA mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos. Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus. Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

No último dia 06, “Dia de Reis” (ainda sobre os reis magos, sugiro a leitura do post Natal – Um pouco mais sobre os magos… ), o Papa Bento XVI disse a 10 mil fiéis, na basílica de São Pedro, que Deus é o responsável pelo Big Bang, conforme suas palavras destacadas acima.

Podemos colocar as coisas em seus devidos lugares? Creio que sim. Para isso vamos analisar por partes as palavras de Bento XVI.

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang (…)

Eu diria que, apesar das evidências a respeito do Big Bang, o Papa, ou a Igreja, ambos talvez tenham se precipitado. Me pareceu um ato meio “desesperado”, onde ambos tenham se arriscado desnecessariamente.

A ciência é incompleta e inacabada por natureza e está sempre revendo a si mesma. Sabemos muito pouco sobre o Big Bang, apesar de já termos avançado muito. Ao meu ver, existe uma enorme probabilidade de ainda mudarmos nossa visão sobre a relação entre a origem do universo e o Big Bang, apesar de ser muito improvável que ambas as coisas se desvinculem.

Ao atribuir a Deus a teoria do Big Bang, e, ao fazê-lo tão rapidamente, a Igreja pode vir a se arrepender. Um risco desnecessário., visto que a Igreja não deveria estar se preocupando com as últimas descobertas científicas. Não é o papel dela. Não é pra isso que as pessoas se filiam a ela.

(…) os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso.

Particularmente duvido muito que os cristãos estejam se preocupando com a origem do universo. Em relação ao que buscam os fiéis, que importa o que houve há 13,7 bilhões de anos? Que importa por que o universo teria sido criado? Os fiéis de hoje em dia são, em sua grande maioria, muito práticos. O que importa é o que foi prometido a eles em vida, e, principalmente, após a morte, ao terem se tornado cristãos.

O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos.

Se a ciência acreditasse em acaso ela simplesmente não existira. É justamente o contrário. A ciência investiga precisamente motivada pelo fato de que tudo teve, tem e terá suas causas. Se não fosse assim nem mesmo os conceitos de aprendizado e conhecimento seriam possíveis.

Os pesquisadores do CERN, em Genebra, ao estudar, entre outras coisas, propriedades mais específicas a respeito do Big Bang,, não reuniram pesquisadores de vários países com o intuito de divulgar a idéia de que o universo surgiu por acaso. Eles realmente não se importam com o que acreditamos sobre isso. O intuito é conseguir descrever o funcionamento das coisas, as leis de causa e efeito. E, sobre o Big Bang, não seria diferente.

FilamentosContemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus.

De fato, ao contemplar o universo, é praticamente impossível não pensarmos sobre Deus. São inúmeras as questões sobre isso. A função do Papa é vincular a Deus tudo o que podemos contemplar. Nós, pessoas comuns, livres pensadores, não podemos negar esse vínculo entre o universo visível e um Deus criador. Não temos evidência alguma que negue essa natureza do universo.

Mas o inverso é verdadeiro. Não temos qualquer evidência de que esse vínculo exista. Dessa forma, é um prazer conseguir conviver muito bem com a dúvida e continuar observando e perguntando, ao invés de precisar de certezas e atribuir a um ser sobrenatural todas as perguntas as quais ainda não sabemos as respostas.

Agora, uma pequena curiosidade. Bento XVI afirmou que, ao contemplarmos o universo, enxergamos a criatividade inesgotável de Deus. Bem, talvez ele tenha se esquecido do enigma da energia escura, a qual, ao que parece, vai acabar de vez com a tal inesgotabilidade criativa de Deus.

Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

Mais uma vez sou obrigado a concordar com Bento XVI sobre isso. Mas permita-me uma correção: não são apenas algumas teorias científicas que são limitadas. São todas elas! Volto a dizer: a ciência é uma prática, uma atitude, cujas ferramentas de pesquisa, assim como seus resultados, serão sempre limitadas e incompletas, visto que, nós, a raça humana, aquelas que fazem a ciência acontecer na prática, mesmo que possamos evoluir para sempre, sempre seremos limitados frente à proporção e complexidade do universo em que vivemos e desejamos conhecer.

Fico pensando se, ao fazer essa afirmação lógica sobre a ciência, Bento XVI estaria tentando dizer que ele, ou a Igreja, tem a tal explicação para a realidade última. Mas, se tem, por que então teriam atribuído a Deus uma teoria tão limitada como o Big Bang? Minha mente naturalmente limitada não é capaz de compreender tais contradições divinas.

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plutao_caronteTodos os que puderam ir na escola aprenderam que nosso sistema solar tinha 9 planetas. Mas por acaso algum professor chegou a dizer que, antes de 2005, não havia ainda uma definição sobre o que era um planeta?

Foi devido a um achado do pesquisador do CALLTECH (Instituto de Tecnologia da Califórnia), Mike Brown, que a União Astronômica Internacional se viu forçada a estabelecer a definição de PLANETA.

O achado determinante foi a descoberta de ÉRIS, o primeiro objeto, além da órbita de Netuno, mais precisamente no CINTURÃO DE KUIPER, com dimensões maiores que as de Plutão, até então conhecido como o menor planeta de nosso sistema solar.

Com isso, em 2006, um astro morre e outro nasce. Morre Plutão, oficialmente rebaixado e nasce Mike Brown, escolhido pela revista TIME umas das 100 pessoas mais influentes daquele ano.

Plutão assassinado? Chega a ser ridícula essa dramatização por parte de alguns. Plutão apenas foi devidamente colocado em seu lugar.

Outra coisa que temos que nos perguntar: fora do meio científico, alguém realmente se preocupa com o que Plutão é de fato? Tenho quase certeza que nossos livros estudantis poderiam continuar afirmando por muitos anos que Plutão é o nono planeta do sistema solar sem qualquer incômodo por parte de nossa população.

Mas então por que estou falando sobre o rebaixamento de Plutão? Apenas porque ele foi a vítima de um bom exemplo.

Mesmo no meio científico, quando uma informação anterior é substituída por uma mais adequada à realidade, há muita resistência. Justamente onde não deveria haver nenhuma. Imagine qual a intensidade do nosso grau de resistência aqui fora do meio científico, em nossas casas, famílias, centros educacionais e organizações religiosas.

Nossa única forma de “evolução positiva” (transformação e adaptação que garanta nossa continuidade e melhoria, assim como a do planeta como um todo) está estreitamente ligada à nossa capacidade de melhorar nossa observação, percepção e compreensão da realidade (na qual estamos incluídos individual e coletivamente), de reconhecer informações, valores e conceitos falhos em relação à constatação de novos fatos e do quanto somos realmente capazes de substituí-los individual e coletivamente no meio em que vivemos.

Muitos fatores podem nos destruir. Fenômenos naturais e astronômicos de dimensões muito além da nossa capacidade de adaptação podem nos destruir a qualquer momento. Sem a flexibilidade de substituir paradigmas rigidamente estabelecidos por paradigmas flexíveis e temporais, jamais conseguiremos dar o próximo passo em relação à nossa melhoria e continuidade. Por isso o “assassinato” de Plutão é um ótimo exemplo. Quantas coisas, as quais na verdade não tem nenhum vínculo com a realidade estamos deixando de “assassinar” (substituir) em nós mesmos ou em nossa cultura apenas pela capacidade que as mesmas tem em preencher nossas carências?

Para concluir, voltando especificamente ao rebaixamento de Plutão, não devemos esquecer que ainda estamos conhecendo nosso sistema solar, a galáxia e o espaço profundo ao nosso redor. Além do sistema solar, neste momento, mesmo sem a capacidade de observá-los diretamente, conhecemos a existência de 505 objetos que definimos atualmente como PLANETAS. Ainda gatinhamos nesse sentido. Portanto, tendo em vista as incontáveis coisas estranhas e desconhecidas com as quais acredito que ainda iremos nos deparar universo à fora, tanto a definição de PLANETA como todas as demais estão seriamente ameaçadas pela verdade, desde que esta continue sendo nosso objeto de desejo e motivação.

 


Combustivel_FossilA conferência sobre mudanças climáticas em Cancún, concluída neste sábado, superou as baixas expectativas e se tornou um "sucesso surpreendente", segundo análise da revista The Economist.

Sucesso surpreendente? Podemos então ficar tranquilos e felizes? Nosso planeta está a salvo? Vamos tentar entender melhor o que a revista The Economist está tentando nos dizer.

A revista diz que os acordos não-vinculantes assinados em Cancún trazem "avanços", ainda que “modestos”. Modestos? Dispomos de tempo para modéstia quando se trata da utilização de combustíveis fósseis?

A revista também disse que classificou Cancún como um sucesso devido às baixas expectativas geradas pelo fracasso de Copenhague em 2009. Então… O que isso quer dizer?

Por fim a revista conclui dizendo que os resultados de Cancún não são nem extraordinários e nem mesmo suficiente para a redução do aquecimento global, não passando de um “início de mudança”.

Oras, afinal, como a COP-16 pode ter sido um sucesso se, na prática, não foi suficiente para redução do aquecimento global? (Clique aqui para saber quais as medidas adotadas na COP-16)

Para entendermos um pouco melhor de com o que estamos lidando, os poucos leitores deste blog podem acessar a página Protocolo de Kyoto.

Emissoes

Curiosidade…

Os países chamado “emergentes” estão isento de reduções. Estão entre eles a China, o Brasil e a Índia. E o mais curioso: a China atualmente se tornou o maior poluidor mundial. Alguém por favor me explique: Como pretendem salvar o planeta isentando de reduções o maior poluidor mundial?

O segundo maior poluidor mundial, os Estados Unidos, nunca chegou a ratificar o Protocolo de Kyoto. Como pretendem salvar o planeta isentando de reduções o primeiro e o segundo maiores poluidores mundiais?

Na prática…

É impressionante como é possível constatar que a grande maioria dos países envolvidos no problema da emissão de poluentes não possuem nem capacidade nem mesmo vontade de sair do problema. E um dos grandes problemas disso é que nenhum deles ainda consegue ver a si mesmo afetado pelo problema.

Outro fator que impressiona e assusta que é que tratar de percentuais de reduções na emissão dos poluentes nunca irá resolver coisa alguma e muito menos salvar o planeta de grandes danos. Isso poderia no máximo, retardar uma crise mundial de enormes proporções.

Mas esse quadro de crise mundial será mesmo retardado? Seria retardado se hoje 40% das emissões já tivessem sido cortadas tendo como base o ano de 1990. Mas nem mesmo 5% foi cortado. E, seguindo as tendências atuais, 40% de redução jamais será conseguido.

Atrasar o problema e deixá-lo para gerações futuras é uma coisa. Resolvê-lo é outra bem diferente. Por enquanto a única coisa que estamos fazendo é a segunda opção: deixá-lo para as gerações futuras. Mas e resolvê-lo? Seríamos capazes?

A única forma de resolver o problema é a mudança de paradigma. Neste caso em específico, trata-se da mudança total das matrizes energéticas e da mentalidade de produção e consumo. Esquecer completamente os combustíveis fósseis e passar a utilizar as fontes de energias limpas, tais como a energia solar, o vento e o hidrogênio. Seremos capazes disso? Continuaremos a classificar tudo isso como sendo “trabalhoso demais”?

A perspectiva não é nada boa. Kyoto e COP-16 não passam de ilusão. E nós por aqui, ao mesmo tempo que sabemos que continuar utilizando combustíveis fósseis, mesmo que em escala reduzida, é o mesmo que assassinar milhões de formas de vida hoje e amanhã, estamos “orgulhosos” com a descoberta do Pré-Sal.

Infelizmente quaisquer que sejam os discursos política e ambientalmente corretos, quase todos continuam sendo facilmente destruídos pelo brilho nos olhos que surge com o termo “barril de petróleo”.


AlienBacteriaFoi um marketing e tanto. A NASA conseguiu criar uma intensa expectativa nos meios jornalísticos e científicos.

A princípio falou-se que a agência espacial americana teria feito uma nova descoberta sobre evidência de vida extraterrestre. Mas logo as coisas foram ficando mais claras:

Uma descoberta das astrobiologia que terá impacto na busca de vida fora da Terra.

Qual seria a descoberta? Uma bactéria. Onde? Aqui mesmo, em nosso planeta, mais precisamente num lago da Califórnia.

Mas então, por que o alarde? Por que tanto marketing sobre algo contra o qual lutamos diariamente ao comprar amoxicilina sem receita médica? E o que uma bactéria encontrada num lago da Califórnia teria a ver com extraterrestres verdinhos?

Forma de Vida Desconhecida

A bactéria encontrada no lago da Califórnia indica a existência de uma forma de vida até então desconhecida. Ou seja, vida que, para nós, não poderia ser vida.

Até o momento acreditava-se que todas as formas de vida terrestres processavam apenas os elementos a seguir: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. A bactéria encontrada substitui o fósforo pelo venenoso arsênio, que, em tese, não deveria fazer parte da química da vida como a conhecemos.

Em relação ao que entendíamos por vida (vale lembrar que ainda não chegamos a um consenso sobre esse conceito), surge então a primeira exceção à regra. Se não havíamos definido vida ainda de forma definitiva, essa definição agora, momentaneamente, fica mais difícil.

AstrobiologiaA astrobiologia, ou “exobiologia”, que estuda a origem, evolução, distribuição e o futuro da vida no universo – isso inclui a nós – dá um passo a mais para o aumento da possibilidade de encontrar vida fora da Terra.

O que procurar?

Temos hoje vários desafios que a astrobiologia precisa superar. Um dos principais é justamente saber o que procurar no espaço. Como assim saber o que procurar? Vida é claro! Mas a pergunta que vem a seguir é: que tipo de vida?

Iniciamos nossas buscas procurando sinais de existência de vida semelhante à nossa. E isso não poderia ser diferente pois a vida terrestre, baseada até hoje naqueles seis elementos principais citados anteriormente, é a única que conhecemos e o único referencial de análise e comparação que conhecíamos.

Aí é que entra a importância da descoberta dessa nova forma de vida aqui mesmo na Terra. Com isso percebemos que ainda há muito a descobrir sobre a biosfera oculta em nosso planeta. A vida parece ter se originado não de uma única forma e sim de muitas maneiras diferentes, seguindo trilhas independentes.

Quanto mais abrirmos os olhos para os diferentes arranjos que a vida adotou mais chances teremos também de conseguir identificar evidências de formas de vida extraterrestres quando elas passarem diante de nossos olhos nos exoplanetas já descobertos e ainda por descobrir, além de melhorarmos nossa compreensão de onde realmente viemos.

 


BentoXVIBento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".

Quem diria? O representante de Cristo na Terra pode se equivocar. Particularmente considero essa declaração um salto quântico na humanização da Igreja.

O uso da camisinha, sempre historicamente condenado pela igreja, agora passa a ser aceito em “alguns casos”. O que houve? Por que a mudança de postura?

Nesse caso sou obrigado a questionar… Se o Papa é o Cristo na Terra, quem é que muda de opinião? O Papa ou o próprio Cristo? A moral de Deus seria então relativa e passível de mudanças ao longo do tempo?

Por outro lado, o Papa está entrando em conflito com uma resolução da Igreja, oficializada no Concílio Vaticano I: a infalibilidade do Papa.

A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), está sempre correto. Isto porque acredita-se que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. Mais informações: Wikipédia.

E então? Afinal, o Papa é ou não infalível?

UltimoLivroPapaEm seu novo livro, Light of the World: The Pope, The Church and The Signs Of The Times (cujo título poderia ser um pouco mais humilde), essa pergunta é respondida da seguinte forma:

O conceito da infalibilidade do Papa foi desenvolvido ao longo dos séculos. Sob certas condições e circunstâncias. O Papa pode tomar decisões vinculadoras através das quais fica claro o que é ou não fé. Isto não quer dizer que tudo o diz que é infalível.

Mais trechos do livro “A Luz no Mundo” podem ser lidas aqui.

Para justificar a posição polêmica em que o Papa colocou o Vaticano, este justificou a declaração do Papa da seguinte forma:

O uso da camisinha é um pecado menor do que a transmissão do vírus da Aids.

Infelizmente o vaticano tentou adaptar as palavras do Papa insistindo em manter o uso da camisinha dentro do rol dos pecados. Ou seja, já que você vai pecar, então cometa o pecado mais leve. A multa é menor.

Eliminando qualquer possibilidade do Papa ter contrariado a igreja, ou ainda do Papa ser falível, Dom Odio Scherer, Arcebispo de São Paulo, disse o seguinte:

Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade.

Enfim, nem mesmo quando o próprio Papa admite cometer erros, seus “subordinados”, nos diferentes níveis, não aceitam isso e tratam logo de “adaptar” suas palavras. Isso tem suas razões para acontecer mas aí a discussão vai muito longe.

Bem, para dar mais subsídios aos poucos leitores deste blog, a respeito da infalibilidade de um Papa, resolvi relatar alguns fatos históricos sobre o papado numa página deste blog, de modo com que cada um possa tirar suas próprias conclusões sobre essa questão.

Os fatos históricos sobre o papado estão relatados na página Papa – Um Pouco de História. A quem se interessar, eu peço que só leia se tiver um bom estômago. Boa leitura.


Lula_AhmadinejadDeclaramos oficialmente nas Organizações das Nações Unidas que não nos preocupamos com apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos.

Não era novidade. Mas agora é oficial: o Brasil se absteve de votar na ONU uma resolução sobre as violações aos direitos humanos no Irã.

SakinehSakineh Mohammadi, presa no Irã desde 2006 por ter sido acusada de manter relações sexuais com dois homens após o assassinato do marido. foi condenada a 99 chicotadas na frente de seu filho e depois condenada à morte por apedrejamento ou lapidação. Mas agora eu e você, brasileiros, não nos importamos com esse tipo de coisa.

Além disso, eu e você, brasileiros, estamos deixando bem claro ao mundo todo que não nos importamos com a tortura, com a alta incidência de aplicações de pena de morte, com a violência contra a mulher e nem mesmo com a perseguição a minorias étnicas.

Não se esqueça disso quando estiver viajando por qualquer um dos 80 países que votaram e aprovaram a resolução na ONU.

AhmadinejadTalvez, com isso, a partir de agora, tanto o Irã quantos os demais países que costumam praticar normalmente apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos, todos eles possam ter mais um ótimo argumento para perpetuarem tais práticas:

Se Deus é brasileiro e o Brasil nos defendeu na ONU, “Ele” está dizendo que estamos no caminho certo…


CHILE-MINAO mundo todo torceu para o bem-sucedido resgate aos que ficaram conhecidos como “Los Mineros de Chile”. Sem dúvida um momento histórico. Mas o que esse momento nos diz?

Primeiramente parabéns ao presidente chileno, Sr. Sebastian Piñera, pelo modo com que conduziu a operação de resgate. Como um empresário muito bem sucedido, soube lidar com o fato de modo a prever suas consequências a curto, médio e longo prazos.

O presidente sabia que sua popularidade não estava nada bem. Sabia também que a empresa mineradora, a San Esteban, estava praticamente falida, com vários de seus 300 funcionários sem receber havia tempos e sabia que o mundo estava de olho nos mineiros soterrados.

Baixa popularidade? Talvez os mineiros soterrados fossem sua melhor chance de reverter esse quadro durante todo seu governo. Mas, para isso, não poderiam haver falhas. Tudo teria quer ser perfeito, independente de quanto custasse.

A quem recorrer então? À própria empresa mineradora? Nem pensar. Ela não teve recursos nem mesmo para escavar outras entradas e saídas para a mina de cobre onde os mineiros estavam trabalhando quando foram soterrados – uma mina, seja ela de cobrem de ouro ou de gás, não poderia jamais ter apenas uma única entrada e uma única saída.

O custo total da operação de resgate chegou próximo aos 30 milhões de dólares. Se dependesse da San Esteban os mineiros já estavam mortos. Piñera sabia disso.

O presidente teria que recorrer então ao histórico desse tipo de desastre. E o mundo estava cheio deles. Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia adotada para salvar os mineiros não era nenhuma novidade e já havia sido usada em outras partes do mundo.

NASA_0Mas quem dominava a tecnologia? Quem possuía a experiência de tentar resolver grandes problemas ocorridos em espaços físicos muito pequenos? Quem assistiu Armagedon e Apollo XIII sabe a resposta: NASA.

A agora famosa cápsula usada no resgate, a Fênix II, é resultado de um projeto do engenheiro da NASA Clinton Cragg. A NASA também disponibilizou para o Chile uma equipe de 20 pessoas, dentre eles médicos, psicólogos e nutricionistas.

Milagre? Apesar dos mineiros, e de uma grande parte dos chilenos, acreditarem fervorosamente que sim, a resposta é não. Tratou-se de uma aliança estratégica entre a rapidez administrativa e política do presidente Piñera e o conhecimento e a experiência da equipe mais preparada para uma situação como essa.

O que poderíamos esperar dos mineiros? Que eles entendessem a importância de uma equipe como a da NASA? Seria esperar um pouco demais de uma cultura extremamente hierarquizada, muito mais do que no Brasil, onde o papel do pai é venerado, e ao mesmo tempo intensamente religiosa no que concerne ao cristianismo, mais um presentinho da colonização.

mineiros-milagresPara muitos chilenos, o fato de ser 33 o número de chilenos soterrados, ligado ao dogma cristão de ser 33 a idade em que Jesus teria morrido – apesar dos cristãos propositalmente ignorarem o fato, sabe-se que Jesus não tinha 33 anos quando foi crucificado – , foi mais que suficiente para trazer à tona uma religiosidade acima da considerada normal.

Mas voltando à realidade da qual muitos tentam usar a religião para fugir, o fato é que não se tratam de 33 mineiros. A empresa San Esteban possui cerca de 300 mineiros trabalhando em situações precárias e muito semelhantes às dos mineiros resgatados. O descaso com esse tipo de atividade estava presente no Chile quando tudo aconteceu. E não se trata de algo recente.

Logo no dia seguinte ao resgate um mineiro morreu soterrado em Val Paraíso. Esse homem não teve nem sequer 1% da atenção que os 33 tiveram. Por que? Por acaso as péssimas condições de trabalho e o descaso com a segurança da mineração foram resolvidos no Chile?

Bem, o Chile fez o dever de casa:

  • Seus novos heróis todos salvos. Com todas as devidas “homenagens” (1 IPod para cara um? Ora Sr. Jobs, não serve nem pra usar como telefone caso algum deles fique soterrado novamente);
  • Piñera reverteu extremamente seu problema de popularidade;
  • Chile deu o exemplo ao resto do mundo.

 

Basta saber o que acontecerá com os heróis quando a fama acabar rapidamente e tiverem que voltar ao trabalho…

Mas e quanto à atividade de mineração no resto do mundo?

Infelizmente a situação piora. Sem entrar em detalhes, vale a pena mencionar a realidade chinesa. A propósito, fica fácil de entender porque a China foi a única grande nação a não transmitir a operação de resgate chilena (em conjunto com os EUA é claro).

Enquanto escrevo este post a China anuncia que são escassas as chances de encontrar 11 mineiros presos numa mina de carvão na província central de Henan. Como se não bastasse, ano passado foram 2.631 mineiros mortos em toda a China. Como já conhecemos a fama chinesa, fica fácil concluir que esse número não seria o real.

O que fazer então?

Minas_JohannesburgCaso as nações e as empresas de mineração quisessem utilizar o caso recente dos “33 heróis do Chile” como um marco para uma mudança de conscientização desse segmento de trabalho, existe ao menos um referencial a ser seguido: trata-se de uma mina de ouro subterrânea, localizada na área de Witwatersrand, em Johannesburg, onde os trabalhadores trabalham em total segurança em profundidades de até 4 quilômetros, perfurando novos túneis até aproximadamente 8 quilômetros (para saber mais, clique aqui).

Como em vários outros segmentos, falta apenas vontade administrativa, política e financeira para investir em segurança, em proteção da vida. Mas esse “apenas” é mais complexo do que aparenta. Infelizmente a proteção da vida, não apenas a vida humana, é uma das consequências de uma série de processos e valores que ainda não conhecemos na teoria e não vivenciamos na prática. É mais um item pertencente à nossa continuidade incerta.