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Category Archives: Reflexão


SingularityUniversityPatrocinada pelo Google e pela NASA, a Singularity University realizará seu primeiro curso fora dos EUA. Mais precisamente, em São Paulo!

Confesso que, ao ouvir a frase “O melhor da humanidade ainda está por vir”, dita por Rodrigo Furlan, analista financeiro e aluno da Singularity University, fui pego de surpresa. Da limitada perspectiva de onde me encontro, acabo deduzindo que a humanidade não caminha para seu melhor. Portanto, ao ouvir uma idéia que contradiz totalmente o que estou vendo, acho melhor parar e prestar atenção.

A Singularity University é um projeto futurístico de universidade, onde, entre os professores, estão astronautas, biotecnólgos, especialistas em nanotecnologia e robótica. O objetivo, muito resumidamente, é buscar soluções inovadoras para problemas sérios, como a mudança climática, a fome e a democratização do conhecimento.

Soluções inovadoras são mesmo mais que necessárias. Ainda enfrentamos problemas básicos para solucionar a demanda por necessidades básicas, tais como habitação, vestuário, alimentação e trabalho, as quais são responsáveis pela imensa maioria de nossos problemas no dia-a-dia.

Há centenas de anos vivemos correndo atrás do rabo. Estamos correndo, cada vez mais,  atrás dos mesmos problemas. E quanto mais fazemos isso mais problemas geramos. É claro. Um amigo me disse uma vez: os problemas não podem ser solucionados pela mesma mentalidade que os gerou.

Democratização do conhecimento, assim como as soluções inovadoras, é urgente! Nossa espécie precisa mudar sua maneira de agir no ecossistema onde vive. Não é mais aceitável que o conhecimento pertença a uma minoria e que a maioria não queira saber de nada, deixando para a minoria entender como as coisas são. A maioria burra, que só se importa com comer, beber e se emocionar, não tem mais espaço no futuro. Todos precisam subir de patamar e partilhar o conhecimento num nível muito semelhante.

Por essas razões resolvi chamar a atenção dos poucos leitores que passam por este blog para o projeto do Google eda NASA, pois ao meu ver, tem objetivos bem condizentes com a necessidade do planeta. A seguir destaco algumas informações e curiosidades mais específicas sobre a Singularity University.

Não há livros. O conteúdo das aulas é criando constantemente. O foco do ensino está totalmente no futuro, olhando e pensando periodicamente em que direção o mundo está indo.

A tecnologia se duplica a cada 18 a 30 meses. Um resultado muito impactante. O potencial ascendente da tecnologia é muito grande. Só que a maioria das pessoas pensam hoje de forma linear, enquanto a tecnologia é exponencial, criando um enorme vácuo. Os alunos são ensinados a pensar sobre isso.

TheSingularityUniversityIsNearSegundo um de seus fundadores, Ray Kurzweil, autor do livro The Singularity is Near,  a singularidade será o momento em que homem e máquina irão praticamente se fundir.

Ainda de acordo com Kurzweil, os saltos exponenciais existem muito antes do surgimento da humanidade. Ele destaca seis épocas onde ocorreram transformações determinantes:

1a Época: Surgimento das primeiras estruturas atômicas, baseadas nas leis da química e da física;

2a Época: Formação do DNA, onde as informações genéticas passaram a ser organizadas e replicadas;

3a Época: Surgimento do cérebro, onde as informações se tornaram mais complexas e o modelo mental passou a moldar o mundo;

4a Época: A quarta época seria a atual, começando com o aparecimento das máquinas, onde a tecnologia acelera a transformação do homem e da natureza;

5a Época: Singularidade. A fusão entre homem e máquina permitirá que a inteligência e a criatividade humana ultrapassem os limites do cérebro;

6a Época: Quando os padrões de energia e matéria serão substituídos por uma espécie de inteligência universal.

A Singularity University considera o Brasil um país importante para seus cursos. E o motivo é curioso e lamentavelmente verdadeiro. A população no Brasil é imensa. Se analisados os problemas que o país enfrenta (desmatamento, água potável, pobreza, saúde pública, educação), trata-se de um microcosmo perfeito dos problemas globais. Resolvendo-os no Brasil, os mesmos podem ser resolvidos em qualquer outro lugar.

Fica aqui a sugestão da reportagem completa no site da Globo News, programa Espaço Aberto Ciência e Tecnologia, onde será possível ao leitor conhecer o projeto de forma mais ampla e precisa.

Em meio a tantos desastres naturais e tantas mortes que poderiam ser evitadas caso nosso país não vivenciasse há anos uma mentalidade política e administrativa burra e inerte, Google e NASA estão com seus olhos anos-luz à nossa frente, talvez criando a possibilidade real da existência de vida inteligente no planeta Terra.


BigBangA mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos. Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus. Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

No último dia 06, “Dia de Reis” (ainda sobre os reis magos, sugiro a leitura do post Natal – Um pouco mais sobre os magos… ), o Papa Bento XVI disse a 10 mil fiéis, na basílica de São Pedro, que Deus é o responsável pelo Big Bang, conforme suas palavras destacadas acima.

Podemos colocar as coisas em seus devidos lugares? Creio que sim. Para isso vamos analisar por partes as palavras de Bento XVI.

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang (…)

Eu diria que, apesar das evidências a respeito do Big Bang, o Papa, ou a Igreja, ambos talvez tenham se precipitado. Me pareceu um ato meio “desesperado”, onde ambos tenham se arriscado desnecessariamente.

A ciência é incompleta e inacabada por natureza e está sempre revendo a si mesma. Sabemos muito pouco sobre o Big Bang, apesar de já termos avançado muito. Ao meu ver, existe uma enorme probabilidade de ainda mudarmos nossa visão sobre a relação entre a origem do universo e o Big Bang, apesar de ser muito improvável que ambas as coisas se desvinculem.

Ao atribuir a Deus a teoria do Big Bang, e, ao fazê-lo tão rapidamente, a Igreja pode vir a se arrepender. Um risco desnecessário., visto que a Igreja não deveria estar se preocupando com as últimas descobertas científicas. Não é o papel dela. Não é pra isso que as pessoas se filiam a ela.

(…) os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso.

Particularmente duvido muito que os cristãos estejam se preocupando com a origem do universo. Em relação ao que buscam os fiéis, que importa o que houve há 13,7 bilhões de anos? Que importa por que o universo teria sido criado? Os fiéis de hoje em dia são, em sua grande maioria, muito práticos. O que importa é o que foi prometido a eles em vida, e, principalmente, após a morte, ao terem se tornado cristãos.

O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos.

Se a ciência acreditasse em acaso ela simplesmente não existira. É justamente o contrário. A ciência investiga precisamente motivada pelo fato de que tudo teve, tem e terá suas causas. Se não fosse assim nem mesmo os conceitos de aprendizado e conhecimento seriam possíveis.

Os pesquisadores do CERN, em Genebra, ao estudar, entre outras coisas, propriedades mais específicas a respeito do Big Bang,, não reuniram pesquisadores de vários países com o intuito de divulgar a idéia de que o universo surgiu por acaso. Eles realmente não se importam com o que acreditamos sobre isso. O intuito é conseguir descrever o funcionamento das coisas, as leis de causa e efeito. E, sobre o Big Bang, não seria diferente.

FilamentosContemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus.

De fato, ao contemplar o universo, é praticamente impossível não pensarmos sobre Deus. São inúmeras as questões sobre isso. A função do Papa é vincular a Deus tudo o que podemos contemplar. Nós, pessoas comuns, livres pensadores, não podemos negar esse vínculo entre o universo visível e um Deus criador. Não temos evidência alguma que negue essa natureza do universo.

Mas o inverso é verdadeiro. Não temos qualquer evidência de que esse vínculo exista. Dessa forma, é um prazer conseguir conviver muito bem com a dúvida e continuar observando e perguntando, ao invés de precisar de certezas e atribuir a um ser sobrenatural todas as perguntas as quais ainda não sabemos as respostas.

Agora, uma pequena curiosidade. Bento XVI afirmou que, ao contemplarmos o universo, enxergamos a criatividade inesgotável de Deus. Bem, talvez ele tenha se esquecido do enigma da energia escura, a qual, ao que parece, vai acabar de vez com a tal inesgotabilidade criativa de Deus.

Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

Mais uma vez sou obrigado a concordar com Bento XVI sobre isso. Mas permita-me uma correção: não são apenas algumas teorias científicas que são limitadas. São todas elas! Volto a dizer: a ciência é uma prática, uma atitude, cujas ferramentas de pesquisa, assim como seus resultados, serão sempre limitadas e incompletas, visto que, nós, a raça humana, aquelas que fazem a ciência acontecer na prática, mesmo que possamos evoluir para sempre, sempre seremos limitados frente à proporção e complexidade do universo em que vivemos e desejamos conhecer.

Fico pensando se, ao fazer essa afirmação lógica sobre a ciência, Bento XVI estaria tentando dizer que ele, ou a Igreja, tem a tal explicação para a realidade última. Mas, se tem, por que então teriam atribuído a Deus uma teoria tão limitada como o Big Bang? Minha mente naturalmente limitada não é capaz de compreender tais contradições divinas.


Homem_VelhoO homem velho está sentado em meio às trevas, pensando nas suas amantes agora já mortas…

A noite havia caído, tão rápida, um pouco mais a cada dia…

Uma estrela pisca na distância, um outro mundo, tão distante. Será que ainda existe?

Ninguém sabe.

Vemos tão pouco. Sabemos tão pouco.

Será que elas ainda me amam? Ou será que viraram poeira, feito as estrelas?

E eu? Virarei anjo ou poeira?

Durante sua vida, buscou por certezas, por respostas aos grandes enigmas.

Primeiro, tentou a fé.

Depois, o conhecimento.

Com o passar do tempo, descobriu que não existem respostas simples, que não existe uma explicação final, coerente.

Entendeu que não existe um plano para a Criação.

Lutou contra isso, sem querer aceitar que o que podemos conhecer é limitado, que nunca saberemos tudo.

Sentiu-se pequeno e inútil.

Se não posso compreender o mundo, quem sou eu?

Sofreu durante muito tempo. Não sabia como abraçar a simplicidade do não saber.

Aos poucos, as coisas começaram a mudar.

A direção que antes levava a nada virou uma nova estrada.

Era bom não ser parte de um plano para o mundo. Pela primeira vez, o homem velho sentiu-se livre.

Podia sempre continuar a perguntar e a aprender sobre o mundo e sobre a si próprio.

Podia sempre amar e esperar que fosse amado.

Estar vivo e ser lembrado é o que importa.

Uma coruja piou na distância.

O homem velho sorriu e pegou o telefone. Para quem ligaria?


Bibliografia:

GLEISER, Marcelo. Criação Imperfeita.: Medo das Trevas II



plutao_caronteTodos os que puderam ir na escola aprenderam que nosso sistema solar tinha 9 planetas. Mas por acaso algum professor chegou a dizer que, antes de 2005, não havia ainda uma definição sobre o que era um planeta?

Foi devido a um achado do pesquisador do CALLTECH (Instituto de Tecnologia da Califórnia), Mike Brown, que a União Astronômica Internacional se viu forçada a estabelecer a definição de PLANETA.

O achado determinante foi a descoberta de ÉRIS, o primeiro objeto, além da órbita de Netuno, mais precisamente no CINTURÃO DE KUIPER, com dimensões maiores que as de Plutão, até então conhecido como o menor planeta de nosso sistema solar.

Com isso, em 2006, um astro morre e outro nasce. Morre Plutão, oficialmente rebaixado e nasce Mike Brown, escolhido pela revista TIME umas das 100 pessoas mais influentes daquele ano.

Plutão assassinado? Chega a ser ridícula essa dramatização por parte de alguns. Plutão apenas foi devidamente colocado em seu lugar.

Outra coisa que temos que nos perguntar: fora do meio científico, alguém realmente se preocupa com o que Plutão é de fato? Tenho quase certeza que nossos livros estudantis poderiam continuar afirmando por muitos anos que Plutão é o nono planeta do sistema solar sem qualquer incômodo por parte de nossa população.

Mas então por que estou falando sobre o rebaixamento de Plutão? Apenas porque ele foi a vítima de um bom exemplo.

Mesmo no meio científico, quando uma informação anterior é substituída por uma mais adequada à realidade, há muita resistência. Justamente onde não deveria haver nenhuma. Imagine qual a intensidade do nosso grau de resistência aqui fora do meio científico, em nossas casas, famílias, centros educacionais e organizações religiosas.

Nossa única forma de “evolução positiva” (transformação e adaptação que garanta nossa continuidade e melhoria, assim como a do planeta como um todo) está estreitamente ligada à nossa capacidade de melhorar nossa observação, percepção e compreensão da realidade (na qual estamos incluídos individual e coletivamente), de reconhecer informações, valores e conceitos falhos em relação à constatação de novos fatos e do quanto somos realmente capazes de substituí-los individual e coletivamente no meio em que vivemos.

Muitos fatores podem nos destruir. Fenômenos naturais e astronômicos de dimensões muito além da nossa capacidade de adaptação podem nos destruir a qualquer momento. Sem a flexibilidade de substituir paradigmas rigidamente estabelecidos por paradigmas flexíveis e temporais, jamais conseguiremos dar o próximo passo em relação à nossa melhoria e continuidade. Por isso o “assassinato” de Plutão é um ótimo exemplo. Quantas coisas, as quais na verdade não tem nenhum vínculo com a realidade estamos deixando de “assassinar” (substituir) em nós mesmos ou em nossa cultura apenas pela capacidade que as mesmas tem em preencher nossas carências?

Para concluir, voltando especificamente ao rebaixamento de Plutão, não devemos esquecer que ainda estamos conhecendo nosso sistema solar, a galáxia e o espaço profundo ao nosso redor. Além do sistema solar, neste momento, mesmo sem a capacidade de observá-los diretamente, conhecemos a existência de 505 objetos que definimos atualmente como PLANETAS. Ainda gatinhamos nesse sentido. Portanto, tendo em vista as incontáveis coisas estranhas e desconhecidas com as quais acredito que ainda iremos nos deparar universo à fora, tanto a definição de PLANETA como todas as demais estão seriamente ameaçadas pela verdade, desde que esta continue sendo nosso objeto de desejo e motivação.

 


Lula_AhmadinejadDeclaramos oficialmente nas Organizações das Nações Unidas que não nos preocupamos com apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos.

Não era novidade. Mas agora é oficial: o Brasil se absteve de votar na ONU uma resolução sobre as violações aos direitos humanos no Irã.

SakinehSakineh Mohammadi, presa no Irã desde 2006 por ter sido acusada de manter relações sexuais com dois homens após o assassinato do marido. foi condenada a 99 chicotadas na frente de seu filho e depois condenada à morte por apedrejamento ou lapidação. Mas agora eu e você, brasileiros, não nos importamos com esse tipo de coisa.

Além disso, eu e você, brasileiros, estamos deixando bem claro ao mundo todo que não nos importamos com a tortura, com a alta incidência de aplicações de pena de morte, com a violência contra a mulher e nem mesmo com a perseguição a minorias étnicas.

Não se esqueça disso quando estiver viajando por qualquer um dos 80 países que votaram e aprovaram a resolução na ONU.

AhmadinejadTalvez, com isso, a partir de agora, tanto o Irã quantos os demais países que costumam praticar normalmente apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos, todos eles possam ter mais um ótimo argumento para perpetuarem tais práticas:

Se Deus é brasileiro e o Brasil nos defendeu na ONU, “Ele” está dizendo que estamos no caminho certo…


Ser_Humano_AtualNão me lembro de uma eleição com tamanha influência religiosa como esta, o que me leva frequentemente a me perguntar se o Brasil é ou não de fato um país laico.

Se estamos num país laico, por que então um de nossos candidatos a presidente da república cedeu às pressões de grupos religiosos ao publicar uma carta aberta contendo as concessões morais, éticas e religiosas que resolveu fazer caso seja eleita?

Se a constituição oficializa o laicismo do Brasil, na prática estamos mudando essa característica, pois, pela primeira vez, cedemos a pressões religiosas deixando, com isso, a religião começar a influenciar de fato na maneira como o país será governado.

Estamos constatando um regresso, uma volta ao passado, escolhendo uma forma de pensar mais primitiva e em direção a revivermos o obscurantismo histórico pelo qual várias nações já passaram e outras continuam exercitando. Uma pena.

Sem dúvida, a liberdade, em todos os aspectos e segmentos que compõem tanto um indivíduo quanto uma sociedade, é o bem mais valioso que se pode alcançar. Mas esse bem valiosíssimo não se conquista facilmente pois, ao mesmo tempo que é algo a ser alcançado, é também consequência de investimentos prolongados em vários setores de uma sociedade.

Numa sociedade avançada e, por consequência, livre, são fatores essenciais dessa condição a liberdade religiosa e intelectual do indivíduo. Numa sociedade como essa, crer em algo preestabelecido é aceitável. A identificação individual com uma das religiões é totalmente aceitável. Já a imposição de uma identificação individual ou coletiva com um dos padrões religiosos existentes é totalmente inaceitável.

Uma sociedade avançada possui o conhecimento necessário dos processos vigentes responsáveis pelo bem-estar e melhoria da mesma, assim como o conhecimento dos processos históricos e culturais que os levaram a resolver de fato seus problemas básicos.

Com esse conhecimento conquistaram a capacidade de diferenciar, assim como de valorizar, os princípios e mecanismos que, na prática, geraram qualidade de vida de teorias e crenças que apenas os colocavam numa situação de dependência de poderes sobrenaturais teoricamente superiores.

Aprenderam que, na prática, tais poderes sobrenaturais teoricamente superiores, causavam apenas a segregação e a perda da noção do coletivo. Por isso respeitam entre si indivíduos com acreditam em coisas diferentes, pois não colocam qualquer crença num patamar mais importante do que suas conquistas reais.

Uma sociedade avançada, livre, e não perfeita, jamais voltará a abrir mão da sua total liberdade individual e coletiva de observar, analisar e questionar qualquer coisa à sua volta pois aprendeu que sem isso estarão condenados à estagnação e, com o tempo, ao desaparecimento.

Nunca antes na história deste país se pensou a médio e longo prazos. E continua não se pensando. Não há a menor evidência da formação e implantação de qualquer plano diferenciado de uma instrução adequada e diferenciada. E, para complementar, agora passa a existir a influência religiosa nas futuras formas de governo.

Ao contrário de uma sociedade livre, avançada, estamos invertendo as coisas ao dar mais prioridade a crenças do que a mecanismos e valores que na prática possam gerar conquistas reais. O caminho à nossa frente mostra-se muito perigoso e arriscado. Mas como olhar para frente e enxergar o resultado do que estamos plantando se não se pensa a médio e longo prazos?

Talvez uma das coisas mais duras de se constatar é que somos nós mesmos que queremos isso. Não sou cristão e muito menos religioso mas talvez aquela frase extremamente conhecida e amplamente divulgada até hoje nunca tenha feito tanto sentido: Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem.

Mas eis o problema: o universo parece não ouvir quem dele não se lembra…


Sugiro também a leitura do post Campanha OUT! no blog Visão Alienígena.



Como o objetivo deste blog é a reflexão, penso ser fundamental transmitir um pouco do modo de pensar de um dos cientistas que rodam o mundo buscando promover a mesma coisa. Com isso transcrevo em seguida a primeira parte da entrevista concebida por Richard Dawkins ao repórter Silio Bocanera na FLIP deste ano em Parati, transmitida posteriormente pelo programa Milênio, da Globo News, em duas partes. Boa leitura a todos.

O nome Richard Dawkins evoca dois outros ainda mais conhecidos: Deus e Charles Darwin, embora não necessariamente nessa ordem de importância para o cientista e escritor britânico que o Milênio encontrou no Brasil.

Quem não leu “Deus, um Delírio” ou “O Gene Egoísta” ou outro dos muitos livros do biólogo Richard Dawkins sobre a religião ou evolução poderia cometer a imprudência de achar que ele considera Darwin e Deus a mesma pessoa. Mas quem conhece a obra do ex-professor de Oxkord, nascido no Quênia, sabe que ele considera essa mistura um “pecado”, ou melhor, um mal entendido, porque “pecado” não é palavra no vocabulário dele.

Ciência e religião não se misturam no mundo de Dawkins. Ele endossa a primeira e rejeita a segunda. Uma postura audaciosa para trazer a um país tão religioso quanto o Brasil. Mas Dawkins não foge desses desafios e trouxe sua visão e experiência convidado pela organização da FLIP – Festa Literária de Parati – Rio de Janeiro. Foi lá, durante a apresentação do professor Dawkins, que gravamos este Milênio especial.

Silio Bocanera: Falaremos sobre evolução em instantes, mas antes vamos começar com o seu outro livro, que fala sobre Deus (Deus, um Delírio). Este livro já foi traduzido em 31 idiomas diferentes e está vendendo bem em muitos países, incluindo países muito religiosos, como o Brasil. Então uma pergunta me vem à mente. O senhor acha que existem muitos ateus enrustidos se escondendo e envergonhados de expor sua falta de crença?

Richard Dawkins: Eu espero que existam e acredito que existam. Eu viajei muito pelos EUA divulgando “Deus, um Delírio” e estive, particularmente, em regiões dos EUA que são descritas como o “cinturão bíblico”. Portanto, eu estava esperando reações de todo tipo mas, em todos os eventos a que compareci, encontrei platéias imensas, muito entusiasmadas. Eram milhares de pessoas que, aparentemente, concordavam comigo que Deus não existe e que estaríamos melhor se não acreditássemos n’Ele. Eu acredito que, exatamente como você diz, existem muitos ateus enrustidos, pelo menos nos EUA, que nunca ousaram se expor e admitir o que realmente são. Quando fui, por exemplo, a Oklahoma, supostamente um estado bastante religioso, três mil pessoas compareceram ao auditório. No final, as pessoas se levantaram, se entreolharam e perceberam que não estavam sozinhas. Haviam encontrado semelhantes mesmo em Oklahoma.

Silio Bocanera: Ou mesmo no Brasil… Onde encontra maior resistência em relação às suas idéias? Não só geograficamente, como Oklahoma, ou o “cinturão bíblico”, mas, intelectualmente, quem demonstra maior resistência?

Richard Dawkins: Não quero deixar a impressão de que não houve resistência em Oklahoma. Havia um parlamentar em Oklahoma que tentou suspender a minha palestra e censurar a Universidade de Oklahoma por ter me convidado. Forças politicamente poderosas se opuseram às minhas idéias. Já críticas sérias… Não acho que existam muitas críticas sérias. As críticas mais sérias que recebo vem de pessoas que dizem: “Sou ateus, mas…”. Estou muito habituado a essa frase: “Sou ateu, mas…”. Me acusam de ser mal-educado, descortês ou insuficientemente simpático com pessoas religiosas. A propósito, acho isso um equívoco. Há um sentimento generalizado em que todos crescem acreditando de que não se deve criticar a religião, de que é proibido criticar a religião. Assim, mesmo uma crítica amena a uma religião tende a soar agressiva ou ruidosa. Na verdade, eu adoraria pensar que “Deus, um Delírio” é um livro engraçado. Espero que o humor transpareça na versão traduzida.

Silio Bocanera: O livro deixa claro que o senhor preferiria ver um mundo sem religião. Na contramão disso, muitos argumentariam que a religião pode servir de consolo a muita gente. Por exemplo, na perda de um ente querido, o crente se consola em poder encontrá-lo “do outro lado”.

Richard Dawkins: Sim… Essa é uma questão importante. Sem dúvida, as pessoas buscam consolo na religião. A primeira consideração a fazer é que, por algo ser reconfortante e consolador, isso não necessariamente o faz ser verdadeiro. Seria logicamente inconsistente sugerir que aquilo que nos faz feliz seja necessariamente verdadeiro. Há pessoas que não preferem não ouvir a verdade. Seria um bom teste procurar saber quem gostaria de ser avisado pelo médico quando estivesse com uma doença fatal. Alguns prefeririam não saber que tem uma doença fatal, outros prefeririam que o médico contasse a verdade. E os médicos costumam julgar se seu paciente necessita ouvir a verdade ou se é um paciente que prefere ignorar a verdade. Esse seria um caso análogo. Não acho que poderíamos dizer que seria justificável deixar de escrever um livro por receio de magoar alguém. Quem for ficar incomodado com o meu livro, não o leia.

Silio Bocanera: Muitos também argumentariam em favor da religião citando o fato de ela ter servido de inspiração para obras de arte magníficas ao longo do tempo, desde a Capela Sistina à música de Bach, da qual sei que é fã. A inspiração é um fator importante?

Richard Dawkins: Não há dúvida de que a religião serviu de inspiração para grandes obras de arte, música, poesia e literatura. A própria Bíblia é uma leitura excelente, pelo menos na versão inglesa do século 17, com a qual tenho bastante familiaridade. Suponho que a Bíblia em português também seja uma leitura excelente. Acredito piamente que toda criança deve aprender sobre a Bíblia e deve ler a Bíblia. Não há como apreciar literatura ou história européia sem conhecer a Bíblia. Portanto, acredito piamente nisso. Mesmo se nos livrássemos da religião, a história e a literatura bíblica continuariam sendo importantes, assim como os deuses gregos são importantes para entender literatura. Não podemos apreciar grande parte das obras literárias sem conhecer Zeus ou Apolo e não podemos apreciar Wagner sem conhecer os deuses nórdicos. Ninguém acredita mais neles, mas eles fazem parte da nossa herança cultural. Algo como a Capela Sistina ou a música de Bach é evidentemente muito bonito e importante, mas isso poderá, de algum modo, corroborar a alegação de que há validade na religião? É claro que não! Grandes artistas são atraídos pelo dinheiro. Ao longo da História, os ricos sempre encomendaram as obras de arte que quiseram. Na época de Michelangelo, ou na época de Bach, o dinheiro estava nas mãos da Igreja. Por isso, grandes obras foram feitas para a Igreja. Isso não significa que é verdade… Eu me atreveria a dizer que, por exemplo, a “Paixão Segundo São Mateus” é uma estória muito tocante. Não é apenas a música de Bach que a torna tocante, pois a estória em si é tocante. Portanto, é possível apreciar o drama e as emoções de grandes ficções. É possível apreciar a história da Bíblia, mesmo que ela seja uma ficção.

Silio Bocanera: Com relação à sua interpretação da Bíblia como ficção, o conceito de que o mundo foi criado em poucos dias, há cerca de seis mil anos e tudo de uma vez só entra em enorme contradição com as evidências científicas. O senhor acha que essa parte deveria ser rejeitada?

Richard Dawkins: Bem, o mundo está repleto de lindos mitos sobre a origem. Antropólogos poderiam listar centenas, ou até milhares, de mitos de origem cheios de beleza poética e que valham a pena serem estudados como literatura ou artefatos culturais. O mito de origem que nos é mais familiar, ou seja, o mito judaico, que acredito ter origem na Babilônia, não é mais nem menos bonito do que qualquer outro. A coisa mais chocante para Darwin, se ele estivesse vivo, é ver como em muitos lugares do mundo ainda se encara literalmente esse mito de origem. Como você disse, “o mundo foi criado em 6 dias há 6 mil anos”… Isso não está ligeiramente errado, está enormemente, colossalmente, errado. Poderíamos ilustrar isso dizendo que, considerando 4,6 bilhões de anos como a idade verdadeira da Terra, acreditar que o mundo só tem seis mil anos é o mesmo que acreditar, e já fiz esse cálculo, que a largura da América do Norte – de Nova York a São Francisco – equivale a oito metros.

Silio Bocanera: Como evolucionista e darwinista, o senhor evidentemente não crê em vida após a morte, o que serve como propósito de vida a muitas pessoas. Segundo a sua concepção, qual o propósito da vida? É a vida em si?

Richard Dawkins: Bem… O argumento biológico para o propósito da vida é o tema do meu primeiro livro, “O Gene Egoísta”. No nível científico, o propósito da vida é a propagação do DNA. Há inspiração poética nisso, mas talvez isso não seja muito satisfatório no nível individual. Indivíduos criam os próprios propósitos de vida. Cada um de nós, em maior ou menor escala, vive segundo os nossos próprios propósitos, o que pode ser escrever um livro, compor uma sinfonia, ganhar uma partida de futebol ou criar os filhos com saúde e felicidade. Há diversos propósitos que indivíduos podem criar. Todo mundo pode criar. E é melhor criá-los, pois a vida é uma só. Crer que esta é a única chance que teremos aprimora a nossa visão de mundo e nos faz valorizar mais a vida. Nos faz levar a vida mais a sério, mas também nos faz aproveitar plenamente a vida, pois ela é uma só. Viver esta vida aquém da intensidade total por acreditar que haverá outras é um desperdício terrível do imenso privilégio que é estar vivo. Cada um de nós é privilegiadíssimo. É só calcular a probabilidade que tínhamos para nascer. Nossos pais precisaram se conhecer, precisaram ter relações sexuais num momento determinado, um espermatozóide específico teve que encontrar um óvulo específico, o mesmo processo ocorreu com os nossos avós, bisavós, seguindo essa “peregrinação” até a origem da vida. Ninguém aqui tem o direito de ansiar por existir. Nós existimos por um fantástico acaso. Não desperdicem a vida, não haverá outra.

Silio Bocanera: Seus argumentos ficam ainda mais polêmicos quando discutem o propósito da vida e a falta de crença na vida após a morte. Algumas pessoas dizem que quem não crê na vida após a morte e em princípios religiosos não pode ter princípios morais. Sei que o senhor não aceita isso.

Richard Dawkins: Não. Certo… Há uma concepção de que nós só seguimos uma moral porque acreditamos na vida após a morte e, portanto, batalhamos para sermos recompensados com a salvação do Paraíso ou para evitarmos os castigos do Inferno, o que, efetivamente, foi o que você acabou de dizer. Que motivo detestável para sermos bons e que motivo horrível e imoral para sermos éticos! Uma vez, quando participei de um programa de rádio nos EUA no qual ouvintes telefonavam para fazer perguntas, um homem do Texas ligou afirmando que, se não acreditasse em Deus e não tivesse medo de ir para o Inferno, ele mataria o vizinho. Eu perguntei: “Está falando sério? Se não tivesse medo de Deus, você realmente mataria seu vizinho?” E ele respondeu: “Com certeza. Eu estupraria a primeira mulher que visse na frente.” Eu não consigo acreditar que existam muitas pessoas que só evitam fazer coisas ruins porque têm medo de Deus. Christopher Hitchens, um colega meu, que escreveu um livro na mesma época que eu, chamado “Deus não é Grande”, coloca da seguinte forma: “Não matarás” é um dos dez mandamentos da Bíblia, e ele, sarcasticamente, diz: “Não é possível imaginar com seriedade que, quando Moisés desceu da montanha com as tábuas contendo a inscrição ‘Não matarás’, as pessoas pensaram: ‘Não matarás? Ah, entendi! Achávamos que matar era uma boa idéia’.”

Silio Bocanera: Em outro livro que o senhor escreveu, “O Capelão do Diabo”, publicado no Brasil há alguns anos – a propósito, o senhor deixa claro que o capelão do Diabo não é o senhor – o senhor escreveu uma carta à sua filha, então com 10 anos, alertando contra a influência da tradição, da autoridade e da revelação. Poderia nos explicar melhor?

Richard Dawkins: Tem razão. O livro “O Capelão do Diabo” faz referência a Darwin que, ao falar da crueldade da natureza, e a seleção natural é cruel mesmo, ele diz: “Que livro um capelão do Diabo teria escrito a respeito dos baixos, equivocados, cruéis, terríveis e perdulários meios da natureza?” Não sei se os termos são mesmo esses. O livro se chama “O Capelão do Diabo”, mas não desejo ser o capelão do Diabo. O último capítulo do livro – que é uma coleção de ensaios publicados anteriormente – é uma carta endereçada à minha filha, Juliet, então com 10 anos. Quando o livro foi publicado, eu fiz a dedicatória para ela, e ela já tinha 18 anos. Naquele capítulo, na carta, uma carta aberta a ela, aos 10 anos, eu não pedi especificamente que ela se tornasse atéia. Eu jamais faria isso. Crianças não devem ser doutrinadas. Eu pedi que ela refletisse por conta própria. Eu tentei explicar a ela. O capítulo começa assim: “Como sabemos o que sabemos?” Eu respondi: “Através das evidências.” Eu expliquei, sob um ponto de vista científico, o que significa “evidência” e depois alertei-a contra os péssimos motivos que as pessoas costumam dar quando acham que sabem algo. São eles: revelação, tradição e autoridade. Eu escrevi: “Não são boas razões para se acreditar em algo. A evidência é a única boa razão para se acreditar em algo.” Eu gostaria que toda criança de 10 anos lesse esse capítulo. Tenho muito cuidado em evitar doutrinar crianças com ateísmo, assim como elas não devem ser doutrinadas com religião. Uma das piores coisas que podemos fazer com uma criança é dizer a ela: “Você é cristão.” Ou: “Você é muçulmano.” “Você é católico.” “Você é presbiteriano.” Ou seja o que for. Uma criança não tem idade para discernir, ela não tem idade para ser católica, muçulmana ou protestante. Deixe a criança amadurecer e tomar sua própria decisão quanto à crença que quer seguir. Se um dia ouvirem alguém dizer que tal criança é católica, protestante ou muçulmana, desconfiem. É um processo de conscientização análogo ao processo de conscientização feminista. Não sei como funciona em português, mas, em países anglófonos, as feministas nos ensinaram, com bastante sucesso, a não usar a palavra “homem” ao se referir à “humano” e a não usar a palavra “ele” se se referir também a “elas”. Isso é muito difícil de fazer em inglês e imagino que seja ainda mais difícil em línguas com distinções de gênero. Mas as feministas triunfaram no processo de conscientização. Sempre que ouvimos “o futuro do homem”, nós desconfiamos, relutamos e pensamos: “Não deveríamos dizer isso”. Do mesmo modo, eu gostaria que todos aqui desconfiassem quando ouvirem alguém falar sobre uma criança católica. Crianças católicas não existem! Existem crianças com pais católicos.

Para aqueles que desejarem assistir na íntegra as duas partes do programa, basta acessar os links abaixo:

Os mundos paralelos de Richard Dawkins: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1101285-7823-OS+MUNDOS+PARALELOS+DE+RICHARD+DAWKINS,00.html
As polêmicas de Richard Dawkins: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1106035-7823-AS+POLEMICAS+DE+RICHARD+DAWKINS,00.html

Roni Adame


Natal fora de época? Para os católicos e protestantes claro que sim. Mas não para outros grupos cristãos.

URÂNTIA

Livro de Urântia

Livro de Urântia

21 de Agosto é a data de nascimento de Jesus. Isso segundo a Fundação Urântia e sua obra mundialmente conhecida, o Livro de Urântia. O Livro de Urântia é uma obra literária, composta por 197 documentos escritos em Inglês arcaico, traduzido recentemente para mais idiomas e que serve como base ideológica de alguns movimentos religiosos e filosóficos. Nas suas páginas, o livro refere ter sido compilado por um corpo de seres supra-humanos das mais diversas ordens, o texto fornece uma abrangente perspectiva das origens, história e destino humanos, constituindo para os seus leitores assíduos uma nova revelação para a humanidade.

A identidade dos autores materiais do livro é desconhecida e nunca foi reclamada, existindo por este motivo muitas teorias a respeito da sua edição e autenticidade. O próprio livro refere que é assim para que nenhum humano possa ser proclamado “profeta” ou admirado de alguma forma por tal obra literária.

O Livro de Urântia diz que Micael de Nebadon, criador e soberano deste universo local (Nebadon), fez sua sétima e última encarnação neste planeta como Jesus de Nazaré e teria nascido em 21 de Agosto do ano -7. No site da AUB – Associação Urântia do Brasil – há um convite a todos para comemorarem o aniversário de Jesus com o grupo de leitores de São Paulo. Mas o aniversário de Jesus na data de 21 de Agosto é comemorado por pessoas do mundo todo.

O conteúdo do Livro de Urantia foi amplamente difundido pelo mundo com a ajuda da saga literária do jornalista e escritor Juan José Benítez Lopez (J. J. Benítez): Operação Cavalo de Tróia, que consta atualmente com oito volumes. Benítez, no primeiro volume da saga, agradece à fundação Urântia por ela ter permitido que ele “bebesse em suas fontes”. J. J. Benítez complementa a narração feita na saga Operação Cavalo de Tróia com a publicação de Rebelião de Lúcifer e busca explicar melhor o que está por trás de tudo isso ao publicar O Testamento de São João.

Diversas versões a respeito de Jesus têm adeptos pelo mundo todo. O Livro de Urântia não é a única. Uma outra com muita semelhança existe no livro UCEM – Um Curso em Milagres.

UCEM

UCEM

UCEM

Um Curso Em Milagres – UCEM (também conhecido como ACIM em inglês), é um livro considerado por seus alunos como um “caminho espiritual”. Escrito originalmente em inglês entre 1965 e 1972 pela psicóloga Helen Schucman. De acordo com Helen, ela e o psicólogo William Thetford “escreveram” o livro por meio de um processo proveniente de canalização que Schucman chamou de “ditado interior”. Helen Schucman disse que a fonte da sua canalização foi Jesus Cristo.

Os ensinamentos do curso foram comparados com as premissas fundamentais da religião oriental. No entanto, ele utiliza a terminologia tradicional cristã. J. Gordon Melton constata que ele é mais popular entre aqueles que estão desiludidos pelo cristianismo tradicional. Desde a primeira vez em que ficou disponível para venda em 1976, teve mais de 1,5 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro em dezesseis idiomas diferentes. O livro aborda um curso você irá se deparar com vários termos que são de domínio da área de psicologia, tais como: projeção, separação, sistema delusório, sonhos, alucinação, negação, defesas, insanidade, ego, fantasia, culpa, e percepção.

O Curso é composto de três livros: o Texto de 721 páginas, o Livro de Exercícios para estudantes de 512 páginas e o Manual de Professores de 94 páginas.

Segundo informações de seus adeptos, trata-se um sistema de pensamento que, quando levado ao último entendimento, permite a conquista de um estado perene de paz, onde a certeza habita na vivência do reconhecimento da unidade em si mesmo e com Deus, onde o amor a tudo abrange e não deixa espaço para opostos, onde nada real pode ser ameaçado, e onde o medo não tem significado diante da eterna condição de impecabilidade de um ser divino e eternamente perfeito, visto que é herdeiro incondicional de todos os atributos do seu Criador.

Ainda segundo seus adeptos, seria um modo de pensar definitivo, onde perguntas como: de onde vim, prá onde vou, o que estou fazendo aqui, onde estou, assim como todas as questões de caráter existencial são finalmente respondidas, visto tratar-se de um sistema de pensamento onde mistério é algo impossível para todos que sinceramente queiram ver a verdade.

Hoje existem até mesmo empresas que se autodenominam “consultorias existenciais”, baseadas totalmente no curso UCEM. Como nem todos tem a mesma ambição, UCEM pode também ser facilmente encontrado no site do Mercado Livre  e por um custo incomparável com o custo de uma “consultoria existencial”.

COMANDO ASHTAR

Ashtar Sheran

Ashtar Sheran

Tanto o Livro de Urântia como o livro Um Curso em Milagres abordam a divindade e também trazem, ainda que com formatos alternativos, o conceito cristão da trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas também existem versões de Jesus onde é visto de forma mais moderna, nem tanto divina e mais espacial como a do “Comando Ashtar” (também conhecido como Comando Intergaláctico ou Frotas da Cruz Solar), o qual seria composto por milhares de espaçonaves de muitos sistemas solares pertencentes à Grande Fraternidade de Luz, cujo Comandante em Chefe seria “Ashtar Sheran” (o Sol que mais brilha), sendo a orientação espiritual dirigida pelo “Senhor Sananda”, mais conhecido como “Senhor Jesus” no planeta Terra.

Nessa versão espacial, todos – as sementes estelares do ofício do Cristo – obedecem ao Cristo Cósmico e estariam aqui para auxiliarem a Terra e sua humanidade, no decorrer do atual ciclo de purificação planetária e realinhamento polar, o que levará a Terra de 3ª para 4ª e 5ª dimensões do espaço-tempo, juntamente com os seres resgatáveis que ascencionarem suas consciências tridimensionais, seja lá o que signifique isso tudo.

Essa versão espacial do Cristo Sananda é também muito difundida e muito bem aceita, conquistando inúmeros adeptos ao redor do mundo todo, tendo em vista sua relação estreita com um fenômeno moderno altamente misterioso e atraente: os OVNI’s, naves espaciais, discos voadores e seres extraterrestres.

Ainda sobre Ashtar Sheran, sugiro a leitura do seguinte artigo: Ashtar Sheran – Mito ou Realidade?.

JESUS HISTÓRICO e o PROBLEMA DO NASCIMENTO

Tendo em vista os diferentes segmentos inspirados por Jesus nos dias de hoje, seria tão absurdo comemorar o “natal” em 21 de outubro ao invés de 25 de dezembro? Nem um pouco. Ao contrário do que possa parecer, não existe uma data oficial para o nascimento de Jesus. Até mesmo quem o lançou no mercado – a igreja – reconhece que isso não se sabe. Mas temos também que levar em conta algumas informações importantes sobre o contexto histórico que envolve a questão.

Houve um tempo em que a Igreja não comemorava oficialmente o Natal – entre outros motivos, por não saber o dia em que Jesus nasceu. Embora o período tivesse sido mais ou menos calculado (a data seria no ano 6 a. C.), em nenhum momento, nos primeiros 200 anos do cristianismo, o dia é mencionado. A especulação só começou por volta dos séculos 3 e 4, em resposta aos festejos promovidos pelos romanos com orgias e banquetes em reverência a divindades pagãs.

Nessa época, pelo menos oito datas diferentes foram propostas para o nascimento de Jesus. Duas datas, entretanto, prevaleceram e são usadas até hoje. Primeiro, veio o 6 de janeiro, uma comemoração feita no Oriente para o suposto dia em que Jesus fora batizado – a Igreja Ortodoxa armênia comemora o “natal” nesse dia.

Em 194 d. C., Clemente de Alexandria propôs a data de 19 de novembro do ano 3 a. C., enquanto outros pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19/20 de abril. Mais tarde, em 214 d. C., Epifânio propôs do dia 20 de maio. Nessas datas existem confusões entre a época da concepção e do nascimento. No entanto, tais datas parecem concordar com a velha tradição de que Jesus teria sido concebido na primavera e nascido em meados do inverno (essas estações referem-se ao Hemisfério Norte).

A partir do ano 336, quando o imperador Constantino já havia declarado o cristianismo como a religião do Império Romano, foi adotado o 25 de dezembro, data adotada pela igreja ocidental. O 6 de janeiro ficou, então, reservado ao dia em que Jesus teria aparecido aos três Reis Magos, herança das lendas epifânicas, nas quais os deuses se manifestam aos seres humanos.

As escolhas das datas não foram aleatórias. Ambas rivalizavam com festas pagãs realizadas no mesmo período, como a da religião persa que celebrava o Natalis Invicti Solis, a do deus Mitra e outras decorrentes do solstício de inverno e dos cultos solares entre os celtas e germânicos. “O 25 de dezembro foi uma conveniência para facilitar a assimilação da fé cristã pela massa de pagãos”, admite Mario Righetti, um dos mais renomados intelectuais católicos, em sua obra História da Liturgia, de 1955.

“Entre os estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, é consenso que Jesus não nasceu em 25 de dezembro”, afirma o cientista da religião Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Na Bíblia, o evangelho de Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas.

“Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em dezembro”, diz Caldas. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre março e novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

Definir quando nasceu Jesus exige uma profunda investigação histórica.

O problema começa em 525 d.C., quando Dionísio, o Pequeno, ao fixar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro do ano 754 d. C. urbe condita (depois da fundação de Roma), efetuou um erro de cálculo da ordem de pelo menos cinco anos. Ele não havia considerado nem o zero (algarismo que seria introduzido na Índia no século IX a. C.) nem os quatro anos que o Imperador Augusto reinou com o seu próprio nome de batismo, Otávio.

Segundo o evangelho de Matheus, Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, que faleceu no ano 4 a.C., talvez nos meses de abril ou maio. Essa última conclusão prende-se ao fato de a morte de Herodes ter ocorrido antes da Páscoa dos judeus, e ter sido precedida por um eclipse da Lua. Ora, como o único eclipse lunar visível em Jericó foi o da noite de 12 para o dia 13 de março do ano a. C., como foi mencionado por Flavius Josephus, supõe-se que a morte de Herodes ocorreu provavelmente no mês que se seguiu ao eclipse. Em síntese: tudo indica que Herodes morreu entre 13 de março e 11 de abril, pois foi nesse último dia que se iniciou a Páscoa dos judeus.

Uma outra ocorrência que tem auxiliado os historiadores foi o massacre dos inocentes, quando todas as crianças de menos de dois anos foram sacrificadas por ordem de Herodes, que se baseou nas informações dos Magos para enviar os seus soldados a Belém, a fim de matar o novo Messias que ele tanto temia. Por esse fato se concluiu que Jesus, na época, deveria ter menos de dois anos. Seria conveniente lembrar, por outro lado, que essa data pode corresponder a concepção e não ao nascimento, pois entre os orientais era tradição iniciar a contagem da idade a partir daquele instante.

Um outro ponto de referência na fixação da data de nascimento de Jesus foi a época do recenseamento ordenado pelo Imperador Augusto, que foi executado por Quirino, governador da Síria. Se aceitarmos o termo recenseamento como censo, isto é, como um inventário de população, a data correspondente será -7 ou -6. Todavia se tomarmos, como o fazem alguns autores, esse termo no sentido de cens, ou seja, de imposto, que deve ter sido posterior de um a dois anos ao citado inventário, é aceitável supor que o mesmo ocorreu 5 a 4 anos a.C.

Considerando todos esses elementos, chegamos à conclusão de que a data de nascimento de Jesus deve situar-se entre os anos 5 a 7 a.C.

Segundo os relatos da Bíblia, a qual não pode ser considerada um documento válido para o estudo sobre o Jesus histórico, o nascimento de Jesus pode ser determinado em função do de São João Batista. Assim Zacarias, o pai de João Batista, foi o sacerdote da travessia de Abia (Lucas 1.8) que teria servido no templo na sexta semana depois da Páscoa, semana anterior ao Pentecoste. Como todos os “sacerdotes” também serviram durante o Pentecoste, Zacarias teria deixado Jerusalém para sua casa no décimo segundo dia do mês do calendário israelita Sivan, ou seja, em 12 de junho do nosso calendário. Ora, como Isabel, sua esposa, concebeu seu filho depois do seu retorno (Lucas 1.24) conclui-se que João Batista deve ter nascido 280 dias mais tarde, ou seja, nas vizinhanças do dia 27 de março. Lucas (1.36) registrou ser Jesus seis meses mais jovem que João Batista, o que faz ter o nascimento de Jesus ocorrido em setembro seguinte, ou seja, no outono do ano 7 a.C. A primitiva tradição cristã registrava que Jesus nasceu um dia depois de um Sabbath judeu, isto é, em um domingo.

Crenças astrológicas tradicionais indicam, como dia mais provável, o sábado, dia 22 de agosto de 7 a.C. Seria conveniente lembrar que no calendário judeu o dia começa ao pôr-do-Sol, de modo que se considerarmos a legenda que Jesus nasceu depois do pôr-do-Sol, podemos aceitar que o seu nascimento ocorreu em 21 de agosto do ano 7 a.C.

Portanto, segundo relatos da Bíblia e crenças astrológicas, os seres que teriam “escrito” Livro de Urântia teriam razão em comemorar o aniversário de Jesus em 21 de Agosto. Será? Bem, historicamente não sabemos e é muito provável que nunca venhamos a saber. Então, assim como quase tudo que pensamos saber a respeito de Jesus transita do âmbito das crenças, e colocando em prática a tolerância sugerida por Victor Hugo, meus parabéns a esse personagem tão intrigante.

Roni Adame