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Category Archives: Religião


BigBangA mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos. Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus. Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

No último dia 06, “Dia de Reis” (ainda sobre os reis magos, sugiro a leitura do post Natal – Um pouco mais sobre os magos… ), o Papa Bento XVI disse a 10 mil fiéis, na basílica de São Pedro, que Deus é o responsável pelo Big Bang, conforme suas palavras destacadas acima.

Podemos colocar as coisas em seus devidos lugares? Creio que sim. Para isso vamos analisar por partes as palavras de Bento XVI.

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang (…)

Eu diria que, apesar das evidências a respeito do Big Bang, o Papa, ou a Igreja, ambos talvez tenham se precipitado. Me pareceu um ato meio “desesperado”, onde ambos tenham se arriscado desnecessariamente.

A ciência é incompleta e inacabada por natureza e está sempre revendo a si mesma. Sabemos muito pouco sobre o Big Bang, apesar de já termos avançado muito. Ao meu ver, existe uma enorme probabilidade de ainda mudarmos nossa visão sobre a relação entre a origem do universo e o Big Bang, apesar de ser muito improvável que ambas as coisas se desvinculem.

Ao atribuir a Deus a teoria do Big Bang, e, ao fazê-lo tão rapidamente, a Igreja pode vir a se arrepender. Um risco desnecessário., visto que a Igreja não deveria estar se preocupando com as últimas descobertas científicas. Não é o papel dela. Não é pra isso que as pessoas se filiam a ela.

(…) os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso.

Particularmente duvido muito que os cristãos estejam se preocupando com a origem do universo. Em relação ao que buscam os fiéis, que importa o que houve há 13,7 bilhões de anos? Que importa por que o universo teria sido criado? Os fiéis de hoje em dia são, em sua grande maioria, muito práticos. O que importa é o que foi prometido a eles em vida, e, principalmente, após a morte, ao terem se tornado cristãos.

O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos.

Se a ciência acreditasse em acaso ela simplesmente não existira. É justamente o contrário. A ciência investiga precisamente motivada pelo fato de que tudo teve, tem e terá suas causas. Se não fosse assim nem mesmo os conceitos de aprendizado e conhecimento seriam possíveis.

Os pesquisadores do CERN, em Genebra, ao estudar, entre outras coisas, propriedades mais específicas a respeito do Big Bang,, não reuniram pesquisadores de vários países com o intuito de divulgar a idéia de que o universo surgiu por acaso. Eles realmente não se importam com o que acreditamos sobre isso. O intuito é conseguir descrever o funcionamento das coisas, as leis de causa e efeito. E, sobre o Big Bang, não seria diferente.

FilamentosContemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus.

De fato, ao contemplar o universo, é praticamente impossível não pensarmos sobre Deus. São inúmeras as questões sobre isso. A função do Papa é vincular a Deus tudo o que podemos contemplar. Nós, pessoas comuns, livres pensadores, não podemos negar esse vínculo entre o universo visível e um Deus criador. Não temos evidência alguma que negue essa natureza do universo.

Mas o inverso é verdadeiro. Não temos qualquer evidência de que esse vínculo exista. Dessa forma, é um prazer conseguir conviver muito bem com a dúvida e continuar observando e perguntando, ao invés de precisar de certezas e atribuir a um ser sobrenatural todas as perguntas as quais ainda não sabemos as respostas.

Agora, uma pequena curiosidade. Bento XVI afirmou que, ao contemplarmos o universo, enxergamos a criatividade inesgotável de Deus. Bem, talvez ele tenha se esquecido do enigma da energia escura, a qual, ao que parece, vai acabar de vez com a tal inesgotabilidade criativa de Deus.

Algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)

Mais uma vez sou obrigado a concordar com Bento XVI sobre isso. Mas permita-me uma correção: não são apenas algumas teorias científicas que são limitadas. São todas elas! Volto a dizer: a ciência é uma prática, uma atitude, cujas ferramentas de pesquisa, assim como seus resultados, serão sempre limitadas e incompletas, visto que, nós, a raça humana, aquelas que fazem a ciência acontecer na prática, mesmo que possamos evoluir para sempre, sempre seremos limitados frente à proporção e complexidade do universo em que vivemos e desejamos conhecer.

Fico pensando se, ao fazer essa afirmação lógica sobre a ciência, Bento XVI estaria tentando dizer que ele, ou a Igreja, tem a tal explicação para a realidade última. Mas, se tem, por que então teriam atribuído a Deus uma teoria tão limitada como o Big Bang? Minha mente naturalmente limitada não é capaz de compreender tais contradições divinas.

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BentoXVIBento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".

Quem diria? O representante de Cristo na Terra pode se equivocar. Particularmente considero essa declaração um salto quântico na humanização da Igreja.

O uso da camisinha, sempre historicamente condenado pela igreja, agora passa a ser aceito em “alguns casos”. O que houve? Por que a mudança de postura?

Nesse caso sou obrigado a questionar… Se o Papa é o Cristo na Terra, quem é que muda de opinião? O Papa ou o próprio Cristo? A moral de Deus seria então relativa e passível de mudanças ao longo do tempo?

Por outro lado, o Papa está entrando em conflito com uma resolução da Igreja, oficializada no Concílio Vaticano I: a infalibilidade do Papa.

A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), está sempre correto. Isto porque acredita-se que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. Mais informações: Wikipédia.

E então? Afinal, o Papa é ou não infalível?

UltimoLivroPapaEm seu novo livro, Light of the World: The Pope, The Church and The Signs Of The Times (cujo título poderia ser um pouco mais humilde), essa pergunta é respondida da seguinte forma:

O conceito da infalibilidade do Papa foi desenvolvido ao longo dos séculos. Sob certas condições e circunstâncias. O Papa pode tomar decisões vinculadoras através das quais fica claro o que é ou não fé. Isto não quer dizer que tudo o diz que é infalível.

Mais trechos do livro “A Luz no Mundo” podem ser lidas aqui.

Para justificar a posição polêmica em que o Papa colocou o Vaticano, este justificou a declaração do Papa da seguinte forma:

O uso da camisinha é um pecado menor do que a transmissão do vírus da Aids.

Infelizmente o vaticano tentou adaptar as palavras do Papa insistindo em manter o uso da camisinha dentro do rol dos pecados. Ou seja, já que você vai pecar, então cometa o pecado mais leve. A multa é menor.

Eliminando qualquer possibilidade do Papa ter contrariado a igreja, ou ainda do Papa ser falível, Dom Odio Scherer, Arcebispo de São Paulo, disse o seguinte:

Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade.

Enfim, nem mesmo quando o próprio Papa admite cometer erros, seus “subordinados”, nos diferentes níveis, não aceitam isso e tratam logo de “adaptar” suas palavras. Isso tem suas razões para acontecer mas aí a discussão vai muito longe.

Bem, para dar mais subsídios aos poucos leitores deste blog, a respeito da infalibilidade de um Papa, resolvi relatar alguns fatos históricos sobre o papado numa página deste blog, de modo com que cada um possa tirar suas próprias conclusões sobre essa questão.

Os fatos históricos sobre o papado estão relatados na página Papa – Um Pouco de História. A quem se interessar, eu peço que só leia se tiver um bom estômago. Boa leitura.


OrfaosVocê consegue olhar para as estrelas e não pensar em “Deus”? Qual a sensação de pensar num universo sem propósito, gerado ao mero acaso? Que tipo de sentimento surge ao pensarmos que tudo que já existiu, existe e ainda existirá não passa do resultado de um mero acaso? Definitivamente não são as sensações e sentimentos que nossa espécie mais aprecia. Mas…

Em sua mais recente obra, The Grand Design, Stephen Hawking afirma que não é preciso um Deus para criar o universo, pois o Big Bang, a grande “explosão” (que não tem relação com nosso conceito mais conhecido de explosão) a qual teria originado o universo, seria uma consequência das leis da física, conforme as palavras do professor de Física da Matéria Condensada da Universidade Autônoma de Barcelona David Jou:

GrandDesignO fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso.

É óbvio que para a discussão deste tema nem mesmo uma vida inteira seria suficiente e, apesar de muitos de nós já possuírem suas “certezas” sobre Deus e o Universo”, a verdade é que essas questões atormentam nossa espécie desde sempre. E continuará atormentando, ao menos àqueles que não têm certeza.

De fato o Big Bang é consequência natural das leis da física, assim como tudo que veio a existir como consequência natural do Big Bang. Todo o universo parece funcionar conforme as mesmas leis. Podemos chamar também as leis da física de “leis da natureza”, as quais englobam todas as equações possíveis dentro da estrutura do universo.

EquacoesTudo que nossa espécie vem fazendo desde o início, de uma maneira muito generalizada, é descobrir e buscar compreender as leis naturais contidas em todos as coisas. Simplificando mais ainda, trata-se das relações de causa e efeito.

Todo e qualquer tipo de sistema de aprendizado sobre qualquer realidade contida no universo só é possível devido a uma propriedade fundamental das leis da natureza: a imutabilidade. Tais leis, ou equações, nunca mudaram desde o início do universo e, teoricamente, nunca mudarão enquanto o universo existir.

Uma vez que as próprias leis naturais, desde o “início” (difícil precisar o que seria realmente o início) gerando movimento contínuo de causa e efeito, configuram o “motor” do universo, aparentemente auto-suficiente, onde entraria um Deus nessa estória toda?

Talvez eu devesse fazer perguntas as quais tivéssemos condições reais de respondê-las, apesar de muitos de nós terem adotado algumas “certezas” sobre isso.

Mas, mesmo assim, quando penso no assunto, sempre fico com uma pergunta engasgada: uma vez que, desde o “início”, foram as leis naturais que foram moldando o universo até os dias de hoje, aparentemente, o universo já nasceu com elas. Portanto, de onde elas vem e que processo ou quais processos as “fixaram” do jeito que são e não de qualquer outro?

DNA_UniversoPoderíamos considerar as leis naturais como sendo o DNA deste universo? Seu código genético? Creio que no momento pode ser uma associação aceitável. Mas … DNA? Código genético? E de quem ou do que o universo teria herdado tais “informações”? De outro universo anterior? De um universo coexistente? De um universo “pai” e/ou “mãe”? De dois universos?

De qualquer forma sempre caímos no mesmo ponto crítico: e o primeiro universo? Quem ou o quê o criou? E quem ou o que teria criado o primeiro criador?

Por isso tudo, se conseguirmos apenas descobrir mais ou menos como funciona a natureza deste universo e, com isso, melhorar nossa qualidade de vida e a das demais espécies, já estaremos realizando um verdadeiro “milagre divino”…


TerrasOs dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

Do centro do universo à mera poeira da galáxia em apenas 1.900 anos! Será mesmo?

Após 5 anos de estudo, a NASA nos traz algumas informações importantes relacionadas ao nosso planeta:


GraosDeAreia

  • Nossa galáxia, a Via-Láctea, com aproximadamente 200 bilhões de estrelas ou sóis, contém cerca bilhões de planetas semelhantes à Terra;
  • Planetas pequenos são muito mais comuns do que se imaginava e são predominantes na Via Láctea;
  • Aproximadamente 1/4 das estrelas similares ao nosso Sol da nossa galáxia hospedam planetas como a Terra;
  • Os planetas de tamanho próximo à Terra são, na nossa galáxia, como grãos de areia na praia: estão por toda a parte;
  • Os dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

É importante destacar ainda que a pesquisa não inclui planetas nas zonas habitáveis e sim, tendo em vista a proximidade das estrelas que orbitam, apenas planetas em áreas consideradas muito quentes para a vida como a conhecemos.

Com isso, próximas pesquisas poderão mostrar que o número potencial de “Terras” pode superar e muito o de 46 bilhões.

Estraga Prazeres

Não deve ser fácil para algumas pessoas saber que nosso planeta não é tão especial e único assim como se pensava ou como muitos gostam de pensar. A NASA realmente é uma pedra no sapato de muitos. E por isso esses muitos vão continuar ignorando as novas descobertas sobre o lugar que ocupamos no universo.

Modelo_GeocentricoA teoria do universo geocêntrico, onde a Terra era o centro do universo, foi compilada por Ptolomeu por volta de 100 d.C. e, por mais incrível que possa parecer ela ainda determina o modo de pensar de muitíssimos de nós ainda hoje.

Para diversas religiões, em destaque para o cristianismo, a Terra, além de ser o centro do universo, é a única coisa no universo. A mensagem subliminar passada a seus adeptos é exatamente essa e continuará sendo por muito tempo, visto que suas bases dogmáticas não teriam nenhuma sustentação se vistas e estudadas sob um prisma universal ao invés de exclusivamente terrestre.

A influência desse tipo de visão está presente em todos nós e determina, de forma inconsciente, nossa visão sobre o mundo e nosso papel dentro dele. Por mais que as informações cheguem até nós, elas parecem ricochetear como uma pedra lançada num lago. Basta olhar para aquilo que pensamos, dizemos e fazemos. Basta examinar nossas ações de forma macro para ver que, na prática, o ser humano ainda acredita que está no centro do universo.

Infelizmente esse tipo de visão insana não é mantida por acaso. Ela é a única que atende a necessidade e interesses dos poucos que lucram ao redor do globo. Estar no centro do universo, ser especial, único, é apenas mais uma forma de pensar dentre muitas outras que inseriram em você e da qual você nunca perguntou de onde veio…

 


Dilma_Rousseff

Prezada V. Ex.ª, antes de mais nada, meus PARABÉNS pela conquista histórica ao ter se tornado a primeira mulher presidente da república.

Não tenho idéia do peso de uma conquista desse porte mas fico torcendo para que V. Ex.ª tenha adquirido, ao longo de sua trajetória, força suficiente para carregá-la até o “fim”.

Como costuma dizer um “conhecido” meu, “every body lies”. Sou obrigado a concordar e ainda a complementar: todo mundo mente, e muito. Por causa disso, só me resta torcer para que V. Ex.ª não tenha feito isso durante sua campanha. E, caso não o tenha feito, torcer também para que não comece agora.

Eu, assim como aproximadamente 40 milhões de brasileiros que não votaram em V. Ex.ª, estamos torcendo para que tudo que V. Ex.ª disse no seu pronunciamento de vitória sobre democracia, liberdade de imprensa e liberdade de religião e cultos seja, além da mais pura verdade intencional, se torne também a mais pura realidade concretizada num futuro breve.

Além disso, tenho mais alguns poucos pedidos que gostaria de fazer publicamente à V. Ex.ª através desta “carta aberta”.

Inclua também na lista de V. Ex.ª a liberdade não-religiosa e a liberdade a culto nenhum. A liberdade de poder não fazer parte de nenhuma religião e de nenhum culto é tão importante quanto a de fazer. Não podemos vir a ser discriminados pelo fato de não nos enquadrarmos em nenhuma das religiões existentes e predominantes em nosso país. Devemos continuar livres para podermos pensar livremente.

Por favor V. Ex.ª, não cometa o erro do homem que a colocou no poder.

Não sei se foi a trajetória de um torneiro mecânico até chegar a ser um estadista respeitado mundialmente que tenha mexido demais com sua mente.

Não sei se foi o altíssimo índice de popularidade que pode ter causado a ele a sensação de ser um semi-deus ou memso um homem escolhido por “Ele” para salvar o Brasil.

Não sei.

O que sei é que hoje acredita que não erra. Que não comete mais falhas. Que não avalia de forma errônea alguma situação. Ele tem mesmo certeza disso. É uma pena que a presidência tenha feito isso com ele.

Por favor V. Ex.ª, não cometa o mesmo erro.

Infelizmente Lula provou isso mais uma vez, justamente no dia da eleição de V. Ex.ª, ao dizer que é uma “palhaçada” o que estão tentando fazer com o Tiririca. Com isso ficou claro que ele perdeu alguma noções básicas.

O que estariam tentando fazer com o Tiririca? Que eu saiba apenas tentando verificar se de fato ele sabe ler e escrever. Então isso seria uma “palhaçada”? Segundo Lula então estaria certo um candidato analfabeto assumir um cargo público com a responsabilidade de elaborar projetos de melhorias sociais?

E quanto à “palhaçada” feita por Tiririca ao ter apresentado aos órgãos eleitorais uma declaração falsa atestando sua alfabetização? Segundo Lula é assim que devem agir os futuros políticos em nosso país?

Por favor V. Ex.ª, não cometa o mesmo erro.

Eu e mais 40 milhões de eleitores que não votaram em V. Ex.ª estaremos de olho. Por favor não brinque com a popularidade. Não chegue a acreditar que V. Ex.ª estará isenta de falhas assim como seu padrinho eleitoral. Cuidado com os deslizes. Afinal, a popularidade de V. Ex.ª não se mostrou tão mais alta assim do que a de seu concorrente.

Lembre-se também que, em apenas alguns meses, sem Lula implorando a seus discípulos, a candidata do Partido Verde conseguiu praticamente 50% do número de eleitores que elegeram V. Ex.ª. Não seria muito inteligente ignorar isso.

Boa sorte para V. Ex.ª e para todos nós.


Ser_Humano_AtualNão me lembro de uma eleição com tamanha influência religiosa como esta, o que me leva frequentemente a me perguntar se o Brasil é ou não de fato um país laico.

Se estamos num país laico, por que então um de nossos candidatos a presidente da república cedeu às pressões de grupos religiosos ao publicar uma carta aberta contendo as concessões morais, éticas e religiosas que resolveu fazer caso seja eleita?

Se a constituição oficializa o laicismo do Brasil, na prática estamos mudando essa característica, pois, pela primeira vez, cedemos a pressões religiosas deixando, com isso, a religião começar a influenciar de fato na maneira como o país será governado.

Estamos constatando um regresso, uma volta ao passado, escolhendo uma forma de pensar mais primitiva e em direção a revivermos o obscurantismo histórico pelo qual várias nações já passaram e outras continuam exercitando. Uma pena.

Sem dúvida, a liberdade, em todos os aspectos e segmentos que compõem tanto um indivíduo quanto uma sociedade, é o bem mais valioso que se pode alcançar. Mas esse bem valiosíssimo não se conquista facilmente pois, ao mesmo tempo que é algo a ser alcançado, é também consequência de investimentos prolongados em vários setores de uma sociedade.

Numa sociedade avançada e, por consequência, livre, são fatores essenciais dessa condição a liberdade religiosa e intelectual do indivíduo. Numa sociedade como essa, crer em algo preestabelecido é aceitável. A identificação individual com uma das religiões é totalmente aceitável. Já a imposição de uma identificação individual ou coletiva com um dos padrões religiosos existentes é totalmente inaceitável.

Uma sociedade avançada possui o conhecimento necessário dos processos vigentes responsáveis pelo bem-estar e melhoria da mesma, assim como o conhecimento dos processos históricos e culturais que os levaram a resolver de fato seus problemas básicos.

Com esse conhecimento conquistaram a capacidade de diferenciar, assim como de valorizar, os princípios e mecanismos que, na prática, geraram qualidade de vida de teorias e crenças que apenas os colocavam numa situação de dependência de poderes sobrenaturais teoricamente superiores.

Aprenderam que, na prática, tais poderes sobrenaturais teoricamente superiores, causavam apenas a segregação e a perda da noção do coletivo. Por isso respeitam entre si indivíduos com acreditam em coisas diferentes, pois não colocam qualquer crença num patamar mais importante do que suas conquistas reais.

Uma sociedade avançada, livre, e não perfeita, jamais voltará a abrir mão da sua total liberdade individual e coletiva de observar, analisar e questionar qualquer coisa à sua volta pois aprendeu que sem isso estarão condenados à estagnação e, com o tempo, ao desaparecimento.

Nunca antes na história deste país se pensou a médio e longo prazos. E continua não se pensando. Não há a menor evidência da formação e implantação de qualquer plano diferenciado de uma instrução adequada e diferenciada. E, para complementar, agora passa a existir a influência religiosa nas futuras formas de governo.

Ao contrário de uma sociedade livre, avançada, estamos invertendo as coisas ao dar mais prioridade a crenças do que a mecanismos e valores que na prática possam gerar conquistas reais. O caminho à nossa frente mostra-se muito perigoso e arriscado. Mas como olhar para frente e enxergar o resultado do que estamos plantando se não se pensa a médio e longo prazos?

Talvez uma das coisas mais duras de se constatar é que somos nós mesmos que queremos isso. Não sou cristão e muito menos religioso mas talvez aquela frase extremamente conhecida e amplamente divulgada até hoje nunca tenha feito tanto sentido: Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem.

Mas eis o problema: o universo parece não ouvir quem dele não se lembra…


Sugiro também a leitura do post Campanha OUT! no blog Visão Alienígena.



Eu não a conhecia. Foi ao assistir ao programa Milênio, da Globo News, que tive o prazer de ouvir suas opiniões. Dentro de um oceano de acefalia à nossa volta, como é bom poder assistir uma entrevista onde o bom sendo predomina. E o mais surpreendente: o bom senso de uma católica. E, ainda por cima, norte-americana!

Sei que, em números quase infinitamente reduzidos, praticamente em todas as religiões existem pessoas de bom senso, razoáveis e com uma consciência expressada de forma diferenciada. Mas quase chego a comemorar quando acabo constatando isso.

MaryGordon Mary Gordon é uma das mais conhecidas escritoras católicas americanas. Uma ativa participante em debates sobre religião, dentro e fora dos meios acadêmicos. É professora de Literatura e ensina seus alunos a aperfeiçoar o dom da escrita no Barnard College, da Universidade de Columbia.

ReadingJesusNo programa Milênio ela fala de seu mais recente trabalho literário: Reading Jesus. Mas o motivo pelo qual chamo a atenção dos leitores que passarem por aqui nem é exatamente seu último livro, mas sim a postura da autora perante vários outros assuntos relacionados com seu livro e, principalmente, sobre a polêmica relação entre ciência e religião.

Coloco abaixo o vídeo da entrevista dada ao repórter Lucas Mendes, com 20 minutos de duração. A aqueles que assistirem, desejo ótimas reflexões.

Mary Gordon fala da sua leitura desapaixonada do novo testamento:

Link: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1250440-7823-LUCAS+MENDES+ENTREVISTA+A+ESCRITORA+MARY+GORDON,00.html

http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf 

Roni Adame
pensamentoemextincao@yahoo.com.br


A atribuição da autoria dos evangelhos a Mateus, Marcos, Lucas e João provavelmente aconteceu de forma tardia. Com exceção do texto joanino, relatos parecem ter se baseado fortemente em Marcos.

Os Evangelhos do Novo Testamento, quatro relatos sobre a vida de Jesus aceitos por todas as igrejas cristãs, tradicionalmente são atribuídos a dois dos Doze Apóstolos (Mateus e João, filho de Zebedeu), a um companheiro do apóstolo Pedro (Marcos) e a um colaborador de São Paulo (Lucas). Para os atuais estudiosos da Bíblia, no entanto, o mais provável é que nenhuma dessas autorias tradicionais esteja totalmente correta. Embora muitos dos fatos contados pelos evangelistas possam realmente remontar à vida de Jesus, inconsistências e contradições deixam claro que nenhum de seus discípulos originais sentou-se pessoalmente para escrever uma biografia de Cristo.

“O que está claro é que os títulos que temos são um fenômeno editorial, que veio mais tarde”, resume Luiz Felipe Ribeiro, professor de pós-graduação em história do cristianismo antigo da Universidade de Brasília (UnB), que está concluindo seu doutorado na Universidade de Toronto (Canadá). “Os títulos demoraram para aparecer no corpo do texto. Os primeiros papiros com a fórmula atual para os títulos – ‘Evangelho segundo Marcos’ ou ‘Evangelho segundo João’, por exemplo – são de meados do século 3 [mais de 150 anos depois da data em que os textos teriam sido escritos].”

De acordo com Ribeiro, os estudos sobre como os livros da época recebiam seus títulos e atribuições de autoria também revelam que essa fórmula (envolvendo uma estrutura gramatical do grego conhecida como acusativo) é curiosamente única dos Evangelhos; nenhum copista anterior teria pensado em falar da “Ilíada segundo Homero”, por exemplo. “É muito improvável que essa mesma maneira de designar os textos surgisse de forma independente em quatro deles ao mesmo tempo. Por isso, tudo indica que se trata de uma mudança na maneira como os Evangelhos passaram a circular naquela época”, diz ele.

Testemunho antigo?

Além dos títulos explícitos em papiros, a primeira referência a quatro Evangelhos escritos pelos autores que conhecemos tradicionalmente — Mateus, Marcos, Lucas e João, nessa ordem — vem do bispo Ireneu de Lyon, escrevendo por volta do 190. No começo do mesmo século, outro bispo, Papias (cuja obra original não sobreviveu, mas acabou sendo citada por escritores cristãos posteriores), menciona apenas Mateus e Marcos.

A poucas décadas de “distância” dos apóstolos originais, Papias até parece dispor de informações mais confiáveis, mas uma série de coisas em suas afirmações não batem. Primeiro, ele parece se referir a Mateus como uma simples coleção de ditos de Jesus (logia, em grego), escritos originalmente em aramaico, a língua do dia-a-dia na Palestina do século 1. No entanto, Mateus é na verdade uma narrativa, e o texto que temos parece ter sido composto diretamente em grego. Já Marcos seria o secretário ou intérprete de Pedro, o qual teria anotado (“de forma desordenada”, diz Papias), as pregações do líder dos apóstolos em Roma.

Além do fato de, na verdade, o Evangelho de Marcos ser uma narrativa altamente estruturada, sem sinal de desordem, ele não parece o tipo de coisa que um ex-colaborador de Pedro escreveria, afirma Ribeiro. “Existe, na verdade, uma hostilidade grande em relação a Pedro no Evangelho de Marcos, e talvez até uma rejeição de todos os Doze, que são retratados como covardes”, diz o pesquisador. Todos os Evangelhos mostram Pedro vacilando e até negando Jesus, mas enquanto Mateus atenua isso com a famosa cena em que Jesus promete a seu apóstolo “as chaves do Reino do Céu”, Marcos não apenas omite qualquer menção a isso como é bem provável que, originalmente, nem mostrasse Jesus aparecendo aos apóstolos depois de ressuscitar.

É que os mais antigos manuscritos do Evangelho de Marcos terminam de forma meio abrupta, no versículo 8 do capítulo 16. O relato se encerra com Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé — três seguidoras de Jesus — indo ao sepulcro de Cristo. Lá, porém, encontram a tumba aberta e um misterioso rapaz de roupas brancas (talvez um anjo) dizendo que Jesus tinha ressuscitado. As mulheres, então, fogem assustadas, “e nada diziam a ninguém, porque temiam”. O mais provável é que, mais tarde, foram adicionados os versículos de 9 a 20, que encerram o Evangelho que temos hoje e contêm as aparições do Jesus ressuscitado a seus seguidores.

Marcos, o primeiro?

Na verdade, apesar de a ordem dos Evangelhos nas Bíblias atuais começar com Mateus, Marcos é quase certamente o mais antigo de todos os textos, talvez escrito um pouco antes do ano 70, quando o Templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos. O consenso entre os estudiosos é que Mateus e Lucas usaram Marcos como a base de seus próprios Evangelhos.

“Ambos se baseiam na estrutura narrativa de Marcos; Mateus e Lucas foram aumentados acrescentando-se a Marcos extratos de uma coletânea de ditos de Jesus que hoje está perdida”, escreve Geza Vermes, professor emérito de estudos judaicos da Universidade de Oxford, em seu livro “Quem é quem na época de Jesus” (Editora Record), recém-lançado no Brasil. “Quando Lucas e Mateus concordam entre si a respeito de algo, também concordam com Marcos; quando são diferentes de Marcos, também são diferentes entre si”, diz Ribeiro.

Além disso, Marcos é o evangelista que mais coloca expressões aramaicas na boca de Jesus ou das pessoas que entram em contato com ele, como o uso de Éfata (“abre-te”) para curar um surdo-mudo e Talitha cum (“menina, levanta-te”) para ressuscitar uma menina. “É o único evangelista que permite ao leitor ouvir um eco eventual das palavras de Jesus em sua própria língua”, diz Vermes.

Judeus?

Por essas e outras, a identificação do autor de Evangelho de Marcos como pagão de nascimento — e mesmo de Lucas ou João, autores de narrativas que parecem muito influenciadas pela cultura grega — não é tão confiável quanto alguns estudiosos costumavam imaginar. “Eu, por exemplo, acho que Marcos poderia muito bem ter uma origem na Galiléia”, diz Ribeiro. “De modo geral, essa dicotomia cultural muito forte entre judeus e pagãos de origem grega que a gente costuma imaginar é relativa. O judaísmo estava sob forte influência helenística fazia tempo.”

A influência judaica mais clara é a de Mateus, texto talvez escrito entre os anos 80 e 90 e repleto de referências à Lei de Moisés e às profecias do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias. “Mas, mesmo no caso de Lucas, há um lado judaico bastante forte. A narrativa dele começa e termina no Templo de Jerusalém, por exemplo. Jesus nunca pisa fora do território de Israel na narrativa de Lucas. Isso não me parece à toa”, diz Vilson Scholz, professor de teologia exegética da Universidade Luterana do Brasil (RS) e consultor de traduções da Sociedade Bíblica do Brasil.

Scholz diz acreditar que, embora figuras como os apóstolos João e Mateus não tenham escrito pessoalmente os Evangelhos, é possível que as narrativas sejam obra de pessoas de “escolas” ligadas a eles, que teriam transmitido a tradição oral relacionada aos primeiros discípulos em forma escrita. Para Scholz, o Evangelho de Lucas, escrito pelo mesmo autor dos Atos dos Apóstolos (em ambos os casos a obra é dedicada a um patrono conhecido como Teófilo, e há remissões entre um livro e outro), é o que tem associação mais plausível com o autor tradicional.

Explica-se: Lucas teria sido um médico de origem grega e, de fato, sua linguagem é uma das mais polidas e de estilo cuidadoso entre os Evangelhos, diz Scholz. Os Atos dos Apóstolos também usam o pronome “nós” em certas passagens, dando a entender que o narrador estava viajando junto com Paulo. “Eu já acho que Lucas é tão problemático [como autor verdadeiro do Evangelho] quanto os demais”, afirma Ribeiro. Ele lembra que há diferenças consideráveis entre o relacionamento de Paulo com os demais membros da Igreja como é retratado em Atos e a maneira como Paulo fala de Pedro e dos demais apóstolos em suas cartas — nesse caso, Paulo é bem mais agressivo e menos condescendente em suas críticas aos seguidores originais de Jesus.

Testemunhas?

Um detalhe que solapa, ao menos à primeira vista, a idéia de que alguns dos autores do Evangelho presenciaram as pregações de Jesus é a falta de uma identificação de quem escreve no próprio texto, ou mesmo de afirmações diretas de que o escritor viu tais e tais fatos acontecerem. “Isso pode ser apenas um detalhe de gênero literário — uma tentativa de demonstrar objetividade, por exemplo”, pondera Scholz.

A única exceção é o Evangelho de João — justamente o “estranho no ninho” entre os quatro textos aceitos no Novo Testamento, por não seguir a mesma linha básica de narrativa dos outros três e apresentar uma visão teológica muito desenvolvida e elevada de Jesus, considerado o Verbo de Deus encarnado. Com base nisso, ele seria o texto mais tardio, escrito por volta do ano 100. “Muita gente vê influência da filosofia grega sobre João, mas a divisão clara do mundo entre luz e trevas, que a gente vê nele, já aparece nos Manuscritos do Mar Morto, a poucos quilômetros de Jerusalém”, diz Scholz. Em um ou dois trechos, o Evangelho de João diz que “a testemunha viu” os fatos narrados acontecerem.

“Eu acho possível que esse Evangelho remonte a uma testemunha ocular, mas o que ela viu foi retrabalhado pela comunidade à qual ela pertencia”, avalia Ribeiro. Seria o misterioso “discípulo amado” de Jesus — mas esse discípulo certamente não é João, o qual é mencionado separadamente no mesmo Evangelho. “Também vemos uma tensão política entre a comunidade desse discípulo amado e o grupo que seguia Pedro, por exemplo”, diz o pesquisador, lembrando que, numa das narrativas sobre o sepulcro vazio de Jesus, Pedro e o tal discípulo correm até a tumba, mas o discípulo amado é o primeiro a chegar. Pedro entra no sepulcro e vê os lençóis que cobriam o corpo de Jesus; o discípulo amado entra depois, “e viu, e creu”, diz o Evangelho. Seria uma forma de mostrar a precedência dele sobre Pedro.

No fundo, o que se sabe de seguro sobre os escritores dessas quatro obras-primas da cristandade primitiva está mesmo embutido no próprio texto — e, como tal, sujeito a interpretações. É muito difícil, por enquanto, colocar uma “cara” nos evangelistas. “Enquanto não houver outras descobertas arqueológicas de peso, ficamos nesse impasse”, diz Scholz.


Em função dos comentários sobre meu post anterior – Jesus – Nascimento e História do Natal – deduzi ser conveniente trazer um pouco mais de informações sobre os “reis magos”…

Diz a Bíblia que “uns magos”, guiados por uma estrela, vieram do Oriente à procura de um recém-nascidoo rei dos judeus. Mas não diz quantos eram, de onde vinham exatamente nem se eram mesmo reis.

Todos os anos, o dia 25 de dezembro, revive a suprema tradição cristã do Natal, quando se comemora o nascimento de Jesus. As pessoas trocam presentes, enfeitam pinheiros com luzes e bolas coloridas e montam presépios. Neles se reconstitui o nascimento de Jesus: a gruta em Belém, o menino na manjedoura, os pastarese os três homens que, segundo a Bíblia, vieram de longe para adorá-lo, trazendo ouro, incenso e mirra.

São os três reis magos, que saíram do Oriente guiados por uma estrela na busca de um recém-nascido: o “rei” prometido.

 

De fato existiram?

Existiram de fato ou são apenas fruto da imaginação? Uma referência a eles na Bíblia está no evangelho atribuído a Mateus, versículo 2: “Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém dizendo: Onde está o “rei dos judeus” que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo.

As dúvidas sobre os reis magos existe na própria igreja. Em seu livro “Jesus Cristo Libertador”, o teólogo brasileiro frei Leonardo Boff pergunta: “Vieram de fato os reis do Oriente? É curioso imaginar uma estrela errando por aí, primeiro até Jerusalém e depois até Belém, onde estava o menino. Por que não se dirigiu diretamente a Belém, mas primeiro resplendeu sobre Jerusalém, estarreceu toda a cidade e o rei Herodes, a ponto deste ter decretado a morte de crianças inocentes? Em que medida nisso tudo vai conto ou realidade?” Segundo Boff, “textos do Antigo Testamento e um fenômeno astronômico teriam motivado o relato dos autores do evangelho de Mateus”.

Os evangelhos foram escritos muito depois da morte de Jesus. O evangelho atribuído a Mateus, por exemplo, foi escrito entre os anos 80 e 85, ou seja, cerca de meio século mais tarde. O teólogo Ivo Storniolo, de São Paulo, acredita que “o evangelho atribuído a Mateus teria criado uma história como se fosse um fato verdadeiro para mostrar o real significado do nascimento do menino”.

Outro teólogo, Euclides M. Balancin, afirma que o evangelho atribuído a Mateus inspirou-se no salmo 72, 0 Rei Prometido, do Antigo Testamento, que fala de um rei ideal que implantaria a Justiça e o Direito. “O que Mateus quer dizer”, interpreta Storniolo, “é que Jesus é o Messias prometido e, reconhecendo isso, os reis das Nações, que seriam os reis do Oriente, vieram trazer-lhe tributos.”

 

Por que “magos”?

A palavra mago vem do persa “magu” que deu em grego “mágos” e chegou ao português através do latim maga e quer dizer “poderoso”. Os sacerdotes da religião persa, o zoroastrismo, eram chamados de magos. Seus poderes vinham dos conhecimentos de Astronomia e Astrologia que possuíam. Por isso, os reis persas se aconselhavam com eles antes de tomar decisões das mais importantes, como saber qual o melhor dia para resolver questões de Estado, até as mais corriqueiras, por exemplo, o dia mais indicado para tomar um remédio ou mesmo dar uma festa.

Pode-se assim perfeitamente bem especular que tenham sido “magos” persas os viajantes em busca do Messias guiados por uma estrela. Além de conhecer os mistérios do céu, é provável que estivessem também a par das antigas referências à chegada de um novo rei que viria para salvar os homens. Isso talvez explique por que caminharam tanto seguindo uma estrela, à procura do incerto lugar onde teria nascido o Messias.

O Antigo Testamento, com efeito, menciona um profeta de nome Balaão, contemporâneo de Moisés, o fundador do judaísmo (século XIII a.C), que teria dito: Um astro procedente de Jacó se torna chefe: um cetro se levanta procedente de Israel. Um anjo teria falado a Moisés sobre a estrela cuja aparição anunciaria a vinda do salvador. Em Roma? o poeta lírico Horácio, que viveu de 65 a 8 a.C, profetizou o começo de uma nova era sob o signo de Saturnoum dos planetas da conjunção que teria causado a luminosidade conhecida como estrela de Belém.

 

As mesmas tradições de sempre…

Em todo caso, sempre foi muito comum a tradição popular buscar ligações terrestres para acontecimentos extraordinários que ocorrem no céu, como o aparecimento de luzes misteriosas ou astros magníficos e desconhecidos: obrigatoriamente eles deveriam ser o prenúncio de algo novo e importante na Terra.

Sabe-se tão pouco sobre os magos que até seu número é desconhecido. Jacó de Edessa (640-708), teólogo cristão que escreveu comentários sobre o Antigo e o Novo Testamento, dizia que eles vinham da Pérsia, mas não eram três. Eram homens ilustres escoltados por mais de mil pessoas e seguidos por uma multidão. As primeiras representações da adoração de Jesus mostravam a mesma cena que sobreviveu até hoje: três homens que oferecem ao menino Jesus três presentes: ouro. incenso e mirra. Uma hipótese é que o número de presentes tenha criado a confusão.

Seja como for, os nomes dos magos Melchior, Baltazar e Gaspar são de origem oriental e todos têm a ver com realeza e poder. Melchior do hebreu, quer dizer “rei da luz”: Baltazar, do aramaico, significa Judeus proteja a vida do rei. Gaspar é dos três o que mais possibilidades tem de se referir a um personagem real.

Entre os anos 19 e 65 da era cristã, diz-se que viveu na Pérsia um príncipe de nome Gundofarr, que significa “vencedor de tudo”. Traduzido transformou-se em Gasta e daí em Gaspar A idéia da procedência persa dos magos influenciou até as roupas com que aparecem representados: chapéu redondo na cabeça, camisa curta presa por um cinturão, calças estreitas e uma capa por cima. Exatamente como os reis persas se vestiam.

No altar mór da Catedral de Colônia, na Alemanha, existem os três caixões revestidos de ouro. Dentro deles estariam os restos mortais de Gaspar, Melchior e Baltazar, trasladados da Itália no século XII. Pode ser outro dos tantos mitos que bordam a história dos magos, mas o fascínio que ela exerce sobre os cristãos do mundo inteiro continua. Depois, no dia 6 de janeiro, quando eles teriam chegado a Belém, e a tradição popular preserva e comemora como o Dia de Reis.

 

Distorções

Em relação a esses famosos “Reis Magos”, temos que a vinda dos mesmos apresenta a deturpação do termo “Megas”, para o latim “Magnus” que tem a mesma raiz sánscrita “Mahat”, utilizada para designar tanto sacerdotes persas, como a adivinhos e astrólogos caldeus (Sumérios). Cabe destacar que, também as tradições persas falavam da chegada de um salvador ou “Sanshyant”, nascido de uma virgem, porém, sem referir ou relacionar qualquer evento astrológico ao fato do nascimento.

Se acredita que, na verdade, os “Magos” tenham sido discípulos de Zoroastro ou Zaratustra, isto é, sacerdotes masdeístas persas, chegados a Jerusalém no tempo da conjunção planetária do ano 7 a.C., e relacionados posterior¬mente para justificar o culto do nascimento. Outros entretanto, consideram que os famosos reis magos eram, na verdade, representantes de alguma ordem secreta ou hermética, que aportaram ao lugar guiados para entregar alguns elementos ou materiais, importantes e necessários para o futuro desenvolvimento de Jesus.

Por outro lado, nada impediria de considerar o fato de que, um grupo de astrólogos persas estivesse a procura do local apenas para observar uma conjunção planetária e durante a viagem, resultassem apanhados pelo avistamento de um estranho objeto e que o mesmo viesse a guiá-los até o local do nascimento, mesmo que passados quase dois meses. Estranho…

Roni Adame


História e Religião

Mais um 25 de Dezembro. Devido à minha imensa curiosidade e interesse a respeito de Jesus – mais especificamente o Jesus histórico – me sinto quase na obrigação de divulgar alguns fatos sobre esta data para que outros poucos curiosos também possam encontrar mais facilmente informações a respeito.

Antes de qualquer outra informação, penso ser conveniente chamar a atenção para a necessidade de separar o Jesus histórico do religioso. É claro que essa questão é monstruosamente complexa. Mas me refiro aqui apenas ao fato muito comum das pessoas confundirem a informação religiosa como sendo também a histórica.

Isso se deve principalmente ao simples fato de existir apenas uma via de informação sobre Jesus para o púbico. Seja nas igrejas, escolas ou núcleos familiares, a única informação transmitida ao público é a informação religiosa. As informações históricas simplesmente não são transmitidas. Com isso, a informação religiosa, a qual não tem qualquer vínculo com a informação histórica, é transmitida como sendo a única versão dos fatos.

Historicamente, pouquíssimo se sabe de fato sobre Jesus. E não é diferente com a igreja – me refiro a todas as igrejas, principalmente, católica e protestante. Especificamente sobre o natal, a igreja não sabe de fato quando Jesus nasceu. Mas teve que adotar uma data, de forma estratégica e conveniente, para instruir seus fiéis e instituir as devidas festas e rituais. Afinal, nunca foi nada interessante para a igreja dizer ao seu público que desconhece algo, principalmente sobre seu principal alicerce: Jesus.

Mitra e o Solstício de Inverno

De fato, o 25 de Dezembro já é comemorado muito antes do nascimento de Jesus, o qual, segundo dados históricos, tem mais chances de ter ocorrido de fato no entre os anos 7 e 6 a.C. O que conhecemos hoje como sendo o “Natal” já ocorria há aproximadamente 7 mil anos. Trata-se da homenagem de “nascimento” do deus persa Mitra, que, essencialmente, representava a luz. Como a festa ao deus Mitra chegou aos dias de hoje como sendo o nascimento de Jesus? Vamos à sequência de eventos.

A história do 25 de Dezembro é tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte.

Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: a festa era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, esse culto é o que daria origem ao nosso Natal. Ele chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios a Mitra. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes. Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo.

Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo. Mas a igreja ainda não comemorava oficialmente o Natal – entre outros motivos, por não saber o dia em que Jesus havia nascido. Embora o período tivesse sido mais ou menos calculado (a data seria entre 7 e 6 a.C.), em nenhum momento, nos primeiros 200 anos do cristianismo, o dia é mencionado.

Mas a igreja relutou em celebrar o nascimento de Jesus. Naquela época, era comum celebrar a morte de pessoas importantes e não o nascimento. A igreja sempre fez questão de lembrar o sacrifício do filho de Deus. Solenizar o aniversário de Jesus com festa, da mesma forma como se honrava um faraó ou Herodes, era indecência para os puritanos. É curioso observar que, mesmo depois de aprovada, várias vezes se cogitou terminar com a festa pelo nascimento de Jesus. Algumas reformas protestantes, a partir do século 15, conseguiram fechar igrejas que insistiam na celebração do Natal.

06 de Janeiro

A especulação de fato sobre o nascimento de Jesus e o natal, por parte da igreja, só começou por volta dos séculos 3 e 4, em resposta aos festejos promovidos pelos romanos com orgias e banquetes em reverência a divindades pagãs.

Nessa época, pelo menos oito datas diferentes foram propostas para o nascimento de Jesus. Duas datas, entretanto, prevaleceram e são usadas até hoje. Primeiro, veio o 6 de janeiro, uma comemoração feita no Oriente para o suposto dia em que Jesus fora batizado. A igreja primitiva, principalmente no Oriente, festejava no dia 6 de janeiro a Epifania do Filho de Deus, ou seja, a aparição de Cristo na Terra e sua revelação aos homens.

25 de Dezembro

Como os cristãos fizeram com muitas outras datas, aproveitando antigas cerimônias pagãs e as recobrindo com sua liturgia, a celebração de 6 de janeiro tomou o lugar de grandes festas em homenagem ao deus egípcio Osíris e ao grego Dionísio. No século IV, os cristãos celebravam na noite de 5 para 6 de janeiro o nascimento de Cristo e, durante o dia 6, seu batismo.

Mas os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa época viria a calhar – principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis. Aí, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado.

Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade. O 6 de janeiro ficou, então, reservado ao dia em que Cristo teria aparecido aos três “reis” magos, herança das lendas epifânicas, nas quais os deuses se manifestam aos seres humanos. Mais adiante, mesmo após a futura e decisiva intervenção do imperador Constantino nessa questão, a Epifania continuou sendo festejada pelos cristãos orientais como sendo o dia do nascimento de Jesus. A Igreja Ortodoxa armênia, mesmo atualmente, comemora o “natal” nesse dia.

É importante esclarecer que as escolhas das datas não foram aleatórias. Ambas rivalizavam com festas pagãs realizadas no mesmo período, como a da religião persa que celebrava o Natalis Invicti Solis, a do deus Mitra e outras decorrentes do solstício de inverno e dos cultos solares entre os celtas e germânicos. O 25 de dezembro foi uma conveniência para facilitar a assimilação da fé cristã pela massa de pagãos.

Não dá para dizer ao certo como eram os primeiros Natais cristãos, mas é fato que hábitos como a troca de presentes e as refeições suntuosas permaneceram. Ao longo da Idade Média, enquanto missionários espalhavam o cristianismo pela Europa, costumes de outros povos foram entrando para a tradição natalina. A que deixou um legado mais forte foi o Yule, a festa que os nórdicos faziam em homenagem ao solstício. O presunto da ceia, a decoração toda colorida das casas e a árvore de Natal vêm de lá. Só isso.

Outra contribuição do norte foi a idéia de um ser sobrenatural que dá presentes para as criancinhas durante o Yule. Em algumas tradições escandinavas, era (e ainda é) um gnomo quem cumpre esse papel. Mas essa figura logo ganharia traços mais humanos. Estava nascendo o “Papai Noel”.

Papai Noel

Ásia Menor, século 4. Três moças da cidade de Myra (onde hoje fica a Turquia) estavam na pior. O pai delas não tinha um gato para puxar pelo rabo, e as garotas só viam um jeito de sair da miséria: entrar para o ramo da prostituição. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho cheio de ouro pela janela (alguns dizem que foi pela chaminé) e sumiu. Na noite seguinte, atirou outro; depois, mais outro. Um para cada moça. Aí as meninas usaram o ouro como dotes de casamento – não dava para arranjar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre, sem o fantasma de entrar para a vida, digamos, “profissional”. Tudo graças ao sujeito dos saquinhos. O nome dele? Papai Noel.

Bom, mais ou menos. O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myra, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lenda é o que não falta. Nicolau seria um ricaço que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a generosidade do bispo, como essa das moças que escaparam do bordel, ganharam status de mito. Logo atribuíram toda sorte de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou são Nicolau.

Um santo multiuso: padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. Na Rússia e na Grécia Nicolau virou o santo nº1, a Nossa Senhora Aparecida deles. No resto da Europa, a imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal. E ele virou o presenteador oficial da data. Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Natal).

Os franceses cunharam Pére Nöel, que quer dizer a mesma coisa e deu origem ao nome que usamos aqui. Na Holanda, o santo Nicolau teve o nome encurtado para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixos levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) no século 17 – daí o Santa Claus que os ianques adotariam depois. Assim o Natal que a gente conhece ia ganhando o mundo, mas nem todos gostaram da idéia.

Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha com o nome de Santa Claus. A figura do Papai Noel, como a conhecemos hoje, foi obra do cartunista americano Thomas Nast, que publicou seu cartum em 1881.

3 “Reis” Magos

Os evangelhos relatam que pessoas ilustres foram oferecer presentes ao recém-nascido. Afirmam também que eram ricos soberanos do Oriente. Mais uma vez a informação religiosa toma um caminho diferente da informação histórica. Mas podemos entender porque.

Naquela época, naquela região e naquele contexto, “mago” significava alguém vinculado a especialidades como astrologia e astronomia. Na época ambas as especialidades caminhavam juntas. Mas o fato é que até hoje ignora-se quantos estavam envolvidos com a história do nascimento.

O autor do evangelho de Mateus incluiu os magos em seu relato sobre a natividade porque os estrangeiros representariam a sabedoria do mundo, que se curvaria diante da criança-messias. Mas o autor do evangelho não precisou o número de magos. Como eles teriam oferecido à criança 3 presentes – ouro, incenso e mirra – a “tradição” concluiu que eram 3 magos, inclusive com a intenção de posteriormente relacionar esse número com o conceito da santíssima trindade.

Para o autor do evangelho de Mateus, a visita dos magos seria a realização de profecias sobre a homenagem prestada pelas nações pagãs ao deus de Israel. Em função dessas profecias e de outras do antigo testamento sobre a vinda do messias, esse evangelho viria a ser alterado diversas vezes pelos vários concílios que a igreja faria. Um dos exemplos dessas alterações posteriores foi a inclusão do termo “reis” ao magos. Uma alteração que teve como objetivo apenas intensificar a importância da chegada de Jesus à Terra.

Nessa transformação de magos em “reis” magos, a “tradição” optou por torná-los símbolos das 3 nações oriundas dos filhos de Noé, ficando da seguinte forma: Melquior, o etíope, descendente de Cam; Baltasar, o semita, descendente de Sem e Gaspar, descendente de Jafé. Desta forma, os magos passaram a ser representados com traços dos 3 continentes então conhecidos: árabe, para a Ásia; negro, para a África e branco, para a Europa.

Roni Adame