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Tag Archives: Sistema Solar


plutao_caronteTodos os que puderam ir na escola aprenderam que nosso sistema solar tinha 9 planetas. Mas por acaso algum professor chegou a dizer que, antes de 2005, não havia ainda uma definição sobre o que era um planeta?

Foi devido a um achado do pesquisador do CALLTECH (Instituto de Tecnologia da Califórnia), Mike Brown, que a União Astronômica Internacional se viu forçada a estabelecer a definição de PLANETA.

O achado determinante foi a descoberta de ÉRIS, o primeiro objeto, além da órbita de Netuno, mais precisamente no CINTURÃO DE KUIPER, com dimensões maiores que as de Plutão, até então conhecido como o menor planeta de nosso sistema solar.

Com isso, em 2006, um astro morre e outro nasce. Morre Plutão, oficialmente rebaixado e nasce Mike Brown, escolhido pela revista TIME umas das 100 pessoas mais influentes daquele ano.

Plutão assassinado? Chega a ser ridícula essa dramatização por parte de alguns. Plutão apenas foi devidamente colocado em seu lugar.

Outra coisa que temos que nos perguntar: fora do meio científico, alguém realmente se preocupa com o que Plutão é de fato? Tenho quase certeza que nossos livros estudantis poderiam continuar afirmando por muitos anos que Plutão é o nono planeta do sistema solar sem qualquer incômodo por parte de nossa população.

Mas então por que estou falando sobre o rebaixamento de Plutão? Apenas porque ele foi a vítima de um bom exemplo.

Mesmo no meio científico, quando uma informação anterior é substituída por uma mais adequada à realidade, há muita resistência. Justamente onde não deveria haver nenhuma. Imagine qual a intensidade do nosso grau de resistência aqui fora do meio científico, em nossas casas, famílias, centros educacionais e organizações religiosas.

Nossa única forma de “evolução positiva” (transformação e adaptação que garanta nossa continuidade e melhoria, assim como a do planeta como um todo) está estreitamente ligada à nossa capacidade de melhorar nossa observação, percepção e compreensão da realidade (na qual estamos incluídos individual e coletivamente), de reconhecer informações, valores e conceitos falhos em relação à constatação de novos fatos e do quanto somos realmente capazes de substituí-los individual e coletivamente no meio em que vivemos.

Muitos fatores podem nos destruir. Fenômenos naturais e astronômicos de dimensões muito além da nossa capacidade de adaptação podem nos destruir a qualquer momento. Sem a flexibilidade de substituir paradigmas rigidamente estabelecidos por paradigmas flexíveis e temporais, jamais conseguiremos dar o próximo passo em relação à nossa melhoria e continuidade. Por isso o “assassinato” de Plutão é um ótimo exemplo. Quantas coisas, as quais na verdade não tem nenhum vínculo com a realidade estamos deixando de “assassinar” (substituir) em nós mesmos ou em nossa cultura apenas pela capacidade que as mesmas tem em preencher nossas carências?

Para concluir, voltando especificamente ao rebaixamento de Plutão, não devemos esquecer que ainda estamos conhecendo nosso sistema solar, a galáxia e o espaço profundo ao nosso redor. Além do sistema solar, neste momento, mesmo sem a capacidade de observá-los diretamente, conhecemos a existência de 505 objetos que definimos atualmente como PLANETAS. Ainda gatinhamos nesse sentido. Portanto, tendo em vista as incontáveis coisas estranhas e desconhecidas com as quais acredito que ainda iremos nos deparar universo à fora, tanto a definição de PLANETA como todas as demais estão seriamente ameaçadas pela verdade, desde que esta continue sendo nosso objeto de desejo e motivação.