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Monthly Archives: setembro 2010


Não tenho a pretensão de acreditar que entendo de política. Mas também não sou totalmente cego, surdo e mudo. Para aqueles que, como eu, tentam exercitar os “músculos cerebrais” sempre que possível, é possível perceber algumas obviedades do nosso cenário político, até mesmo porque os “gênios” que compõem esse cenário deixaram há muito tempo de ser tão geniais assim e, tendo em vista a qualidade atual de nossos políticos, essa “ciência” já não é mais tão complexa quanto antes.

Por essa razão não vou escrever sobre política visto que não é o meu foco. Mas, com o intuito de tentar contribuir humildemente com os eleitores que também tentar exercitar seus “bíceps e tríceps cerebrais”, resolvi colocar aqui um tipo de informação que, tendo em vista a qualidade de sua fonte, considero de suma importância compartilhar com o leitor e eleitor que passar por eeste blog.

OLulismoNoPoderPara isso, trago aqui para este blog uma entrevista feita com o jornalista Merval Pereira no programa Espaço Aberto Literatura da Globo News, onde o colunista do jornal O Globo fala sobre seu novo livro intitulado O Lulismo no Poder.

Antes de mais nada é preciso apresentar ao leitor o jornalista Merval Pereira: colunista do veículo O Globo, comentarista da Globo News e da rádio CBN, premiado pela Universidade de Columbia de Nova York com a condecoração denominada “Maria Mars Cabot”, por ter atuado em meio às adversidades da ditadura militar e ajudado a população brasileira a entender o significado da última eleição norte-americana vencida por Barack Obama.

Como não consegui inserir diretamente o vídeio aqui no blog, segue então o link para a entrevista de Merval Pereira transmitida pela Globo News. Espero que seja um eficiente instrumento de reflexão e que ajude o leitor a ter mais base e referências para suas escolhas…


Merval Pereira reúne artigos de O Globo no livro "O Lulismo no Poder" – O jornalista analisa oito anos do petista na Presidência da República.

 

Entrevista_MervalPereira

Entrevista:

Para assistir a entrevista na íntegra clique aqui.

 

 

 



Mais um 11 de Setembro. Mesmo revendo todos os documentários sobre o atentado às torres gêmeas em 2001, percebo que a mente tem dificuldade em processar e assimilar como algo real. Por mais que me esforce acabo concluindo que não consigo assimilar como eu gostaria. Mas, independente da minha percepção, trata-se de um fato. E fatos repercutem para sempre.

TerryJonesA novidade este ano foi um pastor evangélico norte-americano que usou a data dos atentados para buscar sua auto-promoção. E não poderia ser de forma mais infame.

Algumas semanas atrás eu havia comentado com uma amiga o quanto os EUA estavam regredindo culturalmente à idade média, ou melhor, à idade das trevas. Impressiona como surgem evidências disso a cada dia.

O pastor Terry Jones ameaçou queimar exemplares do Alcorão caso o imã de Nova York insistisse em construir uma mesquita próxima ao “Marco Zero” de Nova York.

Pronto! Foi o suficiente. Todos ouvimos as repercussões. Uma pessoa chegou a morrer num dos protestos do lado do Oriente Médio. O pastor havia conseguido seu objetivo auto-promocional. E é provável que acabe assassinado em curto ou médio prazo por radicais religiosos. Terroristas não se preocupam com esse tipo de problema.

Mas existe de fato algum sentido na atitude do pastor? Novamente a curiosidade pode nos revelar um cenário no mínimo curioso sobre os fatos que serviram de ingredientes na lambança do pastor.

O atentado às torres gêmeas se deve ao islamismo? De forma alguma. O contexto no qual o atentado está inserido não é religioso. O terrorismo é financiado e fabricado por razões e objetivos que independem de qual religião predomine nesses países.

Fahrenheit911Mesmo sendo notório que terroristas da Al Qaeda estiveram envolvidos no planejamento e execução do atentado, é fato que o mesmo existiu apenas por iniciativa desse grupo radical e de Osama Bin Laden? De forma alguma. Existe informação suficiente para mostrar que houveram outras influências, incluindo o próprio EUA e a administração BUSH. Mas essa é uma outra estória (Para saber mais sugiro que o primeiro passo é assistir ao documentário FAHRENHEIT 9/11, de Michael Moore).


Atualização: Recentemente foi divulgada uma notícia muito interessante que, ao meu ver, pode estar intimamente ligada ao atentado às torres gêmeas. Segue abaixo o link para a notícia e para a reportagem completa:

EUA quer fechar acordo para vender US$ 60 bilhões em armas à Arábia Saudita


 

O Alcorão é um texto perigoso como diz o pastor Terry Jones? Qualquer fonte religiosa demanda interpretação. Existem documentários muito bem pesquisados e elaborados que mostram que o Alcorão não é mais nem menos perigoso que a Bíblia. Ambas as fontes contém passagens onde o próprio Yaveh e o próprio Alá incentivam a morte de inimigos. Portanto, o pastor deveria analisar primeiramente a sua fonte de inspiração antes de criticar as demais.

USA_Bible[4]O pastor toma pra si um problema nacional e, com isso, dá ao problema uma roupagem religiosa, fazendo com que, aos olhos internacionais, os EUA pareça uma nação cristã evangélica radical. O pastor consegue fazer com que os EUA pareça cristão. Com isso, a informação que é transmitida ao resto do mundo é que os EUA são a nação que deve servir de exemplo, assim como o cristianismo. Mas será que ele tem alguma noção do que os próprios fundadores dos EUA pensavam a respeito do cristianismo?

Thomas_PaineThomas Paine era inglês e um famoso patriota americano. Em 1793 publicou um livro chamado “THE AGE OF REASON”, onde ele faz um dos ataques mais fortes já feitos ao cristianismo.

No livro Paine diz que quem conhece a astronomia moderna (a astronomia de 1793) não pode aceitar que Deus tenha criado o universo inteiro, indo de planeta em planeta resgatando as pessoas. Isso seria impossível de acreditar.

Thomas_JeffersonPaine estava preso na Europa por pertencer a um partido político que não estava mais no poder. Em 1802 ele foi convidado a retornar aos EUA pelo então terceiro presidente Thomas Jefferson. Jefferson era um intelectual e era considerado um gênio por muitos por sua habilidade como estadista e por sua aptidão científica.

A nova racionalidade sobre ciência mudou o modo com que esses fundadores dos EUA falavam sobre religião.

John_AdamsEm 1825 Thomas Jefferson contratou professores para a Universidade de Virgínia. John Adams escreveu para ele e o aconselhou como fazer a contratação. Ele disse:

“Não contrate professores europeus. Se fizer isso é provável que acreditem no cristianismo e essa é uma doutrina muito perigosa e da qual devemos nos afastar.”

Outros fundadores também concordavam com esse ponto de vista, o qual também incluía, já naquela época, a crença na possibilidade da existência de vida inteligente em outros planetas além do nosso. Muitos deles davam como óbvio haverem seres inteligentes em todo o universo. E a noção de que Deus teria vindo a este planeta como uma pessoa que foi perseguida era simplesmente ridícula.

Portanto, um pastor que desconhece o teor do próprio livro religioso a que segue, que desconhece mais ainda o teor dos livros que outros seguem, que desconhece os fundamentos do terrorismo, que desconhece a mentalidade e potencialidade daqueles que fundaram o próprio país a que ele finge defender, só pode representar o símbolo da queda rumo ao abismo da ignorância intelectual e religiosa. Nada mais.

Tenho certeza que um pouco, apenas um pouco, de noção do potencial intelectual dos fundadores de seu país o teria impedido de ir adiante com seu BIG SHIT BURN DAY.

Menos mal que seu comandante em chefe, Barack Obama, está à altura dos seus ancestrais políticos, ou talvez ainda em andares superiores, e a anos-luz do abismo em que se encontra o cristianismo radical em franca ascensão naquele país. Tenho minhas dúvidas se tudo que Obama representa pode prevalecer sobre tudo o que Terry Jones representa.


Reencarnacao_Em_Alta

A crença na reencarnação constituía um dos dogmas das comunidades cristãs primitivas, mas depois foi considerada herética e banida da teologia cristã no Segundo Concilio de Constantinopla em 553 d.C.

Primeiro foi Bezerra de Menezes, depois Chico Xavier e agora, com a direção de Wagner de Assis, e com o apoio da FEB (Federação Espírita Brasileira), o cinema brasileiro lança Nosso Lar, mais uma adaptação à obra literária, talvez a mais famosa, de Chico Xavier.

Tendo em vista que o Brasil é o país com o maior número de adeptos ao espiritismo, é quase certeza que, com pouco tempo de exibição, o investimento do filme seja rapidamente recuperado.

O ampla aceitação das diversas correntes do espiritismo no Brasil se deve a vários fatores, sendo que um dos principais é a atratividade do dogma da reencarnação frente ao não tão atraente dogma cristão da ressureição. Vale lembrar que uma grande parte dos espíritas aqui no Brasil são católicos “flex”, que, ao mesmo tempo que preferem a reencarnação do que a ressureição, também não abandonam totalmente o cristianismo.

Ao condenar a doutrina da reencarnação, a igreja, consciente ou não disso, deixa escorregar pelas mãos uma enorme quantidade de adeptos. Mas o que a grande maioria desses adeptos, ou ex-adeptos, desconhece é que antes não era assim: a reencarnação era uma das doutrinas oficiais da igreja.

Mas então o que houve? O que fez a igreja mudar de idéia e criar o dogma da ressureição? Vamos então aos eventos históricos que resultaram nessa substituição de doutrinas.

A condenação da doutrina da reencarnação surgiu de uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano ao Concilio da igreja, seguindo ordens de sua esposa. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como cortesã.

Após sua ascensão ao poder, decidiu se libertar de seu passado que a manchava. Para isso, ordenou mais tarde, a morte de quinhentas antigas "colegas" cortesãs. Mas isso não era suficiente.

Para não sofrer as consequências da morte de suas antigas colegas em uma outra vida, como preconizava a doutrina da reencarnação, empenhou-se ainda em abolir de vez qualquer vestígio dessa doutrina usando a influência de Justiniano para fazer com que suas intenções fossem transformadas em “ordem divina".

Assim, em 543 d.C., o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos do papa Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas obras DePrincipüs e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C), já havia reconhecido abertamente a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas.

Esse sínodo especial convocado por Justiniano teve como participantes apenas os bispos ortodoxos do oriente e nenhum de Roma. Nem mesmo o próprio papa participou pois estava em Constantinopla na ocasião.

O Concilio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou então de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da pré-existência da alma e da reencarnação, apesar dos protestos da Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata.

A conclusão oficial a que o Concilio chegou após uma discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados "Três Capítulos") versavam apenas sobre a disputa a respeito de três eruditos que Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes.

Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concilio, nunca tocaram no nome de Orígenes.

O edito de Justiniano foi então aceito pela igreja na seguinte forma: "todo aquele que ensinar a pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado".

Não costumo acreditar em ditados. Mas no caso do famoso ditado “Todo grande homem tem sempre por trás uma grande mulher”, foi exatamente por isso que os cristãos condenam até hoje a crença na reencarnação.

 

Observação: apesar de ser uma crença tentadora, não estou aqui defendendo a crença na reencarnação. Meu intuito é apenas falar sobre fatos históricos que moldaram as crenças atuais.