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Tag Archives: Operação Cavalo de Tróia


Natal fora de época? Para os católicos e protestantes claro que sim. Mas não para outros grupos cristãos.

URÂNTIA

Livro de Urântia

Livro de Urântia

21 de Agosto é a data de nascimento de Jesus. Isso segundo a Fundação Urântia e sua obra mundialmente conhecida, o Livro de Urântia. O Livro de Urântia é uma obra literária, composta por 197 documentos escritos em Inglês arcaico, traduzido recentemente para mais idiomas e que serve como base ideológica de alguns movimentos religiosos e filosóficos. Nas suas páginas, o livro refere ter sido compilado por um corpo de seres supra-humanos das mais diversas ordens, o texto fornece uma abrangente perspectiva das origens, história e destino humanos, constituindo para os seus leitores assíduos uma nova revelação para a humanidade.

A identidade dos autores materiais do livro é desconhecida e nunca foi reclamada, existindo por este motivo muitas teorias a respeito da sua edição e autenticidade. O próprio livro refere que é assim para que nenhum humano possa ser proclamado “profeta” ou admirado de alguma forma por tal obra literária.

O Livro de Urântia diz que Micael de Nebadon, criador e soberano deste universo local (Nebadon), fez sua sétima e última encarnação neste planeta como Jesus de Nazaré e teria nascido em 21 de Agosto do ano -7. No site da AUB – Associação Urântia do Brasil – há um convite a todos para comemorarem o aniversário de Jesus com o grupo de leitores de São Paulo. Mas o aniversário de Jesus na data de 21 de Agosto é comemorado por pessoas do mundo todo.

O conteúdo do Livro de Urantia foi amplamente difundido pelo mundo com a ajuda da saga literária do jornalista e escritor Juan José Benítez Lopez (J. J. Benítez): Operação Cavalo de Tróia, que consta atualmente com oito volumes. Benítez, no primeiro volume da saga, agradece à fundação Urântia por ela ter permitido que ele “bebesse em suas fontes”. J. J. Benítez complementa a narração feita na saga Operação Cavalo de Tróia com a publicação de Rebelião de Lúcifer e busca explicar melhor o que está por trás de tudo isso ao publicar O Testamento de São João.

Diversas versões a respeito de Jesus têm adeptos pelo mundo todo. O Livro de Urântia não é a única. Uma outra com muita semelhança existe no livro UCEM – Um Curso em Milagres.

UCEM

UCEM

UCEM

Um Curso Em Milagres – UCEM (também conhecido como ACIM em inglês), é um livro considerado por seus alunos como um “caminho espiritual”. Escrito originalmente em inglês entre 1965 e 1972 pela psicóloga Helen Schucman. De acordo com Helen, ela e o psicólogo William Thetford “escreveram” o livro por meio de um processo proveniente de canalização que Schucman chamou de “ditado interior”. Helen Schucman disse que a fonte da sua canalização foi Jesus Cristo.

Os ensinamentos do curso foram comparados com as premissas fundamentais da religião oriental. No entanto, ele utiliza a terminologia tradicional cristã. J. Gordon Melton constata que ele é mais popular entre aqueles que estão desiludidos pelo cristianismo tradicional. Desde a primeira vez em que ficou disponível para venda em 1976, teve mais de 1,5 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro em dezesseis idiomas diferentes. O livro aborda um curso você irá se deparar com vários termos que são de domínio da área de psicologia, tais como: projeção, separação, sistema delusório, sonhos, alucinação, negação, defesas, insanidade, ego, fantasia, culpa, e percepção.

O Curso é composto de três livros: o Texto de 721 páginas, o Livro de Exercícios para estudantes de 512 páginas e o Manual de Professores de 94 páginas.

Segundo informações de seus adeptos, trata-se um sistema de pensamento que, quando levado ao último entendimento, permite a conquista de um estado perene de paz, onde a certeza habita na vivência do reconhecimento da unidade em si mesmo e com Deus, onde o amor a tudo abrange e não deixa espaço para opostos, onde nada real pode ser ameaçado, e onde o medo não tem significado diante da eterna condição de impecabilidade de um ser divino e eternamente perfeito, visto que é herdeiro incondicional de todos os atributos do seu Criador.

Ainda segundo seus adeptos, seria um modo de pensar definitivo, onde perguntas como: de onde vim, prá onde vou, o que estou fazendo aqui, onde estou, assim como todas as questões de caráter existencial são finalmente respondidas, visto tratar-se de um sistema de pensamento onde mistério é algo impossível para todos que sinceramente queiram ver a verdade.

Hoje existem até mesmo empresas que se autodenominam “consultorias existenciais”, baseadas totalmente no curso UCEM. Como nem todos tem a mesma ambição, UCEM pode também ser facilmente encontrado no site do Mercado Livre  e por um custo incomparável com o custo de uma “consultoria existencial”.

COMANDO ASHTAR

Ashtar Sheran

Ashtar Sheran

Tanto o Livro de Urântia como o livro Um Curso em Milagres abordam a divindade e também trazem, ainda que com formatos alternativos, o conceito cristão da trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas também existem versões de Jesus onde é visto de forma mais moderna, nem tanto divina e mais espacial como a do “Comando Ashtar” (também conhecido como Comando Intergaláctico ou Frotas da Cruz Solar), o qual seria composto por milhares de espaçonaves de muitos sistemas solares pertencentes à Grande Fraternidade de Luz, cujo Comandante em Chefe seria “Ashtar Sheran” (o Sol que mais brilha), sendo a orientação espiritual dirigida pelo “Senhor Sananda”, mais conhecido como “Senhor Jesus” no planeta Terra.

Nessa versão espacial, todos – as sementes estelares do ofício do Cristo – obedecem ao Cristo Cósmico e estariam aqui para auxiliarem a Terra e sua humanidade, no decorrer do atual ciclo de purificação planetária e realinhamento polar, o que levará a Terra de 3ª para 4ª e 5ª dimensões do espaço-tempo, juntamente com os seres resgatáveis que ascencionarem suas consciências tridimensionais, seja lá o que signifique isso tudo.

Essa versão espacial do Cristo Sananda é também muito difundida e muito bem aceita, conquistando inúmeros adeptos ao redor do mundo todo, tendo em vista sua relação estreita com um fenômeno moderno altamente misterioso e atraente: os OVNI’s, naves espaciais, discos voadores e seres extraterrestres.

Ainda sobre Ashtar Sheran, sugiro a leitura do seguinte artigo: Ashtar Sheran – Mito ou Realidade?.

JESUS HISTÓRICO e o PROBLEMA DO NASCIMENTO

Tendo em vista os diferentes segmentos inspirados por Jesus nos dias de hoje, seria tão absurdo comemorar o “natal” em 21 de outubro ao invés de 25 de dezembro? Nem um pouco. Ao contrário do que possa parecer, não existe uma data oficial para o nascimento de Jesus. Até mesmo quem o lançou no mercado – a igreja – reconhece que isso não se sabe. Mas temos também que levar em conta algumas informações importantes sobre o contexto histórico que envolve a questão.

Houve um tempo em que a Igreja não comemorava oficialmente o Natal – entre outros motivos, por não saber o dia em que Jesus nasceu. Embora o período tivesse sido mais ou menos calculado (a data seria no ano 6 a. C.), em nenhum momento, nos primeiros 200 anos do cristianismo, o dia é mencionado. A especulação só começou por volta dos séculos 3 e 4, em resposta aos festejos promovidos pelos romanos com orgias e banquetes em reverência a divindades pagãs.

Nessa época, pelo menos oito datas diferentes foram propostas para o nascimento de Jesus. Duas datas, entretanto, prevaleceram e são usadas até hoje. Primeiro, veio o 6 de janeiro, uma comemoração feita no Oriente para o suposto dia em que Jesus fora batizado – a Igreja Ortodoxa armênia comemora o “natal” nesse dia.

Em 194 d. C., Clemente de Alexandria propôs a data de 19 de novembro do ano 3 a. C., enquanto outros pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19/20 de abril. Mais tarde, em 214 d. C., Epifânio propôs do dia 20 de maio. Nessas datas existem confusões entre a época da concepção e do nascimento. No entanto, tais datas parecem concordar com a velha tradição de que Jesus teria sido concebido na primavera e nascido em meados do inverno (essas estações referem-se ao Hemisfério Norte).

A partir do ano 336, quando o imperador Constantino já havia declarado o cristianismo como a religião do Império Romano, foi adotado o 25 de dezembro, data adotada pela igreja ocidental. O 6 de janeiro ficou, então, reservado ao dia em que Jesus teria aparecido aos três Reis Magos, herança das lendas epifânicas, nas quais os deuses se manifestam aos seres humanos.

As escolhas das datas não foram aleatórias. Ambas rivalizavam com festas pagãs realizadas no mesmo período, como a da religião persa que celebrava o Natalis Invicti Solis, a do deus Mitra e outras decorrentes do solstício de inverno e dos cultos solares entre os celtas e germânicos. “O 25 de dezembro foi uma conveniência para facilitar a assimilação da fé cristã pela massa de pagãos”, admite Mario Righetti, um dos mais renomados intelectuais católicos, em sua obra História da Liturgia, de 1955.

“Entre os estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, é consenso que Jesus não nasceu em 25 de dezembro”, afirma o cientista da religião Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Na Bíblia, o evangelho de Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas.

“Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em dezembro”, diz Caldas. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre março e novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

Definir quando nasceu Jesus exige uma profunda investigação histórica.

O problema começa em 525 d.C., quando Dionísio, o Pequeno, ao fixar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro do ano 754 d. C. urbe condita (depois da fundação de Roma), efetuou um erro de cálculo da ordem de pelo menos cinco anos. Ele não havia considerado nem o zero (algarismo que seria introduzido na Índia no século IX a. C.) nem os quatro anos que o Imperador Augusto reinou com o seu próprio nome de batismo, Otávio.

Segundo o evangelho de Matheus, Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, que faleceu no ano 4 a.C., talvez nos meses de abril ou maio. Essa última conclusão prende-se ao fato de a morte de Herodes ter ocorrido antes da Páscoa dos judeus, e ter sido precedida por um eclipse da Lua. Ora, como o único eclipse lunar visível em Jericó foi o da noite de 12 para o dia 13 de março do ano a. C., como foi mencionado por Flavius Josephus, supõe-se que a morte de Herodes ocorreu provavelmente no mês que se seguiu ao eclipse. Em síntese: tudo indica que Herodes morreu entre 13 de março e 11 de abril, pois foi nesse último dia que se iniciou a Páscoa dos judeus.

Uma outra ocorrência que tem auxiliado os historiadores foi o massacre dos inocentes, quando todas as crianças de menos de dois anos foram sacrificadas por ordem de Herodes, que se baseou nas informações dos Magos para enviar os seus soldados a Belém, a fim de matar o novo Messias que ele tanto temia. Por esse fato se concluiu que Jesus, na época, deveria ter menos de dois anos. Seria conveniente lembrar, por outro lado, que essa data pode corresponder a concepção e não ao nascimento, pois entre os orientais era tradição iniciar a contagem da idade a partir daquele instante.

Um outro ponto de referência na fixação da data de nascimento de Jesus foi a época do recenseamento ordenado pelo Imperador Augusto, que foi executado por Quirino, governador da Síria. Se aceitarmos o termo recenseamento como censo, isto é, como um inventário de população, a data correspondente será -7 ou -6. Todavia se tomarmos, como o fazem alguns autores, esse termo no sentido de cens, ou seja, de imposto, que deve ter sido posterior de um a dois anos ao citado inventário, é aceitável supor que o mesmo ocorreu 5 a 4 anos a.C.

Considerando todos esses elementos, chegamos à conclusão de que a data de nascimento de Jesus deve situar-se entre os anos 5 a 7 a.C.

Segundo os relatos da Bíblia, a qual não pode ser considerada um documento válido para o estudo sobre o Jesus histórico, o nascimento de Jesus pode ser determinado em função do de São João Batista. Assim Zacarias, o pai de João Batista, foi o sacerdote da travessia de Abia (Lucas 1.8) que teria servido no templo na sexta semana depois da Páscoa, semana anterior ao Pentecoste. Como todos os “sacerdotes” também serviram durante o Pentecoste, Zacarias teria deixado Jerusalém para sua casa no décimo segundo dia do mês do calendário israelita Sivan, ou seja, em 12 de junho do nosso calendário. Ora, como Isabel, sua esposa, concebeu seu filho depois do seu retorno (Lucas 1.24) conclui-se que João Batista deve ter nascido 280 dias mais tarde, ou seja, nas vizinhanças do dia 27 de março. Lucas (1.36) registrou ser Jesus seis meses mais jovem que João Batista, o que faz ter o nascimento de Jesus ocorrido em setembro seguinte, ou seja, no outono do ano 7 a.C. A primitiva tradição cristã registrava que Jesus nasceu um dia depois de um Sabbath judeu, isto é, em um domingo.

Crenças astrológicas tradicionais indicam, como dia mais provável, o sábado, dia 22 de agosto de 7 a.C. Seria conveniente lembrar que no calendário judeu o dia começa ao pôr-do-Sol, de modo que se considerarmos a legenda que Jesus nasceu depois do pôr-do-Sol, podemos aceitar que o seu nascimento ocorreu em 21 de agosto do ano 7 a.C.

Portanto, segundo relatos da Bíblia e crenças astrológicas, os seres que teriam “escrito” Livro de Urântia teriam razão em comemorar o aniversário de Jesus em 21 de Agosto. Será? Bem, historicamente não sabemos e é muito provável que nunca venhamos a saber. Então, assim como quase tudo que pensamos saber a respeito de Jesus transita do âmbito das crenças, e colocando em prática a tolerância sugerida por Victor Hugo, meus parabéns a esse personagem tão intrigante.

Roni Adame

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